sábado, dezembro 30, 2006

the countdown...



Não sabemos do Futuro,
e ele nada nos diz,
queremos escolher um novo rumo
e no entanto ainda faltam algumas horas
Que efeito este,
que sonambolismo estranho nos provoca,
os últimos dias e quatro números que mudam,
apenas o último
e que diferença que faz?
Não sabemos nada do que vem,
mas planos não faltam
e na realidade tudo continua
não recomeça, não pára, não se altera
continua e não sabemos o que virá.
Que diferença faz, esse Futuro que nada nos diz...?

25Dezembro

aproxima-se o dia
e as pessoas correm á rua
compram-se as prendas de última hora
e as luzes brilham na cidade
com o sol enganado
que brilha no inverno de chuva
as roupas cheiram
a casas com lareiras
e pantufas que se calçam
para descansar os pés
as crianças
sonham com o dia que aí vem
todos imaginam
que magia afinal é possivel
e as carteiras dos pais ficam magras
e ninguém se lembra que é Natal
isso acontece em alguns dias
perto da grande noite
perto do nascimento esperado
bem perto de acabar
e o dia a seguir é,
realmente,
o dia de Natal...

segunda-feira, dezembro 11, 2006

the opening

Os minutos contam-se ao contrário,
os corpos despem-se deles mesmos
encontram roupas,
pós, maquilhagens, adereços
a música ouve-se ao fundo
as luzes são testadas
os passos são nervosos
de quem se prepara
de quem viu e vê pela primeira vez
as vozes sobem
o desconforto infiltra-se
o silêncio entra silenciosamente
pela porta do fundo
o calor humano existe em stand-by
as portas abrem
o barulho ocupa as cadeiras
as conversas de bolso guardadas
o black-out
começa, é a estreia!

horas mais tarde
os aplausos ressoam
como um eco
de um passado próximo
os olhos cansados
de vinho e fumo
sorriem numa memória
que não deixa o sono
penetrar
o dia acaba
e cada um
no escuro de um quarto
adormece num sonho
do que foi,
do que não vai voltar a ser...

vida interrompida

passou quase um mês desde que as últimas palavras foram escritas... a vida é interrompida por tantas coisas sobre as quais não temos controle, é como se estivessemos sempre numa queda vertiginosa em direcção ao fim, e entretanto agarramo-nos a momentos que caem ao mesmo tempo, que se despedaçam primeiro do que nós. Vivemos intensamente os momentos de solidão que ficam abandonados os momentos em que os sorrisos nos visitam logo pela manhã, quando o frio não deixa ver o passo seguinte, mas o sol brilha por cima das nuvens, sozinho, nos dias de chuva!
a rotina instala-se e somos comandados por uma força invisivel que nos empurra em direcção ao desconhecido que temos medo de enfrentar, preferimos (eu, pelo menos) olhar para um passado longínquo e sentimo-nos fortes por andar literalmente com a cabeça a olhar sobre o nosso o ombro, quando damos conta embatemos de frente contra um poste de elctricidade e acordamos para uma realidade que desconhecemos.
é esta consciência humana que nos torna tão frágeis, que nos torna impotentes, a mesma que nos faz agir, torna-nos passivos e parece impossível lutar contra isso. não temos força nenhuma contra o deconhecido e ainda assim fazemos planos para o futuro, queremos casar, ter filhor, mas ninguém se lembra que para querer tudo isso, também se tem que querer morrer, porque está lá à nossa espera no fim de tudo. e ás vezes quando penso que queria que fosse mais cedo do que o "normal", torno-me aborrecido e perco todo o sentido do que é realmente viver, e poder aproveitar o momento a seguir...
somos criaturas do submundo, vivemos nas horas que não existem, quando os humanos dormem, saímos á rua, com os cabelos despenteados, as caras pintadas de químicos estranhos, com frases decoradas que não nos pertencem, porque nunca nos vão pertencer, porque são feitas de tinta, porque estiveram na mão de outra pessoa, porque são as palavras de outro pensamento, porque é impossível sermos outra pessoa, que não nós mesmos! mas ainda ssim tentamos, sem beber sangue, somos noctivagos, e quando a lua já vai alta, podemos encontrar um pouco de paz e descanso nas ruas desprotegidas, onde as prostitutas fazem amizade connosco e nos pedem cigarros, e nos perguntam as horas, ou (as mais atrevidas) nos lançam um olhar de esgelha e um "psst" mal desenhado...
Gostamos de odiar esta rotina. Tudo em nome do quê?
desses momentos em que somos felizes, em que as coisas parecem fazer sentido, nesses lugares que se enchem de pó e são gelados, mas que nos fazem ser aquilo que somos realmente... ou não, mas gostamos de pensar que sim. eu, pelo menos.
Sacrificio, Suor, Lágrimas... somos criaturas do submundo, mas nem tanto. Somos o que somos quando queremos ser, e não o podemos ser em mais lado nenhum. Os outros, os que dormem, que lidem com isso.

sexta-feira, novembro 17, 2006

fumarmata

F U M A R M A T A
A T A M R A M U F
A T A M A R M U F
mata os que querem morrer.
mata os que não pensam na morte.
mata aqueles que respiram demais
mata aqueles que não merecem viver
mata aqueles que são supostos morrer
mata porque mata
mata porque nos podemos matar a nós próprios
mata porque sim, porque é proibido matar!

