domingo, abril 30, 2006

um domingo...


Sem mais tempo corremos com água na boca,
desejosos de sermos corpos de outros
com pés de cavalo
que se perdem nas areias das praias
em sonhos de alguém
que tem as mãos pousadas no sono
e respira pelas cavidades escuras
que lhe fazem o ar
e todo o mundo existe numa letargia
fora de uma janela de um quarto
e sem saber, a poluição
vai caíndo inocente, contaminando
as pessoas de pedra
que caminham em direcção às estátuas...
e vivemos assim no sono de alguém, com cavalos que voam e sapos que ainda não existem.
porque as palavras não fazem sentido
falamos e espirramos.
Somos essas coisas que morrem ao domingo,
acordam á segunda e vivem ao sábado!

domingo, abril 23, 2006

se as saudades matassem...


porque os anos passam e algumas vidas separam-se e há quem não se fale mais, e às vezes encontramos na rua e são apenas memórias e nada mais do que isso. Mas para além de fotografias que persistem à memória, o coração grava o que não se esquece e há quem signifique tanto...
Tanto, que às vezes nos esquecemos de como é viver sem lembrar algumas caras, alguns sorrisos e sem ter partilhado as preocupações e copos de vinho que pintaram os lábios em noites tardias de conversas inacabadas, de sorrisos sinceros, de gargalhadas que encheram a noite até ás ruas geladas de invernos tão quentes e acordaram o sono de desconhecidos. e os nossos passos ouviram-se até tarde a caminhar sem sentido e a regressar para sitios sem importância e em stand-by ficavam as vidas esperando horas passar e podermos estar de novo.
Palavras que não eram nossas, que foram proclamadas em conjunto e que nos serviram tantas vezes de inspiração, são agora novamente aquilo que eram, palavras escritas apenas em folhas de papel que acumulam pó nas prateleiras de um novo prédio que não foi nosso, foi pouco... Assim como as lembranças, aquele tecto que em tempos acolheu os nossos corpos cansados, ruiu, apodrece e no entanto para mim será sempre a memória. Porque nos temos que libertar do passado e exorcizar os espíritos que povoam os nossos sonos, escrevo pouco na tentativa de não serem as lágrimas responsáveis pelo curto-circuito do meu ser informático.
Escrevo porque as memórias existem, e são fotografias e vozes e pequenas fendas de luz que se abrem na escuridão do nosso subconsciente, inconsciente e que se reflectem como imagem real atrás dos nossos olhos. E vemos cada vez mais desfocadas as nossas alegrias, sentimos cada vez mais saudade, e caminhamos em frente.
Caminho porque encontrei inspiração nas memórias antes de serem isso. Porque fazia sentido, porque era infantil e porque tudo parecia que ia dar certo. Porque agora choro, porque não me consigo libertar... e não quero. faz sentido.

sábado, abril 22, 2006

why? may?



...porque sim... porque posso e porque amo. / ...because... 'cause I can, and because I love.

*the sweet little cat sitting on both sides is artwork fromRay Caesar (www.raycaesar.com)

Corpo Falante

E durante uma semana os corpos falaram, e o meu corpo adaptava-se a novos olhos que em silêncio me iam prescutando, enquanto os meus lábios desenhavam a forma das palavras que dizia e por dentro escutava-me. As horas corriam primeiro lentas e depois sem tempo dentro delas mesmas, e eu encontrava-me nesses minutos em que os olhos descansavam e encontravam palavras nas bocas dos outros.
sentia-me bem... e acabou o workshop "Corpo Falante".
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And for a week the body's have talked, and mine tried to find a way to fit in front of unknown eyes, silentely seeing trough me, while my lips shaped the spoken words. Inside I was listening. The hours flew, first slowly e then the time wasn't enough for them to be, and I would find myself in those minutes when the eyes rested and found words within eachother's mouths.
I felt good... and it finished the "Talking Body" Workshop
.

sexta-feira, abril 14, 2006

a primeira foto... the first photo...


Here I am... standing in front of Love
Looking for some peace outside the window
Trying to believe in what the birds sing.
I 'm just a fool, trying to make 'thru...

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