quarta-feira, maio 30, 2007

é algo pessoal

Foi sem dúvida um processo fantástico. O "Hamlet" alimentou durante mais de dois meses a vontade de estar em cima de um palco, não propriamente um palco. Mas representar. Oferecer algo ao público, dar-lhe algo em que se acredita verdadeiramente.
Não porque o Porto precisa de mais de Teatro, não porque o Rivoli foi ocupado pelo La Féria, não porque os apoios são escassos, senão mesmo, fantasmas, não pelas razões que nos fazem desacreditar no Teatro, mas por todas as outras que me fazem acreditar, que me fazem sonhar, que nos levam a esquecer o mundo que nos rodeia, e entrar em cena com uma personagem, baralhar as ideias pessoais e do público em geral, mas acima de tudo fazer. Não estar parado. Não viver as lamentações de todos os dias, nem os medos, mas ir contra essa apatia que às vezes nos leva ao descrédito, e viver num mundo paralelo - não por não gostar deste em que vivemos - mas porque há muitas mais possibilidades, porque existem muitos mais desvios, porque se brinca com o desconhecido, porque se deduz a partir do vazio, do papel escrito... A imaginação entra em ebulição e quando a ideia ganha forma, há um prazer, um sorriso interior, uma vontade que cresce.
Se me perguntarem porque é que faço teatro, responderei que não sei. Não sei qual é a necessidade que envolve os actores a passarem ensaios infinitos a fingirem, e serem quem não são, a misturarem aquilo que são, com aquilo que desconhecem, a decidir porque sim e porque não, não sei porque se faz tudo isto. Não sei se será a vontade de criar, a vontade de estar a ser visto, essa parte perversa, pornográfica até, que leva o actor a expôr-se de uma maneira quase absurda.
Mas a verdade é que quando me sento e vejo um espectáculo de teatro, de dança ou um filme, quero acreditar naquilo que estou ver, quero viver aquilo, quero como se estivesse a ler um livro que as ideias ganhem forma aos meus olhos, e que as histórias, sejam de que tema forem, ganhem vida, e não interessam as filosofias, os pensamentos, a urgência em decifrar e interrogar tudo, não me interessa a intelectualidade. Interessa-me fazer parte de um grupo de pessoas no mundo que vivem para si e para os outros, que levam a imaginação consigo e fazem dela algo para oferecer ao resto do mundo (ainda que o mundo aqui seja ás vezes algo de muito pequeno) e se sonhe. Não de uma maneira utópica, não uma fantasia de contos de fada, não se trata de viver fora deste mundo, mas vivê-lo de uma maneira intensa, procurando em cada recanto, em cada história, em cada relação, em cada momento, em cada gesto, uma forma, um objecto que nutra a nossa alma, a nossa maneira de viver.
Quero experimentar, quero saber mais, quero descobrir, quero viajar, quero estar em cima dum palco a fazer tudo isso, quero que os que me vêem e os que trabalham comigo possam fazer isso. comigo.

segunda-feira, maio 28, 2007

Padrinhos e Afilhados...


exposição de pintura. Fórum da Maia
inauguração - 1 de Junho

domingo, maio 27, 2007

vazios urbanos



"são assim enunciados enquanto espaços residuais de cidade perimetrada.. enquanto espaços marginais da chamada cidade difusa, constituida pelas envolventes metropolitanas."
"vazio decorre de qualquer tipo de ausência (...) áreas que desde sempre permanceram sem propósito e sem vida própria - inconsequência urbana. (...) decorrem (ou podem decorrer) de um tipo de persistência e /ou conflito decorrente de expansão urbana. (...) Mantiveram uma reminescência de paisagem, nas quais ainda é possível reconhecer o ancestral(...) são áreas anónimas, ainda por invadir, fisicamente urbanizadas mas não edificadas(...) são marginais..."


"A aventura urbana é globalmente urbana", "Os vazios remetem para novos quadros, estratégias e oportunidades de intervenção, gestão e contaminação metropolitanas.", "Enquadram, muitas vezes, a última ocasião de especializar."

in "Vazios Urbanos - Urban Voids - Trienal de Arquitectura de Lisboa, 2007" - disponivel na FNAC

one more sunday...please don't


instala-se a apatia
caminha-se como se envolvido
por uma névoa
um entorpecimento dos membros
fizesse parte do corpo
transformasse o dia
numa viagem no tempo
pelas memórias
a cabeça lateja
e surge tudo como num filme
em slowmotion
passam-se assim os domingos
com a eterna acumulção
dos afazeres sempre novos
sempre diferentes.
se ao menos
pudessemos saltar
um dia,
umas horas...
os domingos.