16Novembro

Escrevo algumas linhas em minha homenagem.
...tento e não consigo.
os anos passam,
no espelho procuro a criança loira
que tantas vezes me visita a memória
e me faz sorrir como sorria na altura
em que o mundo é enorme
e a vida nos parece tão promissora
tão possivel..tão cheia de boas surpresas.
os anos passam
e o mundo diminui, torna-se pequeno
e já não "sonhamos", mas "queremos"
porque o tempo passa rápido
e é como se estivesse parado
numa auto-estrada, e todos os carros do mundo
passassem por mim
em velocidades que deixavam apenas rastos de cor
e as estrelas no céu
desenhassem riscos luminosos e brilhantes...
e eu parado. simplesmente parado.
feliz aniversário

sábado, outubro 28, 2006

clown...town

Nas luzes nocturnas da cidade
Os palhaços aparecem do nada,
vestidos como pessoas, misturam-se
E como por magia o som desaparece
A música sobe ao lado da lua
e uma sinfonia de Beethoven
pinta tudo de preto e branco
os contrastes acentuam-se e a cidade
é um palco, vestido de movimentos
e cada um pertence a tudo
a todos
as expressões marcam afirmações
e os desgostos, de amor, desenham-se
com braços, pernas, olhos e corpos (inteiros).
No bar todos riem e as estórias pessoais,
no bengaleiro,
jogam entre si
o jogo da vida,
do "sim" e do
"não".
Somos todos palhaços da cidade
a lutar, a sobreviver
porque tudo é tão real
tão dramaticamente real.

Café Java

São loucos todos os que pensam
São loucos todos os que escrevem
São loucos os que trauteiam
músicas sem sentido no meio da estrada,
todos os que caminham sem destino
todos os que acreditam no sonho
todos os que sonham num dia melhor
num futuro melhor,
todos os que acreditam no amor
todos os que correm para os comboios
todos os que, de madrugada, bebem
e falam sem parar,
todos os que se sentem boémios
todos os que fumam fora da idade
todos os que acreditam em magia
todos os que se sentam sozinhos
em mesas para dois.
Porque todas as mesas são para dois!
todos os que sorriem nas viagens
todos os que cantam a alta voz
todos os que decidem escrever um livro
todos os que representam debaixo de luzes
todos os que todas as noites adormecem
sozinhos...
todos os que escrevem poemas
enquanto esperam
todos os que se dizem artistas.
São loucos, os que acreditam que podem escolher
todos os que acreditam.

quinta-feira, outubro 12, 2006

a.r.t.e. - só por ser diferente

A arte
vítima de olhares
de frustrações mal acabadas
que decidem e falam
ideias e conceitos
de uma arte repartida
tripartida e sagrada
partida em pedaços
engolida pelos poros
que se abrem em ditados
de infinitas linhas
como uma droga
viciante hábito de criticar
a arte feita por todos
em conjunto sem tempo
que corre e dança e caminha
em cores que não existem
em formas estranhas
confusa, inútil, permanente
fica na mente
e instala-se no vazio
escuridão total, partida
dissecada até ao miolo
até perder significado
até ser vulgar
vender-se a ela própria
corrupta e tripartida
como o grande poder
incompreendida
fechada nela própria
inócua.
vítima da ignorância,
da presunção.

domingo, outubro 08, 2006

o homem que ensinou o mundo a dançar...

Saiu na edição do 'Y' - no Público - na passada sexta feira (6 de Out'06) um artigo sobre um homem que mudou o mundo da música, que deu á motown razões para ser a editora mais jovem num mundo de jovens.
Ouvi-lo, é conseguir perceber o que o mundo queria nos anos 60/70. os jovens queriam ser ainda mais jovens e os velhos não queriam sentir ou sequer pensar na gravidade!
Sly Stone, ou como foi conhecido - Sly and the Family Stone - deu ao mundo aquilo que décadas mais tarde se usufruíria no seu esquecimento, a música de negros feita para um mundo onde não devia existir diferença de cores, e se existisse (numa América que lidava na altura com a segregação e a emancipação feminina), então Sly era 'o mais negro de todos os negros'.
Podemos sentir o génio em cada uma das notas que se ouvem nas músicas dos seus discos. os mais antigos a reflectir uma atitude vanguardista (tendo em atenção o período em que se vivia) e uma garra capa zde nos fazer sentir que viajamos no tempo e estamos em Woodstock a tentar dançar com este homem que vestiu e deu corpo à soul music.
Uma pequena descoberta feita num fim-de-semana atarefado, mas que vale a pena partilhar...

sexta-feira, outubro 06, 2006

sem tempo ou paciência...

desabafo. como se o cérebro estivesse parado e as ligações se desenvolvessem a uma velocidade estonteantemente lenta. acto de processar, idêntico ao de um computador infectado que alterna o seu comportamento entre medidas de tempo que parecem não reconhecer o 'segundo' como medida adoptada de 'menor'.
a arte e a não convencionalidade corre por entre as veias e esconde-se nos poros com medo de sair de explorar o mundo. a pincelada de cor que urge ser efectuada, teme a precisão instantânea de um erro capaz de colapsar o pensamento. congelado sem uma corrente electrica forte o suficiente para gerar energia ao crescimento inerente de um fio de cabelo.
os olhos abertos prescrutam uma penumbra esbranquiçada de névoa matinal constante, e semicerrados absorvem o cansaço que paira nos transporte públicos e mesas de café perdidas numa cidade que se esquece de viver e sobrevive nos seus recantos escurecidos quando a luz do dia perdura e os passos ouvem-se lentos numa cadência que assusta os cavalos de séculos passados.
explorada sem limites quando a consciência não existia, dominava o corpo e a mente flutuava sã em ruas desconhecidas e ansiosas por serem descobertas, mãos que escreviam palavras conduzidas por meadas de pensamentos. hoje fios, apenas fios soltos, que existiram ao longe quando olhamos para trás.
devaneios sem conteúdo, mas fiéis à letargia instalada que se proclama vencedora do século.

