domingo, setembro 24, 2006

hoje...sab.23set'06

a partir do original de rita melo
a luz do Porto era o sol que descia pelas ruas húmidas da chuva de ontem e pequenas gotas de água caíam enquanto banhavam os carros parados debaixo do sol. sábado e as famílias saem á rua, no metro as pessoas viajavam discretas e o sono entrava-lhes pelos olhos. assim como a mim.
o meu corpo inerte resistia à vontade de sorrir e repulsava a energia que a cafeína à força do fumo do cigarro a empurrava para cada interior de mim.
subo as ruas cheias de calor de fim de verão e o outono aproxima-se estonteantemente abrupto perto das paragens de autocarro.
um outro mundo vive em miguel bombarda, respira-se arte porta sim, porta não, porta não, porta não.... porta sim. a exposição era de rita melo e a cor pendurada nas paredes brancas ofusca os meus olhos ainda pouco habituados a tanto rosa e azul choque. o primeiro é um quadro que imita a saudade do ouro e da realeza diminuída e crava num fundo preto. sorrio. entre pequeno almoço inacabado e a imagem de um casal de homens intitulado . Pedro e Inês . percorro os cinco, seis quadros que perfazem a exposição.
saio. fumo um cigarro.
a arte vive agora entre as bocas dos que veêm e se fingem entendidos, e as mãos cansadas que abanam e amachucam papéis, sentados em secretárias feitas ontem, para hoje.
são tantas imagens e a pintura não me impressiona em quase nada. não sinto nada. nada me diz absolutamente nada. na minha cabeça late apenas o pequeno almoço inacabado, pintado, de um rapaz que vi ontem no meio de cervejas.
dois espanhóis prendem a minha atenção. um pela fealdade bela das suas pinturas e outro pelo voyeurismo captado em vídeo de vidas aglomeradas em blocos de betão.
um chá e mais um café. saio de novo à rua.
a luz do porto é de um acastanhado brilhante, o sol foge para o mar e as nuvens depressa se concentram sobre mim. a água liberta-se em jorros e parece (se não fosse o frio que já se começa a sentir) uma chuva de verão. abrigo-me. e caminho ainda à chuva... penso no quão sozinho estou. sorrio.

sexta-feira, setembro 15, 2006

obituário



i would kill myself, if i could turn back the time
instead of a hand pushing me out
a pistol would gag me and shoke me
and even before i was dead
someone would (for charity) get me out of that misery
pull de triguer. and it was done. perfectly done.

explodia a pólvora e o meu cérebro em pedaços colava-se às paredes do útero materno, e o sangue de um feto, o sangue puro, o meu sangue escorreria por entre as pernas, chegando aos pés e finalmente derramava-se no chão onde eu caíria desamparado sem vida, torto, pequeno, perfeitamente grotesco numa sala de gente morta.

morro hoje, sempre, todos os dias, e como eu, todos nós. caminhamos em direcção ao nada... perfeita hipocrisia, viver para morrer, acreditar no mundo e no outro e em todos os que podem existir.

morro hoje, sempre, todos os dias. e no entanto... não morro, porque os sonhos (normalmente) não acontecem como queremos...

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