segunda-feira, maio 15, 2006

pedaços da minha vida... para ti.


são cartas rasgadas, envelopes abertos sobre uma mesa, onde arde um cigarro.
são fotografias de viagens e pessoas que não interessam, mas ao fundo aparecemos nós e são importantes por isso.
cd's de música espalhados, com canções que ninguém conhece da mesma maneira que duas pessoas.
são bilhetes de teatro, cinema e noticias rasgadas de jornais, imagens que retratam o amor da maneira mais surreal, porque tudo junto não significa nada, são pedaços de vidas que perdem significado fora das minhas mãos. mas que a paixão lhes dá vida nas mãos de um amante que sem esperar se revê em tudo isto, em toda esta confusão de simbolos dispares aleatoriamente dispostos e que ainda assim têm sentido, fazem sentido. porque o amor também isso.
é todo este caos de informação aleatoriamente junta numa confusão harmoniosa que é em si mesmo a história de alguém...

domingo, maio 14, 2006

Alter-ego… teatro bruto


O amor surge-nos na tela do ecrã e as palavras ditas no palco misturam a magia de dois mundos tão distantes e que se distinguem tanto entre si. Um teatro que vive da magia do cinema, onde os momentos de silêncio são os que falam ao público acerca desta estranheza de amar e da projecção que temos de nós nos outros. Uma ficção que em tom de delírio ganha vida face aos olhos de quem se projecta. Quase que há qualquer coisa prestes a acontecer, mas é exactamente isso que se torna indizível, talvez in-representável!

O público depara-se com uma sessão de cinema em que de repente as personagens saltam para fora, assim como no instante a seguir entram para dentro dela, fazendo-nos acreditar que o amor é possível de uma maneira muito crua e suja, portanto: assim como ele o é na realidade. Sem floreados, nem romantismo e sempre cheio de poesia que nos surge a partir das palavras, das imagens e dos movimentos tão subtis como um olhar de esguelha que se encosta no ombro do nosso alter-ego. Os actores dentro e fora da tela, versus as personagens que lutam ainda com a individualidade ou multiplicidade de cada um.

Uma mistura de sinais que definem o mais puro dos sentimentos e que rege a vida dos humanos, um arrepio pelas costas da mulher apaixonada que beija o homem, a falta de fome durante a paixão…

A grande, senão a maior, falha de querermos ser diferentes de sermos perfeitos e de encontrar a pessoa ideal sem perceber que somos quem somos e que não existe “um corte de cabelo perfeito"

Queremos ser tanta coisa ao mesmo que tempo que sem nos aperceber estamos já mergulhados numa rede de personagens inventadas por nós e sobre as quais perdemos poder e deixamos que elas nos controlem.

O coração vive de sentimentos e morremos a cada instante, sem por isso deixar de viver. Apagamo-nos sem querer e não ouvimos, não falamos, não vemos. Deixamos de existir de uma maneira abrupta, e a solidão toma conta da angústia e aos poucos o nosso coração deixa de bater.

Até 21 de Maio'06 - no Passos Manuel

segunda-feira, maio 08, 2006

je t'aime mon amour...


as palavras de amália e o amor aqui no meio do quarto...

domingo, maio 07, 2006

Dia da Mãe...














Nasceste,
Cresceste
E és mãe, mulher, e acima de tudo tu.
O mundo era o mesmo
As horas passavam normais
Enquanto no silêncio dum ventre
Te geravas e alimentavas presença.
No segredo mais puro da mulher
Tornavas-te em ser humano, em
Dedos, lábios, pés, corpo.
Eras tudo isso antes que a luz
Do dia te pudesse banhar,
Mas ansiosos os raios do sol
Brilharam e irrompeste pura e bela.
Criada em berço, alimentada a leite
Joelhos rasgados e saias que não te serviam
Maria-rapaz diziam...
O mundo conheceu-te tão nova
As águas do atlântico tão cedo sentiram o teu cheiro
A liberdade de Portugal deu-te de prenda
A essas Américas que tanto te correm no sangue.
A menina crescia. E o que te estava reservado
Eram viagens melhores e os anjos
Guardavam o segredo.
Tão nova, e poucos sabiam a mulher que eras já,
Um sorriso era o teu ponto de partida.
O sol cansou-se de esperar e os anjos
Cantaram a boa-nova: mãe serias!
E no ventre me geraste, como as mães
Antes das mães de hoje.
E se eu nasci, cresci e sou hoje homem
É porque o sol esperou por ti
E os anjos te embalam sempre ao adormecer...
Nasceste, Cresceste e és Mãe
A força da Mulher
És tu.

Tradições...

Aldeias urbanas, cidades que são aldeias... em que ficamos?
ao caminhar pelas ruas de alcatrão das terras dos meus avós deparo-me com caminhos de pedra antiga, gastas pelos passos das pessoas...
ao longe avistam-se alguns prédios cheios de rés do chão urbanos com caixas multibanco, stands de automóveis, cafés que servem as últimas novidades consumiveis, internet e televisão por cabo... tudo isto enquanto sinto o cheiro a vacas e cabras que pastam livremente em campos verdes e ao fundo podemos ver a linha do mar...
o que será isto da ruralidade que assim como a tecnologia chega perto das vacas, os pastos verdejantes se imiscuem nos arredores de cidades pequenas, pseudo-cidades chamar-lhes-ia, "vilas" será o nome institucional...
Na realidade é num universo bem longiquo dentro da nossa imaginação que o rural existe, aquele que as pinturas captaram da melhor maneira possível...

Seguidores