domingo, setembro 24, 2006

hoje...sab.23set'06

a partir do original de rita melo
a luz do Porto era o sol que descia pelas ruas húmidas da chuva de ontem e pequenas gotas de água caíam enquanto banhavam os carros parados debaixo do sol. sábado e as famílias saem á rua, no metro as pessoas viajavam discretas e o sono entrava-lhes pelos olhos. assim como a mim.
o meu corpo inerte resistia à vontade de sorrir e repulsava a energia que a cafeína à força do fumo do cigarro a empurrava para cada interior de mim.
subo as ruas cheias de calor de fim de verão e o outono aproxima-se estonteantemente abrupto perto das paragens de autocarro.
um outro mundo vive em miguel bombarda, respira-se arte porta sim, porta não, porta não, porta não.... porta sim. a exposição era de rita melo e a cor pendurada nas paredes brancas ofusca os meus olhos ainda pouco habituados a tanto rosa e azul choque. o primeiro é um quadro que imita a saudade do ouro e da realeza diminuída e crava num fundo preto. sorrio. entre pequeno almoço inacabado e a imagem de um casal de homens intitulado . Pedro e Inês . percorro os cinco, seis quadros que perfazem a exposição.
saio. fumo um cigarro.
a arte vive agora entre as bocas dos que veêm e se fingem entendidos, e as mãos cansadas que abanam e amachucam papéis, sentados em secretárias feitas ontem, para hoje.
são tantas imagens e a pintura não me impressiona em quase nada. não sinto nada. nada me diz absolutamente nada. na minha cabeça late apenas o pequeno almoço inacabado, pintado, de um rapaz que vi ontem no meio de cervejas.
dois espanhóis prendem a minha atenção. um pela fealdade bela das suas pinturas e outro pelo voyeurismo captado em vídeo de vidas aglomeradas em blocos de betão.
um chá e mais um café. saio de novo à rua.
a luz do porto é de um acastanhado brilhante, o sol foge para o mar e as nuvens depressa se concentram sobre mim. a água liberta-se em jorros e parece (se não fosse o frio que já se começa a sentir) uma chuva de verão. abrigo-me. e caminho ainda à chuva... penso no quão sozinho estou. sorrio.

sexta-feira, setembro 15, 2006

obituário



i would kill myself, if i could turn back the time
instead of a hand pushing me out
a pistol would gag me and shoke me
and even before i was dead
someone would (for charity) get me out of that misery
pull de triguer. and it was done. perfectly done.

explodia a pólvora e o meu cérebro em pedaços colava-se às paredes do útero materno, e o sangue de um feto, o sangue puro, o meu sangue escorreria por entre as pernas, chegando aos pés e finalmente derramava-se no chão onde eu caíria desamparado sem vida, torto, pequeno, perfeitamente grotesco numa sala de gente morta.

morro hoje, sempre, todos os dias, e como eu, todos nós. caminhamos em direcção ao nada... perfeita hipocrisia, viver para morrer, acreditar no mundo e no outro e em todos os que podem existir.

morro hoje, sempre, todos os dias. e no entanto... não morro, porque os sonhos (normalmente) não acontecem como queremos...

domingo, agosto 06, 2006

perco

o jogo... essa coisa cheia de infintas possibilidades ainda consegue distrair os meus pensamentos metafísicos e devolvem-me para a realidade de um quarto onde o amor, os beijos, os abraços e os olhares repousam em cada canto na eminência da tua chegada meu amor... escrevo nas ondas do mar que tocam os teus pés e me fazem sentir tão perto de ti, mesmo quando as estradas nos deixam sem ver. o céu azul e o calor mofante do verão inundam as janelas das casas e as pessoas vivem na penumbra onde uma pequena brisa corre fresca num fim de tarde de agosto... come what may.

quinta-feira, agosto 03, 2006

amada mia...

