sábado, março 24, 2007

sem fotografias...

já há imenso tempo que não tiro fotos. tenho medo de me esquecer no futuro deste presente que será o passado.

segunda-feira, março 12, 2007

Mensagem do dia Mundial do Teatro


MENSAGEM DO DIAMUNDIAL DO TEATRO 27 DE MARÇO DE 2007
INSTITUTO INTERNATIONAL DO TEATRO/ UNESCO
SULTÃO BIN MOHAMMED AL QASIMI
MEMBRO DO SUPREMO CONSELHO DOS EMIRADOS ÁRABES UNIDOS,
EMIR DE SHARJAH.
ARRITMIA

O meu fascínio pelo teatro nasceu logo nos primeiros anos de escola. Desde então, esse mundo mágico nunca mais deixou de me cativar. O começo foi modesto, é bem certo, encontros fortuitos com o que eu julgava ser uma actividade extracurricular que me enriqueceria mente e espírito. Não tardaria, porém, a ser muito mais do que isso, principiando eu a empenhar-me seriamente como dramaturgo, actor e encenador numa produção teatral. Lembro-me de que era uma peça política, o que, na altura, indispôs as autoridades que, na minha presença, tudo confiscaram
e fecharam o teatro. Todavia, as botas pesadas dos soldados armados não conseguiram esmagar
o espírito do teatro que procurou refúgio no âmago do meu ser mais íntimo, tornando-me assim consciente da vastidão do seu poder. Impôs-se-me, nessa altura, de maneira profundíssima, a verdadeira essência do teatro e percebi inequivocamente o que o teatro pode operar na vida das nações, sobretudo quando em presença de quem não tolera oposição ou diferenças de opinião.
Já no Cairo, no meu tempo de estudante universitário, o poder e o espírito do teatro ganharam
raízes e entranharam-se-me na consciência.
Li avidamente quase tudo o que se escrevia sobre teatro e vi o vasto repertório do que era apresentado em palco. A minha percepção foi-se aprofundando mais ainda nos anos subsequentes, à medida que me esforçava por seguir as últimas tendências no mundo do teatro. Ao ler sobre o teatro desde a Antiguidade grega até ao presente, apercebi-me, de forma clara, da
magia que os muitos mundos do teatro criam em nós, chegando assim aos recantos mais ocultos da alma humana e pondo a descoberto tesouros escondidos que jazem nas profundezas do espírito humano.
A consciência disto fortaleceu a minha já inabalável fé no poder do teatro – no teatro enquanto instrumento de conciliação –, por via do qual se pode disseminar paz e amor.
Mais, este poder permite a abertura de novos canais de comunicação entre raças diferentes, etnias diferentes, cores diferentes e credos diferentes. A mim, pessoalmente, ensinoume a aceitar os outros como ele são e instilou em mim a convicção de que a humanidade só resistirá se unida em torno do Bem — o mal perdê-la-á. Ora não se pode negar que a luta entre o bem e o mal seja intrínseca ao código teatral. Porém, o senso comum há-de prevalecer por fim, e a natureza humana em geral aliar-se-á ao que é bom, puro e virtuoso. As guerras que, desde tempos imemoriais, têm afligido a humanidade foram sempre motivadas por instintos malévolos que simplesmente não conseguem reconhecer a beleza. O teatro, por seu lado, aprecia a beleza, podendo mesmo defender-se que nenhuma outra forma de arte é capaz, como o teatro, de capturar tão fielmente a sua essência. Ele é o repositório alargado de todas as formas de beleza — e quem não aprecia a beleza não sabe
dar valor à vida.
Teatro é vida. Nunca antes houve um tempo como o nosso, em que nos cabe a todos denunciar as guerras fúteis e as diferenças doutrinárias que, tantas vezes, erguem as suas cabeças de hidra, imperturbáveis perante a consciência plena de responsabilidade. Temos de pôr fim a cenas de violência e de matança aleatória. Constituindo ocorrências trivializadas no mundo de hoje, estas cenas são agravadas pelas diferenças abissais entre uma abundância perversa e
a pobreza mais abjecta, por doenças como a SIDA que minam muitas partes do globo e derrotam os melhores esforços para as erradicar. Estes males andam acompanhados por outras formas de
sofrimento, as resultantes da desertificação e seca, calamidades que vão sendo aumentadas pela
ausência de diálogo genuíno que é, indubitavelmente, a maneira mais segura de fazer do nosso mundo um lugar melhor e mais feliz.
Oh, Gentes do Teatro, é quase como se tivéssemos sido atingidos por uma tempestade e nos víssemos ameaçados pela poeira da dúvida e da suspeição que se agiganta perante nós.
A visibilidade é agora quase nula, e as nossas vozes esganiçadas mal se ouvem por entre o clamor e a divisão que parecem apostados em manter-nos de costas viradas uns para os outros. Na verdade, não fosse a nossa profunda fé no diálogo, que se manifesta de modo único em formas artísticas como o teatro, e já teríamos sido arrastados pela tempestade que revolve céus e terra para nos dividir. Temos, por isso, de encarar e desafiar aqueles que jamais se cansam de promover as tempestades. Temos de os encarar, não para os destruir, mas para nos elevarmos
acima da atmosfera contaminada que fica à passagem das tempestades que provocam. Temos de unir esforços e dedicá-los a fazer passar a nossa mensagem, estabelecendo laços de amizade com
os que clamam pela fraternidade entre nações e povos.
Somos meros mortais, mas o teatro é eterno como a própria vida..
Tradução do inglês de Alexandra Lopes

