quinta-feira, julho 12, 2007

always...the hours

Uma adaptação ao cinema de uma obra literária é sempre um risco que se corre, e quando se tenta fazer o mesmo ao teatro, corre-se um risco ainda maior.
Agora, quando se tenta colar o cinema ao teatro é um risco exagerado, principalmente um filme tão conhecido e que é impossivel de esquecer.
Na peça "Reflexos" (em cena no Estúdio Zero até 15 Julho, pelos alunos do 4º ano de Estudos Teatrais, da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo) há uma tentativa redondamente falhada de conseguir transpôr o livro e o filme para cena.
Acima de tudo trata-se de uma encenação sem interesse que coloca os actores em cena desprotegidos e onde cada um parece carregar o seu monólogo pessoal, interrompido apenas para dar lugar a um outro monólogo. A peça desenrola-se como as cenas do filme, e parece que nem o livro foi tomado em conta. Ansiamos a proximidade do final e isso acontece porque conhecemos o filme. Quem não conhece o filme ou livro, senta-se e observa uma panóplia de palavras ditas em tom sempre coloquial, estranhamente colocada a voz, e distante pode ou não tentar perceber o fio condutor da história.
Os figurinos não se adequam minimamente e um cenário (um jogo com estruturas de espelhos) cuja utilização serve apenas para distrair (actores e público).
Os actores procuram atingir uma veracidade que é instantaneamente conseguida quando uma criança entra em palco e se põe a brincar dístraidamente com as pedras, sempre atento ao sinal da música que lhe indica que é altura de ir para a marcação seguinte.
Numa cidade que já foi Invicta parece que o tempo parou e as mentes ficaram estagnadas numa letargia onde nada acontece, e durante todo o tempo que no Estúdio Zero as pessoas estiveram sentadas nada aconteceu. Foram ...as horas... que passei lá.

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