quem diria que numa noite em que vinha disposto a pensar na minha solidão, viria a encontrar a mulher dos meus sonhos. a mulher que é, toda ela, a descrição da minha solidão.
vestida de negro ela vive fechada nela própria e não sabe o meu nome, esse que eu já há muito esqueci. não me lembro se fechei o gás... pena não estarmos os três lá, naquele quarto escuro com a janela que dá para entrar o sol pela manhã por entre as cortinas. foi a clara que mas deu. pessoas, são tão frágéis esses seres que se sentem ameaçados por um simplório vendedor de rosas que sorrateiramente entra num café cheio de gente que finge não o ver, e ele podia ser livre, andar à vontade com o seu jardim ambulante de flores que não murcham até ao fim do dia quando ele se deita e adormece cansado do sol e da luz do dia.
quem me dera também dormir, poder sonhar em sonhos jamais sonhados por mim, adormecer no mesmo instante em que os meus pais morriam durante o sono. tenho tempo, ainda é cedo... que horas são?
podiamos estar, eu e ela, fechados naquela casa cheia de gás butano, iludindo as palavras que diriamos um ao outro e inconscientes caíriamos nos braços um do outro com o tempo todo a passar e morriamos os dois.
lembro-me duma história que uma vez li, num livro cheio de pó perdido nas prateleiras de casa dos meus avós - era criança, tão novo e já tão cehio de tristeza, tão sozinho - era sobre dois homens que se encontravam num banco de jardim e não se conheciam de lado nenhum... um deles falava alto os pensamentos e o outro ouvia estupefacto... é incrivel como a memória é traiçoeira, agora que decido pensar nessa história, não me lembro de quase nada, eles falavam acerca da morte - sempre me fascinou este tema, talvez por ter medo de morrer mas por ter a certeza de que não me acontecerá nada... - e falava um acerca de não se conhecerem e de term que morrer juntos, por qualquer casualidade, ali mesmo naquele banco de jardim e partilhariam essa coisa tão intima que é morrer e dariam as mãos, estranhas ao toque, desesperados e não se conhceriam nunca a não ser naquele momento tão estranho, tão inóspito. era assim que morreríamos, tu e eu, perfeitamente desconhecidos enebriados pela capacidade gasosa de nos fazer adormecer com as bocas coladas uma à outra, antes mesmo do coração parar de bater, sem ar, sem conseguir respirar.
e todos diriam que éramos um casal, e teriam pena de nós, dos dois em conjunto, e eu não seria mais alguém a morrer de solidão na velhice precoce num quarto nefasto de ar intragável. pobre coitado.
será possível apaixonar-se assim? de um momento para o outro?
o ser humano tem tantas opções que é natural, quase essencial, ficar baralhado, perdido, confuso, como eu... sozinho.

sozinho

ando, de um lado para o outro, sem pensar em nada, a querer fazer nada, sem saber porque estou aqui, ou sequer se alguma vez quis vir até aqui. perco-me nos passos que conto e não sei que dou, e vivo sozinho no meio do nada e do tudo, vivo sozinho quando passo pela velha da rua que pede esmola, vivo sozinho quando os autocarros nocturnos passam por mim como um flash de velocidade excessiva, vivo sozinho quando subo as escadas de um prédio vazio, vivo sozinho quando os gatam passam mudos por mim e ladram cães na rua deserta de mil pessoas vestidas sem caras conhecidas, e cafés vazios de sorrisos para mim dirigidos, vivo sozinho quando olho as horas de cinco em cinco minutos e não passaram nem trinta segundos, e quando decido fazer compras e vejo que comrpo unidades para um, em supermercados que são de casais com filhos gordos que comem chocolate das prateleiras, e eu nem gosto de chocolate, vivo sozinho quando decido subir ao sótão de minha casa e encontro no pó as coisas limpas de memórias porque não existem e aquele baú antigo que levaram na morte dos meus pais vive ainda mais acompanhado pelas roupas que o ocupam do que eu que sou ocupado pelas entranhas do meu corpo, e vivo sozinho quando quero adormecer a meio da noite e os risos estranhos não me deixam bocejar e encontrar o repouso, vivo sozinho quando tenho a certeza de que não vou morrer no próximo ano, porque não tenhop a certeza de mais nada mas tenho pelo menos disso, vivo sozinho quando atravesso a estrada sem olhar e tenho a certeza que não vai passar nenhum carro que me leve para junto de alguém e pelo menos cair ao pés de alguém que não conheço mas que estenda a mão a este corpo escanzelado, vivo sozinho quando decido comprar flores murchas à mulher que vende o peixe e que na realidade não existe, vivo sozinho quando sonho em coisas acordado que não existo, vivo sozinho a tantas horas da madrugada que não sei se é hoje ou amanhã, ou que dia será, vivo sozinho quando quero morrer tantas vezes seguidas para tentar sentir alguma coisa, vivo sozinho quando moro num quarto que cai de podre iluminado pelas ruas de longe, vivo sozinho quando decido sair de casa sem rumo e acabo no quarto de uma mulher que vive tão sozinha como eu, do outro lado da parede, do outro lado do corredor, vivo sozinho quando me apercebo das fraquezas dos outros seres que acordam de madrugada para serem vistos por homens que se masturbam em janelas vizinhas, vivo sozinho quando repito tantas e tantas e tantas e tantas e tantas e tantas e tantas vezes a mesma coisa que já não me lembro de a ter dito, vivo sozinho quando penso tanto tempo de seguida que sinto que vou desmaiar porque a minha boca não se abre, vivo sozinho quando ainda distingo a loucura da sanidade e me apetece ser pobre e morrer e mais uma vez tenho a certeza de que nada do que eu deseje de bom ou de mau vai ter qualquer efeito sobre a minha vida, tenho que viver sozinho quanto a televisão não existe e a rádio passa estática que dizem que são as máquinas de lavar a falar e vivo sozinho quando uso o mesmo fato vezes seguidas e o meu corpo não sente calor nem frio, nem transpira como os corpos de pessoas que vivem com outros e falam, e vêm televisão todos os dias, e têm demasiado medo de morrer, porque tem tanta certeza de tanta coisa, mas ao contrário de mim, não tem a certyeza de que amanhã estão vivos, isso porque vivo sozinho quando como sozinho quando adormeço nos braços meus e me toco no escuro de um quarto desconhecido na esperança de sentir uma réstia de vida dentro de mim a explodir como num homem normal, como devia ser junto a uma mulher a quem dedicaria todo o meu amor se não vivesse sozinho sempre que me apercebo disso perto do orgasmo e as mãos sujas de esperma perdido e morrem nas minhas sem destino sem nada, porque vivo sozinho quando engulo em seco depois de me masturbar e finalmente adormeço. vivemos sozinhos quando as palavras não chegam para descrever a nossa solidão.