nowadays...

passa-se muita coisa em muito tempo, e muitas das coisas que se passam só se lembram dias mais tarde quando nos esquecemos de nos lembrar delas... quando deixamos de pensar. o inconsciente actua de maneiras impensáveis no nosso quotidiano.
desde o dia de são valentim que não faço nenhum post, não é que tenha muitos leitores assíduos, mas o que poderão eventualmente algum dia (ou já nos dias que correm) interessar-se por ver o conteúdo das minhas memórias poderão questionar-se acerca da minha ausência após um dia tão importante no romantismo actual... se é que actualmente se vive algum romantismo. as palavras são-me dificeis de escrever, é como se o pensamento fosse um emaranhado confuso e nada poético da realidade que me sobrecarrega o cérebro, é demasiada informação banal e quotidiana que não permite o fluxo da imaginação. prefiro culpar a rotina, do que a minha falta de imaginação que parece que tem vindo a decrescer... mas a verdade é que quando as leituras se resumem àquilo que temos obrigatoriamente que ler, quando o tempo se torna curto demais para conseguir fechar os olhos e sonhar, sem a necessidade que o cansaço implica em dormir, quando os dias (pequenos demais) tomam conta da nossa vida, há muito pouca coisa de interessante para escrever, ou sequer para pensar. o ócio é necessário para estimular a criatividade, e por isso diz-se que os artistas são ociosos. são-no porque naturalmente precisam desse tempo para não pensar, para desligar, para entrar em off. sou artista por opção e no entanto para que há imensas condicionantes que me obrigam a questionar essa minha necessidade.
houve uma altura, em que não pensei em sê-lo, e não questionei aquilo que naturalmente me surgia como imaginação ou criatividade... nessa altura tudo era bonito, uma utopia de como devia ser o mundo e a sociedade assolava-me o pensamento global. e escrevia e desenhava e pintava e fotografava... Hoje quando penso nisso lembro-me que o tempo me sobrava, o tempo de ócio permitia a liberdade artistica de fazer arte e de sonhar num futuro em que tudo seria naturalmente fácil. Não é proveitoso nem lucrativo sonhar, mas também não é justo que nos oprimam de maneira tão castrativa e nos imponham uma sociedade em que não é permitido fazê-lo... que será de nós se deixarmos de procurar o prazer, se deixarmos de nos importar com o bem estar provocado pelas pequenas coisas, se em veze de entrarmos em off de maneira profícua, desliguemos completamente e façamos tudo de forma mecânica e repetititiva? o que será da sociedade, que se rege pela falta de dinheiro e que não procura escapar a essa realidade que os deprime, buscando novas formas de se fazerem as coisas... será preciso fazer-se algo que já não se faz há bastante tempo para encontrar novo significado nos conceitos que já existem?
Como o caso da peça HAMLET, feita há pouco tempo na ESMAE, pelo grupo onde estou inserido e que indubitavelmente veio abalar o microsistema instalado na escola, só porque foi uma "maluqueira!"... Maluqueira foi o surrealismo, foi o Buñuel ter reescrito a obra do Hamlet, em 40 e tal páginas e tê-la transformado numa Tragédia-Cómica com personagens que não encaixam e com cenas que só se seguem umas à outras porque é nessa sequência que estão dispostas as páginas... isso sim, foi uma maluqueira... o que nós fizemos, foi aquilo que já se fez... é a isso que me refiro, voltar a sonhar, voltar a brincar, voltar a fazer a adrenalina fazer parte dos nossos dias...

hoje em dia acontem muitas coisas... mas é preciso que aconteçam mais algumas que realmente contem, que de uma vez por todas sejam visiveis aos olhos de todos!

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