segunda-feira, setembro 10, 2007

mais do mesmo

Angústia x infinito

Não aguento mais esta angústia,
Este aperto junto do umbigo que
Me consome, que não me deixa pensar
Que não me deixa sorrir, fruir do calor do sol
Que se espalha nas peles deitadas na areia
Escalda, corpos estendidos quentes de tanto
Brilho e uma brisa que surge para acalmar os mais
Indefesos.
Não aguento e a vontade de ser desaparece
Junto com a memória de algum dia bom,
Algum dia que tenha existido mas que se esquece
E a tristeza invade esse lugar, esse junto ao umbigo
Por dentro, e se assemelha à vontade de defecar
Os pensamentos mórbidos, as imagens do meu corpo
Estendido...
A perfeição da facilidade de ser atropelado
De morrer pela culpa de outros e tudo
Ser perfeito. Na morte. No nada.
Como um nó cego, mal feito, na corda errada
E se aperta contra o estômago, obrigando o coração
A encolher-se e subir em direcção ao cérebro que
Utiliza a capacidade de inteligência
Para morrer instantaneamente, não pensar.
Tão fácil seria se houvesse por vontade divina
A força de acabar com esta dor de maneira terminal
Como um cancro que se alastrasse rápido
Por todas as células do elemento: corpo.
E as drogas se tornassem ineficazes e tudo se conjugasse
No término de uma vida, e da dor que a acompanha,
Da infelicidade já desnutrida e verdadeira
Pela condição de animal acorrentado ao mundo
A minha condição moral de existência e a chave
Que me liberta dos grilhões perdida no universo
À espera de qualquer telescópio de almas a encontre
Subjugada à gravidade zero, e desenhando uma órbita
Confusa, difícil, estranha e no fundo sem sentido possível
De ser entendida, limitada pela imensidão espacial
E sem poder voar, ou saltar sequer, aninho-me no canto escuro
Acedo a todos os pedidos e a inutilidade toma conta de mim
E a metamorfose deste processo torna-me num ser vil,
Qual carraça que se aproveita da vida alheia e vive
Nesta circunstância de não ser, ou existir.
Lá fora o sol promove o cancro dos comuns mortais.
Aqui dentro as sombras promovem a minha degradação
O meu desespero alimentando-se junto ao meu umbigo,
Por dentro, perto do estômago.

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