quarta-feira, agosto 02, 2006

escrevo


a estrada fala de homens que por ela passeiam, de pés que as percorrem calçados de pneus e formas aerodinamicas que deslizam a mil velocidades e se perdem no infinito quando encontram outra estrada que vive das outras que respiram alcatrão e tomam banhos de sol quente nas noites de verão e arrefecem em invernos de neve que cai da chuva, nuvens, que ditam o destino da água e mergulha sobre o negro acizentado, acidentado, de curvas e contracurvas assinaladas periodicamente por sinais que solitários encontram o seu desgosto num embate despretendido, num segundo em que o coração pára de bater.
escrevo para não parar de sonhar nessas estradas que são rios de vidas oridinariamente fingidas, descabidas ao som da música da rádio que ilude a fraqueza de qualquer um a ser estrela de um video de música e que por instantes enche de luz o sorriso inconsciente de alguém. queria escrever de amor, de morte, de saudade, do tempo infinito que corre por debaixo das minhas mãos e envelheço a cada letra que toco, a cada espaço que dou, para falar em estradas sem fim, estradas que não levam a lado nenhum e que levam as gentes comuns aos sitios de sonho que desejam encontrar intactos.
sou dessas pessoas que escreve na madrugada, quando a gasolina acaba e os corpos humanos se deitam para serem verdadeiramente eles próprios, alguns, e assim persisto e coexisto e habito este mundo de palavras que já pouco dizem e saem dos lábios sem direcção...

domingo, julho 30, 2006

saudades do futuro

Sonho no futuro,
Em sonhos não cumpridos
E já passados
Guardados em memorias
Que já nem se lembram de existirem.
Vejo projectada na sombra das arvores
A solidão vindoura de um corpo
Envelhecido e gasto pelo tempo
Pelas coisas nunca feitas, por fazer.
Sentado num banco, sozinho
Os pombos tem preocupações
Substimadas por nós
E as formigas atravessam o meu espaço
E organizam o seu futuro
Mecânicamente e sem sonhos
Que alguém algum dia possa saber...
Passam os anos
As imagens andam rápido nos meus olhos
Por dentro, como na tela de um filme
E tudo se torna baço,
Quando ao longe me vejo,
Sentado a sonhar num passado não vivido
Escrito, pensado... sempre sonhado.
E as doenças imaginárias
Acabam por corroer o meu corpo
E deixo-me morrer num mundo que afinal
Não mudou tanto, não mudou nada.

domingo, julho 23, 2006

performance...sem nada

Sem passado, presente ou futuro, duas pessoas experimentam a solidão de personagens que vivem presas em quartos alugados de um hotel sem lugar, espaço ou tempo, dirigido por uma porteira sem nome, idade ou qualquer vontade.

Pensamentos tardios, nocturnos, alimentam o tempo de pessoas que não falam e agem na eminência que algo aconteça.
A fatalidade inerente às histórias ficcionadas é estendida em momentos cinematográficos transpostos para uma performance ao vivo, em que o público é convidado a espreitar a vida de quem não conhece e em conjunto esperar descontraídamente que as palavras irrompam do barulho normal, quotidiano e meaningless....

