quarta-feira, abril 11, 2007

nova cara!



com o Verão a chegar... e para ver se a Primavera aquece...
o blog está diferente, mais limpo, menos melancólico.

terça-feira, abril 10, 2007

libertinagem rules!


Ontem vi este filme. O Johny Depp está fenomenal, aliás como sempre. Tanto o monólogo inicial como o final são de uma interpretação estupenda de alguém que fala directamente para nós e nos leva desde o primeiro segundo do filme a odiá-lo e a condenar as suas acções, excepto uma, encontrar o amor, a paixão pelo Teatro e pela actriz que lhe devolveu ou lhe deu a conhecer o gosto pela vida, e a renuncia ao ateísmo em que vivia.
Com uma fotografia excelente, que transporta o público para estar sempre a ver tudo como pelo buraco de uma fechadura e que nos vai tornando cúmplices das suas decisões. Johnny Depp leva-nos numa viagem alucinante pela Inglaterra do século XVI e pelas ruas e vielas do deboche, até a uma sala de Teatro magnifica onde o único objectivo, é o objectivo do filme, fazer cada um de nós viajar, acreditar naquilo que vêmos e sofrer com as personagens que encontram a Vida como algo que têm de suportar e fazem-no da melhor maneira que podem, seja pela promiscuidade, ou por pisar um palco e ser todas as noites alguém que não somos, e oferecer essa vida fugaz ao público sem nunca termos que nos dar a conhecer...


arrabal


Fernando Arrabal - leiam, procurem, façam-no!

autor de peças de teatro e um dos líderes do Movimento "Teatro Pânico". este movimento encontra-se após o desenvolvimento do Teatro do Absurdo e vai beber as suas fontes ao Surrealismo e Dadaísmo, movimentos condenados por serem hermeticos na liberdade que proclamavam. Segundo Arrabal, estes movimentos negavam a liberdade em prol de fazer um teatro livre, a criação era exclusiva dos pensadores, era portanto algo eclético de que apenas os grandes artistas podiam fazer parte.
Pessoalmente, o Surrealismo é um movimento que me inspira bastante e cujos principios estão muito actuais nos dias que correm. Passamos por uma fase em que o Teatro "está morto", e ainda assim, continua-se a fazer Teatro e aposta-se em produções de autores de renome e que se incluem nos clássicos da História do Teatro. Talvez por isso quando se arrisca em fazer algo diferente e se vai buscar inspiração em movimentos que marcaram a diferença por se destacarem o público acede e, no entanto, são poucas as pessoas que vivem no Teatro e que acreditam que este pode servir como um meio para alterar a vida, para modificar o pensamento das pessoas.
A descoberta do Teatro do Pânico, principalmente da obra de Arrabal, foi importante porque é um género que mexe com o público que o faz questionar-se e joga com os extremos do humor e do terror (sendo que o terror é algo quase impossível de provocar em cima de um palco).
Ao público é actualmente oferecido um Teatro que serve apenas de entretenimento, e para isso as pessoas tem coisas muito mais interessante para verem, no conforto das suas casas, ou numa sala bastante mais confortável de cinema, já para não falar dos concertos e das feiras e festividades.
É preciso tornar a fazer um teatro contemporâneo, não apenas adaptar os grandes clássicos, e histórias dramáticas que as pessoas tem mais fácil acesso de outras maneiras. O Teatro joga com um trunfo essencial, que é exactamente a efemeridade, e momentos que só acontecem uma vez perante os olhos revisitantes. É preciso apostar num novo Teatro, num Teatro que se afirme, e que marque o seu lugar, que leve as pessoas a querer vê-lo por ser diferente, por se destacar de tudo aquilo a que estamos habituados a ver. Existe uma vasta obra que deve ser revisitada, de pessoas que em altura de crise artistica desenvolveram novos métodos e novas maneiras de visitar o palco. As greves não funcionam, portanto faça-se um Teatro que reivindique de novo o seu lugar perante o público e depois, sim, depois re-estruturamos as estruturas e fazemos um teatro de histórias e de vidas que acabam, e de momentos apaixonantes.
Antes é necessário que aqueles que fazem Teatro se apercebam da importância que têm, e que para já não é apenas a de entreter um público, mas oferecer-lhes novos desafios, novas maneiras de pensar. Fazê-los voltar a gostar de Teatro.

sábado, abril 07, 2007

2 posts num só!






Pina Baush.... tanta pena! sofre o meu coração apertado por perder mais uma das que deve ser a mais bela criação do século, tal como todas a que este anjo negro alemão decide fazer quando abre o seu coração e os seus sentimentos ao público. frágil como a sua aimagem, só mesmo a imagem de um anjo acabado envolvido numa nuvem suspensa de cigarro, e a voz cava dos grandes deuses que falam sempre com calma, e há quem ache que isso vanglorismo, vivemos sem olhar para aquilo que
nos rodeia, realmente são necessários génios como esta mulheres para nos abrirem os olhos, para despertarem de novo a inocência que pude ver em vídeo (infelizmente, mas felizmente) que os bailarinos trazem com eles, e movimentos tão suspensos como a dança em si mesma, e sem deixarem de estar carregados de vida, e de dramaticidade. Ela é uma das mulheres do nosso século, e antes dela morrer, vou ver um espectáculo dela! prometo-me isso!




Jaques Brel.

