domingo, agosto 06, 2006

perco

o jogo... essa coisa cheia de infintas possibilidades ainda consegue distrair os meus pensamentos metafísicos e devolvem-me para a realidade de um quarto onde o amor, os beijos, os abraços e os olhares repousam em cada canto na eminência da tua chegada meu amor... escrevo nas ondas do mar que tocam os teus pés e me fazem sentir tão perto de ti, mesmo quando as estradas nos deixam sem ver. o céu azul e o calor mofante do verão inundam as janelas das casas e as pessoas vivem na penumbra onde uma pequena brisa corre fresca num fim de tarde de agosto... come what may.

quinta-feira, agosto 03, 2006

amada mia...

quem diria que numa noite em que vinha disposto a pensar na minha solidão, viria a encontrar a mulher dos meus sonhos. a mulher que é, toda ela, a descrição da minha solidão.
vestida de negro ela vive fechada nela própria e não sabe o meu nome, esse que eu já há muito esqueci. não me lembro se fechei o gás... pena não estarmos os três lá, naquele quarto escuro com a janela que dá para entrar o sol pela manhã por entre as cortinas. foi a clara que mas deu. pessoas, são tão frágéis esses seres que se sentem ameaçados por um simplório vendedor de rosas que sorrateiramente entra num café cheio de gente que finge não o ver, e ele podia ser livre, andar à vontade com o seu jardim ambulante de flores que não murcham até ao fim do dia quando ele se deita e adormece cansado do sol e da luz do dia.
quem me dera também dormir, poder sonhar em sonhos jamais sonhados por mim, adormecer no mesmo instante em que os meus pais morriam durante o sono. tenho tempo, ainda é cedo... que horas são?
podiamos estar, eu e ela, fechados naquela casa cheia de gás butano, iludindo as palavras que diriamos um ao outro e inconscientes caíriamos nos braços um do outro com o tempo todo a passar e morriamos os dois.
lembro-me duma história que uma vez li, num livro cheio de pó perdido nas prateleiras de casa dos meus avós - era criança, tão novo e já tão cehio de tristeza, tão sozinho - era sobre dois homens que se encontravam num banco de jardim e não se conheciam de lado nenhum... um deles falava alto os pensamentos e o outro ouvia estupefacto... é incrivel como a memória é traiçoeira, agora que decido pensar nessa história, não me lembro de quase nada, eles falavam acerca da morte - sempre me fascinou este tema, talvez por ter medo de morrer mas por ter a certeza de que não me acontecerá nada... - e falava um acerca de não se conhecerem e de term que morrer juntos, por qualquer casualidade, ali mesmo naquele banco de jardim e partilhariam essa coisa tão intima que é morrer e dariam as mãos, estranhas ao toque, desesperados e não se conhceriam nunca a não ser naquele momento tão estranho, tão inóspito. era assim que morreríamos, tu e eu, perfeitamente desconhecidos enebriados pela capacidade gasosa de nos fazer adormecer com as bocas coladas uma à outra, antes mesmo do coração parar de bater, sem ar, sem conseguir respirar.
e todos diriam que éramos um casal, e teriam pena de nós, dos dois em conjunto, e eu não seria mais alguém a morrer de solidão na velhice precoce num quarto nefasto de ar intragável. pobre coitado.
será possível apaixonar-se assim? de um momento para o outro?
o ser humano tem tantas opções que é natural, quase essencial, ficar baralhado, perdido, confuso, como eu... sozinho.