segunda-feira, julho 10, 2006

sem palco



sempalco.blogspot.com

domingo, julho 09, 2006

broken elevator2


tinha acabado de ler Max Aub...
todos sabem decerto como se podem tornar incomodativos os sliêncios partilhados dentro de um elevador, esse espaço onde somos obrigados a interromper o espaço da outra pessoa e ainda que se encontre um mútuo desacordo em fazê-lo, estamos condicionados a aceitar essa fracção de tempo em que o espaço cedido normalmente ao ser humano é quebrado pela realidade de paredes tão próximas, e uma porta que se fecha até ao fim do destino...
essa condição em que duas pessoas (no mínimo) partilham o mesmo infimo espaço é algo perfeitamente natural e que no entanto se pode tornar num verdadeiro suplício. assim e por outras palavras podemos encontrar três fases distintas para estas viagens de curta duração e são tão demoradas quando estamos na presença de outros seres tão ou mais insatisfeitos do que nós. ainda assim partilham. em primeiro lugar encontra-se o silêncio e alguns suspiros de paciência fingida, que funcionam como véu para os pensamentos que existem por detrás dos olhos esguelhamente prescrutantes e que se denunciam quando olham o chão - "Coitado... que cara, e que olheiras, coitado. Está de rastos e que cansaço, tão cedo... Deve trabalhar imensas horas para ganhar uns míseros tostões... Faz tanto barulho quando chega tarde, de madrugada, podia dizer-lhe, ele sabe que sou o vizinho de baixo. Coitado!" - em segundo lugar temos uns suspiros mais densos e a respiração sonora sem sequer dar conta e decidimos ludibriar a situação alegando gestualmente a necessidade de ver as horas, no preciso momento em que nos apercebemos de que já o fizemos repetidamente enquanto gesto perfeitamente inconsciente de um corpo que sente o calor de outro tão perto e em silêncio. Finalmente e em terceiro lugar a tensão dá lugar ao alívio de ver os números aproximar-se do fim da viagem e um suspiro de alivio é mudo mas feliz no momento em que a porta se abre para se dar a evasão solitária de um dos corpos ou mesmo mútua, acompanhada claro está de sorrisos engelhados e conscientemente mal desenhados de um corpo que não consegue enganar o outro. Fim de viagem.
O elevador tinha parado completamente e eu estava ali com ele, as primeiras duas fases passaram de maneira quase abrupta, face à nova situação de partilha que nos era imposta, e a terceira fase deu lugar a um pânico em mim e nos olhos do outro que reflectiam exactamente o mesmo estado de espirito, dois corpos, dois seres humanos a partilhar esse espaço tão socialmente anti-social (paradoxo de pouca inteligência, mas perfeitamente plausível), os suspiros deram lugar aos sorrisos insatisfeitos e ambos sabiamos que eventualmente as palavras haviam de surgir de qualquer conjunto de lábios, nada mais para perscrutar e tentar disfarçadamente que o calor não me queimasse as faces e que o corpo pareça o mais confortável possível dentro do espaço que é reservado a um outro e não o meu. Ele limitava-se a dizer que tinhamos, mal saíssemos dali, falar com o responsável do condomínio para substituir os elevadores porque já há muito tempo que se previa o que tinha acontecido; os meus olhos fitavam o botão amarelo que poderia, se funcionasse, acusar a presença de pessoas que flutuavam suspensas por cabos dentro de um poço húmido e fundo... as palavras desenhavam a boca dele em diferentes formas e fazia-me sentir antipático - coisa que não sou - e eu tinha acabado de ler Max Aub, confortável sem ninguém perto ou na obrigação de ter que estar com alguém...
Matei-o por várias razões: porque não dizia nada de interessante, porque se tratava de um crime muito exemplar, porque o espaço não era suficiente... mas acima de tudo porque era a única coisa interessante que se pode fazer num elevador parado.
Matei-o porque me apeteceu, e de tudo o que ele disse não ouvi uma só palavra... se calhar nem disse nada.

terça-feira, julho 04, 2006

mariamente...

MARIA DE BUENOS AIRES...


Te Mueres...

Ahora que es tu hora,
Mujer que vives sola
Arrimada del mundo
Por la condición
Que te dejaran tus padres
La niña perdida
Se busca mientras
Hombres, como padres tuyos,
Tocan tu cuerpo
Te piden perdón y sigues
Buscando ese sitio donde
El amor existe
Pero nadie lo encuentra
Y los ojos manchados
De lágrimas que los labios comieron
Miran al espejo
La fuerza de las manos
De un gorrión
Te quita el vestido rojo
Y desnuda quedas
El cuello apretado,
El aire no llega más
Te mueres en esa mirada
La última de tu tiempo.

Maria de Buenos Aires,
Ahora que es tu hora,
Adiós.

segunda-feira, junho 26, 2006

o amor sentado ao canto do bar vestido de negro

O amor sentado,
Pede uma bebida e
Descansa num canto
Do bar onde vivem
Os desejos obscuros
De mentes distorcidas
A mulher
Que bebe do copo
As marcas dos lábios
De gordo manchado
O desespero
De amar o que não se tem
São almas perdidas
Que misturam conversas
E o sangue no alcóol
Mergulha nos sentimentos
Cheios de vácuo
E de imagens de acidentes de carro
O amor sobrevive
Assiste descansado
Vestido de negro
Assim como o coração
De quem deseja o amor
De forma perversa
Sem pedir licença
O sexo conversa dentro das bocas
E o fumo de cigarros
Mal apagados
Encontra caminho no ar
De todos os homens
Que respiram e vivem por isso
O amor sentado
De perna cruzada
Sapato de verniz
Assobia acompanhado
Da música lenta
De um piano de teclas
Que são brancas e pretas
E ouve as palmas surdas
No fim de cantar
O amor pede a conta
E sai sem notar
O mundo continua
E não ama
Bebe e fuma
Os carros vão a casa
E os sapatos de salto
Ficam vermelhos
Despidos
na beira da cama.

sábado, junho 24, 2006

nú...


Mulher: obrigado!
Homem: quando quiseres…
Mulher: mostra-me o quanto gostas de mim?
Homem: não posso.
Mulher: insulta-me.
Homem: não posso.
Mulher: pago-te?
Homem: no fim do mês, junto com a conta da luz.
Mulher: Amo-te.
Homem: não podes.
Mulher: porque não?
Homem: porque só existo para ti quando estás excitada… e depois do orgasmo, acabou.
Mulher: mas hoje ainda existes…
Homem: pouca sorte.
Mulher: ama-me.
Homem: não posso.
Mulher: Porquê?
Homem: porque não sou de ninguém, vivo onde faço sexo, sou aquilo que as pessoas me pagam.
Mulher: Amas?
Homem: não. Hoje. Amanhã quem sabe?
Mulher: quanto seria preciso para que me amasses?
Homem: Aquilo que tu achas que o amor vale.
Mulher: nada e tudo.
Homem: então é isso que eu sou: nada e tudo. E isso não é comida.
Mulher: mas podia ser…
Homem: mas ser o nada e o tudo, não na realidade nada?
Mulher: pode ser o tudo?
Homem: como sabes?
Mulher: porque é isso que é o amor…
Homem: contradizes-te.
Mulher: por isso mesmo, porque não é possivel definir, porque nenhum dos conceitos existe na realidade… e é isso que o amor vale.
Homem: é tarde.
A mulher sai de cena. O homem tira o cinto deixa-o cair. Sai.
Mulher entra de lingerie.
Mulher: amo-te porque existes sempre que penso em ti, e isso dura o dia todo. Os dias todos.