Fantástico o cantor, o actor, o performer, o intérprete.... tudo. O homem com membros exageradamente desproporcionais transforma-se em beleza pura no momento em que canta, e as palavras explodem melódicas pela sua voz, com uma força sempre diferente, mas sempre tão sincera, tão verdadeira como se no momento nada mais existisse. o homem que fez da canção a vida, e um dia decidiu não cantar mais e fez do cinema a sua casa... e há tanta coisa que ninguém conhece, e há tanta coisa... e ainda assim dizemos que estamos fartos do mundo!

bom sábado

sexta-feira, abril 06, 2007

Inland Empire


o novo filme de David Lynch, Inland Empire...

com Laura Dern no papel principal, o filme está preenchido do inicio ao fim de perosnagens estranhas e surreais como já é habitual nas obras lynchianas, posso dizer que não será o seu melhor trabalho, mas é decerto um dos mais belos exercicios do surrealismo do nosso século, e uma nova visão do cinema, e de como ele pode ser feito. filmado em digital, e até os menos entendidos (como eu) entendem isso, ficamos agarrados a um humor que já lhe é natural, mas que não inteiramente fácil de gostar.
O filme, passível de ser interpretado de diferentes maneiras, é um desfile de imagens, e de situações que podem ou não encaixar-se. David Lynch, como é habitual (já desde a suposta morte de Laura Palmer), apresenta-nos um puzzle, ou melhor, as peças de um puzzle, e mistura-as todas e cabe-nos a nós decidir que peças vamos montar, e se não quisermos podemos simplesmente absorver aquilo que nos é apresentado.Uma familia de coelhos numa sitcom dramática, alguém que a vê, uma actriz que se confunde com o papel que interpreta, nomes que se trocam, o escuro, uma mulher que vive ao longe (no fundo da rua) numa casa de tijolos e que se esquece facilmente se hoje já é amanhã... são estas as perosnagens que podemos encontrar no novo filme de David Lynch, que se segue ao já perturbador, mas muito mais fácil de entender (comparativamente) , o Mulholland Drive de há cinco anos atraás, e contudo não deixamos de ter a presença das mesmas actrizes, ainda que uma delas apenas faça de coelho.
Desta vez a não-narrativa vai longe, e ultrapassa os limites do pesadelo, o filme dentro do filme, passam a ser os diferentes mundos e as diferentes personalidades de uma só personagem, e temos duas opções, ou saímos da sala, ou relaxamos e vê-mos até ao fim, porque sem dúvida, é um filme cheio de surpresas, mas principalmente (e foi isso que mais me fascinou) apesar do tempo e de realmente ser longo, é um filme que vale a pena ver pelo simples gosto de gostar de cinema, de ver a arte a mudar mesmo quando achamos que já nada de novo pode ser inventado... Então, vem o David Lynch e mostra-nos um novo cinema, com reminescências do passado, mas um cinema que inova e onde o surrealismo justifica a não-narrativa e como num sonho acordamos em sitios diferentes e os dias são outros que não o ontem, hoje e amanhã... e basta mergulharmos nesse mundo para aderirmos a um novo género de cinema.

é um bom statement, não só de cinema, mas da prostituição e das "estrelas que fazem sonhar, e dos sonhos que fazem as estrelas..."

vale a pena!

domingo, abril 01, 2007

tell me lies...

tell me sweet little lies...ahahah

dia das mentiras... pus-me a pensar, qual é a necessidade de um dia especifico para as pessoas poderem mentir e não se sentirem mal com isso. de repente há um dia, um dia específico, em que não há problema moral ou religioso em mentir. Mas não é o acto de mentir algo que se faz escondido, algo que suposto ser ocultado para não se saber, não tem este acto uma aura soturna e underground... é a mentira. e a mentira é algo que não vê a luz do dia, fica guardado dentro de nós, entranhado, tão fundo que por vezes é dificil percebê-la como tal ou mesmo lembrar-se que ela existe...
a mentira, a falta de verdade, faz parte do ser humano e da sua maneira de se relacionar com os outros... é possível que quase todos os dias o façamos, ou seja, mentimos, e nem por isso nos sentimos mal... então qual a importância de um "dia das mentiras"? na minha opinião é um prolongamento do carnaval...

molière...o mote!



direcção. Daniel Pinheiro, assistência de direcção. Tiago Bôto; improvisação de cenografia e figurinos. Sílvia Ribeiro; interpretação. elenco do Teatro Universitário do Porto.

Foi ontem que o Teatro Universitário do Porto, celebrou o Dia Mundial do Teatro. As horas passavam rápido a aproximava-se a hora da estreia da leitura encenada de algumas cenas do texto "As Preciosas Ridículas" de Molière. Às 21.30h o público aproximava-se lentamente e em slowmotion iam preenchendo o corredor principal.... Finalmente às dez.00h havia já público suficiente e o espaço iluminou-se, Bach sonorizava o espaço, e os intérpretes exercitaram-se na leitura das cenas do texto animando, com expressões dignas de marqueses e marquesas, viscondes ou lacaios, os sorrisos dos públicos transformavam-se pontualmente em gargalhadas, seguidas de riso contido ou silêncio atento ás palavras que eram ditas, enquanto a história prosseguia e se aproximava o momento da festa...

conseguimos! Parabéns! Teatro em tempo record, e a custo zero! (tendo em conta tudo o que se sabe...) ;)

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