sábado, setembro 15, 2007

fico sem tempo

com tanta indecisão, e tempo ocupado é dificil conseguir coordenar a calma necessária para encontrar um registo que, escrito, possa transmitir tudo aquilo que nos passa pela alma no preciso momento em que escrevemos. assim, escrevo de forma contínua para tentar, todo eu, escrever-me da melhor maneira possível utilizando todos os meios e ferramentas da gramática que foram inculcados desde criança no meu ãmago de pessoa literária que deseja ser oradora. como aliás todos o mundo procura fazer passar as suas ideias do papel para a voz falada, para que todos possam ouvir.
não sei porque escrevo mas a necessidade de voltar a ser um pouco como antes, em tentar que o tempo, o pouco tempo que existe, se prolongue num bater contínuo de teclas do meu computador, enquanto a aragem fresca da corrente de ar, de janelas abertyas, me atravessa o corpo e me ajuda a respirar, e o meu irmão sentado ao meu lado, absorvido, toca guitarra em notas e rapidez que não compreendo e, no sentido contrário ao da corrente de ar, me interrompe os ouvidos e quase se transforma numa partitura de movimentos para os meus dedos dançarem nervosos sobre o teclado preto, e escreverem aquilo que me atravessa, como se o corpo todo e os ajustes e a dor que sinto junto á zona pélvica, tudo isso, fosse expulso em palavras que se vão desenhando no ecrã luminoso em frente aos meus olhos...
e em tudo isto não páro de pensar na saudade, e de ficar irritado por não conseguir escrever correspondência para longe... como se uma letargia tivesse tomado conta do facto de eu escrever a caneta sobre papel... e a saudade, a saudade que aperta e não sei se choro, quando não choro... a saudade de ver as pessoas partir. ficar feliz pelos rumo estar a tomar caminho nas suas vidas... saudades que ficam, e trago-as comigo, partilhando-as às vezes com um nervosismo e obsessão que assustam o meu interior, mas que são fruto do carinho e da vontade de não tornar a perder aqueles de quem gosto. sei que não perco. espero não perder. mas a saudade existe e em tudo isto, os dedos continuam fervorosos trás e frente,e a hora aproxima-se e o tempo é novamente curto.

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