sábado, dezembro 30, 2006

the countdown...



Não sabemos do Futuro,
e ele nada nos diz,
queremos escolher um novo rumo
e no entanto ainda faltam algumas horas
Que efeito este,
que sonambolismo estranho nos provoca,
os últimos dias e quatro números que mudam,
apenas o último
e que diferença que faz?
Não sabemos nada do que vem,
mas planos não faltam
e na realidade tudo continua
não recomeça, não pára, não se altera
continua e não sabemos o que virá.
Que diferença faz, esse Futuro que nada nos diz...?

25Dezembro

aproxima-se o dia
e as pessoas correm á rua
compram-se as prendas de última hora
e as luzes brilham na cidade
com o sol enganado
que brilha no inverno de chuva
as roupas cheiram
a casas com lareiras
e pantufas que se calçam
para descansar os pés
as crianças
sonham com o dia que aí vem
todos imaginam
que magia afinal é possivel
e as carteiras dos pais ficam magras
e ninguém se lembra que é Natal
isso acontece em alguns dias
perto da grande noite
perto do nascimento esperado
bem perto de acabar
e o dia a seguir é,
realmente,
o dia de Natal...

segunda-feira, dezembro 11, 2006

the opening

Os minutos contam-se ao contrário,
os corpos despem-se deles mesmos
encontram roupas,
pós, maquilhagens, adereços
a música ouve-se ao fundo
as luzes são testadas
os passos são nervosos
de quem se prepara
de quem viu e vê pela primeira vez
as vozes sobem
o desconforto infiltra-se
o silêncio entra silenciosamente
pela porta do fundo
o calor humano existe em stand-by
as portas abrem
o barulho ocupa as cadeiras
as conversas de bolso guardadas
o black-out
começa, é a estreia!

horas mais tarde
os aplausos ressoam
como um eco
de um passado próximo
os olhos cansados
de vinho e fumo
sorriem numa memória
que não deixa o sono
penetrar
o dia acaba
e cada um
no escuro de um quarto
adormece num sonho
do que foi,
do que não vai voltar a ser...

vida interrompida

passou quase um mês desde que as últimas palavras foram escritas... a vida é interrompida por tantas coisas sobre as quais não temos controle, é como se estivessemos sempre numa queda vertiginosa em direcção ao fim, e entretanto agarramo-nos a momentos que caem ao mesmo tempo, que se despedaçam primeiro do que nós. Vivemos intensamente os momentos de solidão que ficam abandonados os momentos em que os sorrisos nos visitam logo pela manhã, quando o frio não deixa ver o passo seguinte, mas o sol brilha por cima das nuvens, sozinho, nos dias de chuva!
a rotina instala-se e somos comandados por uma força invisivel que nos empurra em direcção ao desconhecido que temos medo de enfrentar, preferimos (eu, pelo menos) olhar para um passado longínquo e sentimo-nos fortes por andar literalmente com a cabeça a olhar sobre o nosso o ombro, quando damos conta embatemos de frente contra um poste de elctricidade e acordamos para uma realidade que desconhecemos.
é esta consciência humana que nos torna tão frágeis, que nos torna impotentes, a mesma que nos faz agir, torna-nos passivos e parece impossível lutar contra isso. não temos força nenhuma contra o deconhecido e ainda assim fazemos planos para o futuro, queremos casar, ter filhor, mas ninguém se lembra que para querer tudo isso, também se tem que querer morrer, porque está lá à nossa espera no fim de tudo. e ás vezes quando penso que queria que fosse mais cedo do que o "normal", torno-me aborrecido e perco todo o sentido do que é realmente viver, e poder aproveitar o momento a seguir...
somos criaturas do submundo, vivemos nas horas que não existem, quando os humanos dormem, saímos á rua, com os cabelos despenteados, as caras pintadas de químicos estranhos, com frases decoradas que não nos pertencem, porque nunca nos vão pertencer, porque são feitas de tinta, porque estiveram na mão de outra pessoa, porque são as palavras de outro pensamento, porque é impossível sermos outra pessoa, que não nós mesmos! mas ainda ssim tentamos, sem beber sangue, somos noctivagos, e quando a lua já vai alta, podemos encontrar um pouco de paz e descanso nas ruas desprotegidas, onde as prostitutas fazem amizade connosco e nos pedem cigarros, e nos perguntam as horas, ou (as mais atrevidas) nos lançam um olhar de esgelha e um "psst" mal desenhado...
Gostamos de odiar esta rotina. Tudo em nome do quê?
desses momentos em que somos felizes, em que as coisas parecem fazer sentido, nesses lugares que se enchem de pó e são gelados, mas que nos fazem ser aquilo que somos realmente... ou não, mas gostamos de pensar que sim. eu, pelo menos.
Sacrificio, Suor, Lágrimas... somos criaturas do submundo, mas nem tanto. Somos o que somos quando queremos ser, e não o podemos ser em mais lado nenhum. Os outros, os que dormem, que lidem com isso.

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