sozinho

ando, de um lado para o outro, sem pensar em nada, a querer fazer nada, sem saber porque estou aqui, ou sequer se alguma vez quis vir até aqui. perco-me nos passos que conto e não sei que dou, e vivo sozinho no meio do nada e do tudo, vivo sozinho quando passo pela velha da rua que pede esmola, vivo sozinho quando os autocarros nocturnos passam por mim como um flash de velocidade excessiva, vivo sozinho quando subo as escadas de um prédio vazio, vivo sozinho quando os gatam passam mudos por mim e ladram cães na rua deserta de mil pessoas vestidas sem caras conhecidas, e cafés vazios de sorrisos para mim dirigidos, vivo sozinho quando olho as horas de cinco em cinco minutos e não passaram nem trinta segundos, e quando decido fazer compras e vejo que comrpo unidades para um, em supermercados que são de casais com filhos gordos que comem chocolate das prateleiras, e eu nem gosto de chocolate, vivo sozinho quando decido subir ao sótão de minha casa e encontro no pó as coisas limpas de memórias porque não existem e aquele baú antigo que levaram na morte dos meus pais vive ainda mais acompanhado pelas roupas que o ocupam do que eu que sou ocupado pelas entranhas do meu corpo, e vivo sozinho quando quero adormecer a meio da noite e os risos estranhos não me deixam bocejar e encontrar o repouso, vivo sozinho quando tenho a certeza de que não vou morrer no próximo ano, porque não tenhop a certeza de mais nada mas tenho pelo menos disso, vivo sozinho quando atravesso a estrada sem olhar e tenho a certeza que não vai passar nenhum carro que me leve para junto de alguém e pelo menos cair ao pés de alguém que não conheço mas que estenda a mão a este corpo escanzelado, vivo sozinho quando decido comprar flores murchas à mulher que vende o peixe e que na realidade não existe, vivo sozinho quando sonho em coisas acordado que não existo, vivo sozinho a tantas horas da madrugada que não sei se é hoje ou amanhã, ou que dia será, vivo sozinho quando quero morrer tantas vezes seguidas para tentar sentir alguma coisa, vivo sozinho quando moro num quarto que cai de podre iluminado pelas ruas de longe, vivo sozinho quando decido sair de casa sem rumo e acabo no quarto de uma mulher que vive tão sozinha como eu, do outro lado da parede, do outro lado do corredor, vivo sozinho quando me apercebo das fraquezas dos outros seres que acordam de madrugada para serem vistos por homens que se masturbam em janelas vizinhas, vivo sozinho quando repito tantas e tantas e tantas e tantas e tantas e tantas e tantas vezes a mesma coisa que já não me lembro de a ter dito, vivo sozinho quando penso tanto tempo de seguida que sinto que vou desmaiar porque a minha boca não se abre, vivo sozinho quando ainda distingo a loucura da sanidade e me apetece ser pobre e morrer e mais uma vez tenho a certeza de que nada do que eu deseje de bom ou de mau vai ter qualquer efeito sobre a minha vida, tenho que viver sozinho quanto a televisão não existe e a rádio passa estática que dizem que são as máquinas de lavar a falar e vivo sozinho quando uso o mesmo fato vezes seguidas e o meu corpo não sente calor nem frio, nem transpira como os corpos de pessoas que vivem com outros e falam, e vêm televisão todos os dias, e têm demasiado medo de morrer, porque tem tanta certeza de tanta coisa, mas ao contrário de mim, não tem a certyeza de que amanhã estão vivos, isso porque vivo sozinho quando como sozinho quando adormeço nos braços meus e me toco no escuro de um quarto desconhecido na esperança de sentir uma réstia de vida dentro de mim a explodir como num homem normal, como devia ser junto a uma mulher a quem dedicaria todo o meu amor se não vivesse sozinho sempre que me apercebo disso perto do orgasmo e as mãos sujas de esperma perdido e morrem nas minhas sem destino sem nada, porque vivo sozinho quando engulo em seco depois de me masturbar e finalmente adormeço. vivemos sozinhos quando as palavras não chegam para descrever a nossa solidão.

quarta-feira, agosto 02, 2006

escrevo


a estrada fala de homens que por ela passeiam, de pés que as percorrem calçados de pneus e formas aerodinamicas que deslizam a mil velocidades e se perdem no infinito quando encontram outra estrada que vive das outras que respiram alcatrão e tomam banhos de sol quente nas noites de verão e arrefecem em invernos de neve que cai da chuva, nuvens, que ditam o destino da água e mergulha sobre o negro acizentado, acidentado, de curvas e contracurvas assinaladas periodicamente por sinais que solitários encontram o seu desgosto num embate despretendido, num segundo em que o coração pára de bater.
escrevo para não parar de sonhar nessas estradas que são rios de vidas oridinariamente fingidas, descabidas ao som da música da rádio que ilude a fraqueza de qualquer um a ser estrela de um video de música e que por instantes enche de luz o sorriso inconsciente de alguém. queria escrever de amor, de morte, de saudade, do tempo infinito que corre por debaixo das minhas mãos e envelheço a cada letra que toco, a cada espaço que dou, para falar em estradas sem fim, estradas que não levam a lado nenhum e que levam as gentes comuns aos sitios de sonho que desejam encontrar intactos.
sou dessas pessoas que escreve na madrugada, quando a gasolina acaba e os corpos humanos se deitam para serem verdadeiramente eles próprios, alguns, e assim persisto e coexisto e habito este mundo de palavras que já pouco dizem e saem dos lábios sem direcção...

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