domingo, setembro 23, 2007

desilusões

há dias como este, domingo, sol... o outono parece estar longe ainda que a sua presença seja cada vez mais esperada (porque o ser humano tem dificuldades em lidar com as alterações que não lhe são perfeitamente explicada e expostas com bastante tempo de antecedência).
ontem a energia toda que trazia contida, explodiu à hora exacta em que começava o espectáculo em que estou a trabalhar, tudo parecia estar a correr o melhor possível, para a estreia, para os nervos todos que existiam, tudo parecia encaminhar-se nos trilhos... mais lento aqui, mais rápido aqui... é tudo uma questão de tempos, e de um maestro... é necessário como para os músicos haver um guia, alguém que mede todos os dias o tempo daquilo que nós fazemos... somos humanos e cá dentro (do corpo) há coisas que mudam todos os dias... todos os dias, existem mudanças que por vezes nem nos damos conta e só depois, passado uma semana é que reparamos, ou nem sequer nos apercebemos que (por exemplo) toda a nossa vida tivemos um sinal num certo sítio do corpo... por exemplo... mas desvio-me, tudo parecia estar nos eixos para resultar num longo, mas bom espectáculo! Tudo parecia indicar nessa direcção, nesse fim...
A verdade é que as falhas de comunicação entre pessoas, entre seres humanos ( alguns que ás vezes se esquecem que o são, ou que os outros também o são) é um problema actual e permanente na nossa sociedade, os ouvidos estão fechados e as bocas teimosas repetem uma e outra vez aquilo que o outro não quer ouvir... foi isto que aconteceu, uma grave falha de comunicação interrompeu o espectáculo de ontem a meia-hora do fim. Não interessa aqui dizer porquê, ou porque não...
Nunca pensei que tal coisa me pudesse acontecer, eis que lá estava eu... completamente disfarçado no meu papel... e eis que a noticia bomba caiu no público e em mim (e noutra actriz que estava comigo no preciso momento) fiquei lívido de vergonha perante os olhares de quarenta pessoas que ainda assim se interrogavam se aquilo seria verdade ou se era parte integrante do espectáculo.
Enfim é o que dá... confia-se nas pessoas, damos aquilo que melhor sabemos fazer, dispostos a enfrentar o cansaço, a enfrentar tudo aquilo que nós já sabemos que isto envolve (e não é pouco) e no final acontece que há egos demasiado grandes, falhas de comunicação graves e "uma pessoa dá-se dá-se, e nunca recebe um obrigado"

mas há estreias que marcam, e esta foi uma delas... a partir de hoje acho que vai valer a pena.

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