terça-feira, junho 20, 2006

a filha da bruxa esteve na esmae...

não é por morrer uma
andorinha que acaba a primavera...

domingo, junho 18, 2006

broken elevator
















late at night, i arrive from somewhere...
the silence is all over the place,
and my body begins to feel tired of the dark.
the elevator is slow, so I wait,
look at me, there i am, in the mirror. waiting for
something, waiting for you.
alone. in the night.
thinking in suicide.
last floor. that's me.

segunda-feira, maio 15, 2006

pedaços da minha vida... para ti.


são cartas rasgadas, envelopes abertos sobre uma mesa, onde arde um cigarro.
são fotografias de viagens e pessoas que não interessam, mas ao fundo aparecemos nós e são importantes por isso.
cd's de música espalhados, com canções que ninguém conhece da mesma maneira que duas pessoas.
são bilhetes de teatro, cinema e noticias rasgadas de jornais, imagens que retratam o amor da maneira mais surreal, porque tudo junto não significa nada, são pedaços de vidas que perdem significado fora das minhas mãos. mas que a paixão lhes dá vida nas mãos de um amante que sem esperar se revê em tudo isto, em toda esta confusão de simbolos dispares aleatoriamente dispostos e que ainda assim têm sentido, fazem sentido. porque o amor também isso.
é todo este caos de informação aleatoriamente junta numa confusão harmoniosa que é em si mesmo a história de alguém...

domingo, maio 14, 2006

Alter-ego… teatro bruto


O amor surge-nos na tela do ecrã e as palavras ditas no palco misturam a magia de dois mundos tão distantes e que se distinguem tanto entre si. Um teatro que vive da magia do cinema, onde os momentos de silêncio são os que falam ao público acerca desta estranheza de amar e da projecção que temos de nós nos outros. Uma ficção que em tom de delírio ganha vida face aos olhos de quem se projecta. Quase que há qualquer coisa prestes a acontecer, mas é exactamente isso que se torna indizível, talvez in-representável!

O público depara-se com uma sessão de cinema em que de repente as personagens saltam para fora, assim como no instante a seguir entram para dentro dela, fazendo-nos acreditar que o amor é possível de uma maneira muito crua e suja, portanto: assim como ele o é na realidade. Sem floreados, nem romantismo e sempre cheio de poesia que nos surge a partir das palavras, das imagens e dos movimentos tão subtis como um olhar de esguelha que se encosta no ombro do nosso alter-ego. Os actores dentro e fora da tela, versus as personagens que lutam ainda com a individualidade ou multiplicidade de cada um.

Uma mistura de sinais que definem o mais puro dos sentimentos e que rege a vida dos humanos, um arrepio pelas costas da mulher apaixonada que beija o homem, a falta de fome durante a paixão…

A grande, senão a maior, falha de querermos ser diferentes de sermos perfeitos e de encontrar a pessoa ideal sem perceber que somos quem somos e que não existe “um corte de cabelo perfeito"

Queremos ser tanta coisa ao mesmo que tempo que sem nos aperceber estamos já mergulhados numa rede de personagens inventadas por nós e sobre as quais perdemos poder e deixamos que elas nos controlem.

O coração vive de sentimentos e morremos a cada instante, sem por isso deixar de viver. Apagamo-nos sem querer e não ouvimos, não falamos, não vemos. Deixamos de existir de uma maneira abrupta, e a solidão toma conta da angústia e aos poucos o nosso coração deixa de bater.

Até 21 de Maio'06 - no Passos Manuel

segunda-feira, maio 08, 2006

je t'aime mon amour...


as palavras de amália e o amor aqui no meio do quarto...

domingo, maio 07, 2006

Dia da Mãe...














Nasceste,
Cresceste
E és mãe, mulher, e acima de tudo tu.
O mundo era o mesmo
As horas passavam normais
Enquanto no silêncio dum ventre
Te geravas e alimentavas presença.
No segredo mais puro da mulher
Tornavas-te em ser humano, em
Dedos, lábios, pés, corpo.
Eras tudo isso antes que a luz
Do dia te pudesse banhar,
Mas ansiosos os raios do sol
Brilharam e irrompeste pura e bela.
Criada em berço, alimentada a leite
Joelhos rasgados e saias que não te serviam
Maria-rapaz diziam...
O mundo conheceu-te tão nova
As águas do atlântico tão cedo sentiram o teu cheiro
A liberdade de Portugal deu-te de prenda
A essas Américas que tanto te correm no sangue.
A menina crescia. E o que te estava reservado
Eram viagens melhores e os anjos
Guardavam o segredo.
Tão nova, e poucos sabiam a mulher que eras já,
Um sorriso era o teu ponto de partida.
O sol cansou-se de esperar e os anjos
Cantaram a boa-nova: mãe serias!
E no ventre me geraste, como as mães
Antes das mães de hoje.
E se eu nasci, cresci e sou hoje homem
É porque o sol esperou por ti
E os anjos te embalam sempre ao adormecer...
Nasceste, Cresceste e és Mãe
A força da Mulher
És tu.

