quarta-feira, agosto 29, 2007

noites sem tempo

Fim do mundo...ou simplesmente eu morto?!

E no mesmo instante que o mundo decide desabar,
Encontro o descanso, a paz, torno-me feliz
Por adquirir o mais recente conhecimento de mim
Alguém que morrerá pelas consequências naturais
De um desastre global.
O mundo engole-se a ele mesmo, derretendo-se
Numa bola de fogo que consome séculos de sabedoria
E expansão humana e que se torna pó invisível
E se perde no espaço em pequenas partículas.
Eu tornar-me-ei numa delas. E descanso no momento
Em que o pânico deveria tomar conta do meu corpo,
Em que todos os meus sentidos se preparavam para o pior
E todo o esqueleto vibrava com a força que os músculos exerceriam
De medo.
No entanto olho sereno para um alvoroço de gente
Que se move, esperneia, esbraceja e tenta morrer da maneira
Mais caótica e desesperante possível, sabendo que no fundo
Nada daquilo os salvará.
Ao longe, além, vejo os deuses, que surgem em figuras de barro
Penduradas do firmamento e se escancaram a rir
Vendo com deleite o assombro humano perante tal catástrofe,
E ouvem incrédulos os seus nomes próprios, inventados e sempre
Proferidos pelos sabiamente ridículos: os humanos.
Eu nesse mesmo instante (porque tudo demora apenas três segundos)
Consigo perceber a incapacidade do Homem para se resignar,
Permanecer sentado e acomodado numa rocha perto do mar
E ver o mundo atingir o fim do seu ciclo de vida.
Ainda há alguns que dormem, em recantos em que a noite se faz sentir
E sonham com um mundo melhor, um amanhã sem tantos problemas...
Esses morrem também em paz, com uma pedra que subitamente se gerou
No tecto por cima das suas cabeças e lhes atingiu o crânio de maneira
Fatal, um segundo antes de o seu corpo acordar e todos os sentidos
Alertarem o cérebro para o perigo...morrem num sonho sem fim.
Três segundos passaram.
Permaneço no escuro... do espaço sideral, e tudo escuro.
O silêncio ensurdece-me, e todos morreram...O negrume dá lugar à penumbra de um quarto, vejo que é um quarto. Assim que os meus olhos recuperam gradualmente a visão, as pupilas dilatam-se ao máximo, e eu consigo ver o corpo de alguém. Aquilo que penso ser a lua, ilumina perfeitamente o corpo estendido no chão, a luz que entra obliqua banha-lhe o rosto de tal maneira estranha que se torna irreconhecível. Aproximo-me, e sou eu. O meu coração aperta-se, e sinto-me pequeno, o meu corpo começa a produzir suores que de tão quentes que são se evaporam rapidamente e sinto-os a esfumarem-se frios do meu corpo, os músculos tremem, e de repente nada disto é verdade... recupero memória, sem nunca ter percebido que a tinha perdido, e olho instintivamente para o braço do meu corpo estendido no chão, e vejo um frasco de comprimidos, esgotado até ao fim. Morri. E agora? A luz acende-se. É a minha mãe. Morri.

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