terça-feira, agosto 28, 2007

sem motivo

A fotografia pousada na mesinha de cabeceira

Lado a lado mergulhadas num encarnado súbito
Antes de serem ocupadas, jazem sós
As luzes movem-se e a eternidade rouba-lhes
Um pouco, apenas, da sua existência
Tão banal. Tão usual.
Afastadas vivem ainda, cobertas de pó
Num recesso local, onde a luz do sol penetra
E as ilumina levemente, e o sol esburacado
Come lentamente a cor, essa cor verdadeira
Que olhos não viram, porque morreram
Na contraluz de um oceano de vermelho,
Deram os últimos suspiros nas mãos de uma mulher
Arrastadas pelo chão, trocando os dias por esse momento
Vivo nos olhos de quem senta de frente, ali perto...
Mulher que passivamente as fazia rastejar pelo chão de linóleo
Tantas vezes pisado, limpo, retocado, tratado...
Moram lado a lado nessa fotografia desfocada
Filha de um erro, de um clique estragado, de uma máquina enferrujada.
Um segundo bastou, e assim a eternidade
Guardará para sempre uma imagem delas
Que permanecem inconscientes na cabeça de quem as viu,
De alguém que um dia se sentou nelas
E morrerão segunda vez.

Para mim, existem aqui, mergulhadas em mim, no vermelho...

2 comentários:

Rogério Nuno Costa disse...

obrigado pela referência ao meu blog, daniel. também já linkei o teu no meu.

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vouatuacas@hotmail.com


abraço,
rogério

Rogério Nuno Costa disse...

correcção:

vouatuacasa@hotmail.com

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