sábado, outubro 28, 2006

clown...town

Nas luzes nocturnas da cidade
Os palhaços aparecem do nada,
vestidos como pessoas, misturam-se
E como por magia o som desaparece
A música sobe ao lado da lua
e uma sinfonia de Beethoven
pinta tudo de preto e branco
os contrastes acentuam-se e a cidade
é um palco, vestido de movimentos
e cada um pertence a tudo
a todos
as expressões marcam afirmações
e os desgostos, de amor, desenham-se
com braços, pernas, olhos e corpos (inteiros).
No bar todos riem e as estórias pessoais,
no bengaleiro,
jogam entre si
o jogo da vida,
do "sim" e do
"não".
Somos todos palhaços da cidade
a lutar, a sobreviver
porque tudo é tão real
tão dramaticamente real.

Café Java

São loucos todos os que pensam
São loucos todos os que escrevem
São loucos os que trauteiam
músicas sem sentido no meio da estrada,
todos os que caminham sem destino
todos os que acreditam no sonho
todos os que sonham num dia melhor
num futuro melhor,
todos os que acreditam no amor
todos os que correm para os comboios
todos os que, de madrugada, bebem
e falam sem parar,
todos os que se sentem boémios
todos os que fumam fora da idade
todos os que acreditam em magia
todos os que se sentam sozinhos
em mesas para dois.
Porque todas as mesas são para dois!
todos os que sorriem nas viagens
todos os que cantam a alta voz
todos os que decidem escrever um livro
todos os que representam debaixo de luzes
todos os que todas as noites adormecem
sozinhos...
todos os que escrevem poemas
enquanto esperam
todos os que se dizem artistas.
São loucos, os que acreditam que podem escolher
todos os que acreditam.

quinta-feira, outubro 12, 2006

a.r.t.e. - só por ser diferente

A arte
vítima de olhares
de frustrações mal acabadas
que decidem e falam
ideias e conceitos
de uma arte repartida
tripartida e sagrada
partida em pedaços
engolida pelos poros
que se abrem em ditados
de infinitas linhas
como uma droga
viciante hábito de criticar
a arte feita por todos
em conjunto sem tempo
que corre e dança e caminha
em cores que não existem
em formas estranhas
confusa, inútil, permanente
fica na mente
e instala-se no vazio
escuridão total, partida
dissecada até ao miolo
até perder significado
até ser vulgar
vender-se a ela própria
corrupta e tripartida
como o grande poder
incompreendida
fechada nela própria
inócua.
vítima da ignorância,
da presunção.

domingo, outubro 08, 2006

o homem que ensinou o mundo a dançar...

Saiu na edição do 'Y' - no Público - na passada sexta feira (6 de Out'06) um artigo sobre um homem que mudou o mundo da música, que deu á motown razões para ser a editora mais jovem num mundo de jovens.
Ouvi-lo, é conseguir perceber o que o mundo queria nos anos 60/70. os jovens queriam ser ainda mais jovens e os velhos não queriam sentir ou sequer pensar na gravidade!
Sly Stone, ou como foi conhecido - Sly and the Family Stone - deu ao mundo aquilo que décadas mais tarde se usufruíria no seu esquecimento, a música de negros feita para um mundo onde não devia existir diferença de cores, e se existisse (numa América que lidava na altura com a segregação e a emancipação feminina), então Sly era 'o mais negro de todos os negros'.
Podemos sentir o génio em cada uma das notas que se ouvem nas músicas dos seus discos. os mais antigos a reflectir uma atitude vanguardista (tendo em atenção o período em que se vivia) e uma garra capa zde nos fazer sentir que viajamos no tempo e estamos em Woodstock a tentar dançar com este homem que vestiu e deu corpo à soul music.
Uma pequena descoberta feita num fim-de-semana atarefado, mas que vale a pena partilhar...

sexta-feira, outubro 06, 2006

sem tempo ou paciência...

desabafo. como se o cérebro estivesse parado e as ligações se desenvolvessem a uma velocidade estonteantemente lenta. acto de processar, idêntico ao de um computador infectado que alterna o seu comportamento entre medidas de tempo que parecem não reconhecer o 'segundo' como medida adoptada de 'menor'.
a arte e a não convencionalidade corre por entre as veias e esconde-se nos poros com medo de sair de explorar o mundo. a pincelada de cor que urge ser efectuada, teme a precisão instantânea de um erro capaz de colapsar o pensamento. congelado sem uma corrente electrica forte o suficiente para gerar energia ao crescimento inerente de um fio de cabelo.
os olhos abertos prescrutam uma penumbra esbranquiçada de névoa matinal constante, e semicerrados absorvem o cansaço que paira nos transporte públicos e mesas de café perdidas numa cidade que se esquece de viver e sobrevive nos seus recantos escurecidos quando a luz do dia perdura e os passos ouvem-se lentos numa cadência que assusta os cavalos de séculos passados.
explorada sem limites quando a consciência não existia, dominava o corpo e a mente flutuava sã em ruas desconhecidas e ansiosas por serem descobertas, mãos que escreviam palavras conduzidas por meadas de pensamentos. hoje fios, apenas fios soltos, que existiram ao longe quando olhamos para trás.
devaneios sem conteúdo, mas fiéis à letargia instalada que se proclama vencedora do século.

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