sexta-feira, maio 25, 2007

Um hamlet sem palavras

Aléx Rigola, o encenador catalão, o encenador prodígio (numa perspectiva bastante nacionalista, mas que não deixa de se confirmar) apresenta-se mais uma vez em Portugal e desta vez (para mim a 2ªvez) no Porto.
Já tinha tido a oportunidade de ver San't Xoana Dels Escorxadors no Rivoli por alturas em que este funcionava como Teatro Municipal, num evento efémero como tantos outros que já povoaram a Invicta em tempos de glória. Felizmente que ainda existe o FITEI, e que pela persistência dos seus organizadores, mal ou bem, se mantêm de pé. E as escolhas, são exactamente isso, escolhas, e por isso mesmo sujeitamo-nos; escolhemos, ou não, aderir á programação e no fim batemos palmas ou não.
Foi com uma vibrante energia que o público aplaudiu a peça de abertura do festival, e com razão. Num tempo em que a escassez teatral portuense se acentua cada vez mais, e que o público se vai lentamente tranformando em cadeiras vazias, "European House - um prólogo a Hamlet sem palavras" surge como uma lufada de ar fresco, um espectáculo em que somos remetidos (enquanto espectadores) para a nossa verdadeira condição de voyeurs e permancemos mergulhados no escuro e somos convidados a assistir à vida das pessoas na comodidade do seu lar, vemos o que não é suposto, e não se ouve nem se percebe o pouco que é dito, mas ficamos à escuta, o nosso olhar percorre a estrutura de três andares, com sete divisões, a Europa de Rigola, a vida de uma familia burguesa que vive uma história, nada mais, nada menos que a história de Hamlet moderno, um Hamlet contemporâneo, um Hamlet que existe com corpo no século XXI.
E de repente o teatro existe sem palavras, o teatro existe num palco á italiana que passa a ser uma tela de cinema, um ecrã de televisão, a janela do prédio em frente ao nosso. E os vizinhos, as pessoas que vivem do outro lado são a familia de Hamlet, e vivem a sua tragédia, a morte do "rei", e percebemos tudo isto, todos percebem.
Num tom completamente cinematográfico, Aléx Rigola, arrisca-se na criação de um teatro sem palavras, um teatro que vive da imagem e da necessidade do público querer saber o que se passa, de o público se questionar, de sentir estranheza como em Dogville se faz um cinema que parece teatro.
Aqui as personagens vivem a sua vida, os seus dramas, e Hamlet, este homem do nosso século questiona-se para além da morte do pai, vive com as preocupações de todos os seres humanos, numa casa dos nossos tempos, com uma mãe sofredora, com um tio usurpador, e um conjunto de personagens que visitam a casa nesta noite de luto. sim, porque é de noite. todos percebem isso.
E até o fantasma aparece, muito lentamente, iluminado de vermelho no leito nupcial...
Numa altura que o ser humano vive em contradição consigo e com o mundo, e é bombardeado de informação por todo o lado as palavras realmente parece que deixam de ter lugar, por vezes é bom mergulhar no silêncio, nem que seja para observar com precisão aquilo que os seres humanos - esse ser cheio de racionalidade - faz na intimidade dos seus espaços, dos seus nichos, nos momentos em que está no seu território. Como sofrem as pessoas. Como enfrentam as pessoas os problemas, a morte?
e como Rigola coloca em legenda:
Porque morrem as pessoas? Para que os vivos possam encontrar significado na sua vida.

domingo, maio 20, 2007

uma escolha pessoal

fitei-24Maio6Junho
são escolhas pessoais e funcionam como organizer para mim
24 Maio (qui) - 21.30h TNSJ european house (...) ESP
25 Maio (sex) - 12.00h CPO 24 AGOSTO METRO o palco da ilusão ESP
21.30h TNSJ european house ESP

21.30h TECA o cerejal POR

26 Maio (sáb) - 22.00h PR CORTE INGLES requiem 21 ESP
29 Maio (ter) - 21.30h THSC como caña al viento CUBA

31 Maio (qui) - 21.30h TNSJ stabat mater POR

3 Junho (dom) - 16.00h TECA corr a três POR

4 Junho (seg) - 21.30h ESTUDIO ZERO o corte POR

6 Junho (qua) - 00.00h PR D JOAO I a 8ª maravilha FRA
informações em www.fitei.com

ausência

os últimos tempos foram mais do que semanas...foi uma passagem por uma espécie de universo paralelo em que o mundo corria a anos luz
corpo desgastado, mente submersa em água, com sensações de flutuação
o mundo, as ruas, as pessoas, tudo uma mistura mal conseguida de cores, e nem o tempo
as nuvens perdidas vão e vêm num indecisão contínua, e a ausência de conhecer, de ver, de ouvir
o caos. a acumulação comparada com a ausência de vida, e apenas um acumular de instantaneos momentos que rapidamente se esquecem se ultrapassam.

custa, a ausência do mundo. e quando me lembrar de acordar vou querer novamente esquecer.

quinta-feira, maio 03, 2007

old boyfriends

Artist: Crystal Gayle Lyrics
Song: Old Boyfriends Lyrics

Old boyfriends
Lost in the pocket of your overcoat
Like burned out light bulbs on a Ferris Wheel
Old boyfriends

You remember the kinds of cars they drove
Parking in an orange grove
He fell in love, you see
With someone that I used to be

Though I very seldom think of him
Nevertheless sometimes a mannequin's
Blue summer dress can make the window like a dream
Ah, but now those dreams belong to someone else
Now they talk in their sleep
In a drawer where I keep all my

Old boyfriends
Remember when you were burning for them
Why do you keep turning them into
Old boyfriends

They look you up when they're in town
To see if they can still burn you down
He fell in love, you see
With someone that I used to be

Though I very seldom think of him
Nevertheless sometimes a mannequin's
Blue summer dress can make the window like a dream
Ah, but now those dreams belong to someone else
Now they talk in their sleep
In a drawer where I keep all my

Old boyfriends
Turn up every time it rains
Fall out of the pages in a magazine
Old boyfriends

Girls fill up the bars every spring
Dark places for remembering
Old boyfriends
All my old boyfriends
Old boyfriends

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terça-feira, maio 01, 2007

ocupado




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