Tradições...

Aldeias urbanas, cidades que são aldeias... em que ficamos?
ao caminhar pelas ruas de alcatrão das terras dos meus avós deparo-me com caminhos de pedra antiga, gastas pelos passos das pessoas...
ao longe avistam-se alguns prédios cheios de rés do chão urbanos com caixas multibanco, stands de automóveis, cafés que servem as últimas novidades consumiveis, internet e televisão por cabo... tudo isto enquanto sinto o cheiro a vacas e cabras que pastam livremente em campos verdes e ao fundo podemos ver a linha do mar...
o que será isto da ruralidade que assim como a tecnologia chega perto das vacas, os pastos verdejantes se imiscuem nos arredores de cidades pequenas, pseudo-cidades chamar-lhes-ia, "vilas" será o nome institucional...
Na realidade é num universo bem longiquo dentro da nossa imaginação que o rural existe, aquele que as pinturas captaram da melhor maneira possível...

domingo, abril 30, 2006

um domingo...


Sem mais tempo corremos com água na boca,
desejosos de sermos corpos de outros
com pés de cavalo
que se perdem nas areias das praias
em sonhos de alguém
que tem as mãos pousadas no sono
e respira pelas cavidades escuras
que lhe fazem o ar
e todo o mundo existe numa letargia
fora de uma janela de um quarto
e sem saber, a poluição
vai caíndo inocente, contaminando
as pessoas de pedra
que caminham em direcção às estátuas...
e vivemos assim no sono de alguém, com cavalos que voam e sapos que ainda não existem.
porque as palavras não fazem sentido
falamos e espirramos.
Somos essas coisas que morrem ao domingo,
acordam á segunda e vivem ao sábado!

domingo, abril 23, 2006

se as saudades matassem...


porque os anos passam e algumas vidas separam-se e há quem não se fale mais, e às vezes encontramos na rua e são apenas memórias e nada mais do que isso. Mas para além de fotografias que persistem à memória, o coração grava o que não se esquece e há quem signifique tanto...
Tanto, que às vezes nos esquecemos de como é viver sem lembrar algumas caras, alguns sorrisos e sem ter partilhado as preocupações e copos de vinho que pintaram os lábios em noites tardias de conversas inacabadas, de sorrisos sinceros, de gargalhadas que encheram a noite até ás ruas geladas de invernos tão quentes e acordaram o sono de desconhecidos. e os nossos passos ouviram-se até tarde a caminhar sem sentido e a regressar para sitios sem importância e em stand-by ficavam as vidas esperando horas passar e podermos estar de novo.
Palavras que não eram nossas, que foram proclamadas em conjunto e que nos serviram tantas vezes de inspiração, são agora novamente aquilo que eram, palavras escritas apenas em folhas de papel que acumulam pó nas prateleiras de um novo prédio que não foi nosso, foi pouco... Assim como as lembranças, aquele tecto que em tempos acolheu os nossos corpos cansados, ruiu, apodrece e no entanto para mim será sempre a memória. Porque nos temos que libertar do passado e exorcizar os espíritos que povoam os nossos sonos, escrevo pouco na tentativa de não serem as lágrimas responsáveis pelo curto-circuito do meu ser informático.
Escrevo porque as memórias existem, e são fotografias e vozes e pequenas fendas de luz que se abrem na escuridão do nosso subconsciente, inconsciente e que se reflectem como imagem real atrás dos nossos olhos. E vemos cada vez mais desfocadas as nossas alegrias, sentimos cada vez mais saudade, e caminhamos em frente.
Caminho porque encontrei inspiração nas memórias antes de serem isso. Porque fazia sentido, porque era infantil e porque tudo parecia que ia dar certo. Porque agora choro, porque não me consigo libertar... e não quero. faz sentido.

sábado, abril 22, 2006

why? may?



...porque sim... porque posso e porque amo. / ...because... 'cause I can, and because I love.

*the sweet little cat sitting on both sides is artwork fromRay Caesar (www.raycaesar.com)

Corpo Falante

E durante uma semana os corpos falaram, e o meu corpo adaptava-se a novos olhos que em silêncio me iam prescutando, enquanto os meus lábios desenhavam a forma das palavras que dizia e por dentro escutava-me. As horas corriam primeiro lentas e depois sem tempo dentro delas mesmas, e eu encontrava-me nesses minutos em que os olhos descansavam e encontravam palavras nas bocas dos outros.
sentia-me bem... e acabou o workshop "Corpo Falante".
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And for a week the body's have talked, and mine tried to find a way to fit in front of unknown eyes, silentely seeing trough me, while my lips shaped the spoken words. Inside I was listening. The hours flew, first slowly e then the time wasn't enough for them to be, and I would find myself in those minutes when the eyes rested and found words within eachother's mouths.
I felt good... and it finished the "Talking Body" Workshop
.

sexta-feira, abril 14, 2006

a primeira foto... the first photo...


Here I am... standing in front of Love
Looking for some peace outside the window
Trying to believe in what the birds sing.
I 'm just a fool, trying to make 'thru...

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