terça-feira, setembro 11, 2007

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Imagem

Sangue. As roupas confundem-se nos corpos coladas.
Lá ao fundo dois seres espreitam
Fotografam, disparam luzes que se estendem na noite
E que iluminam este cenário sangrento.
Os corpos que jazem com as roupas ensanguentadas
São dois, um dos quais se percebe ser uma mulher,
As linhas do corpo desenham femininas e cabelos pastosos
Emolduram a cara da mulher.
Distorcido o outro corpo percebe-se ser um homem
São as roupas que falam na imagem, são de homem definitivamente.
A cara, o homem, destruída, destruído. Pedaços de vidro tomaram partido
E enterrando-se pela pele adentro do rosto masculino
Esculpiram esta obra de arte execrável, retrato desta noite.
As luzes azuis abandonaram o local horas depois,
Apenas resistem as manchas de sangue, esses charcos de mar vermelho.
Cobrem de areia agora os homens fluorescentes da madrugada,
Apagam a memória da estrada; o destino imprimiu a sua assinatura.
Viro a página, o jornal é de um dia qualquer.

Esqueço-me. Viro a página.

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