domingo, outubro 28, 2007

acaba hoje...

Chega ao fim hoje a carreira dos espectáculos "Vale o que Vale". um mês e seis dias... o sentimento é ambíguo, o corpo cansado agradece. há mazelas que anseiam e gritam por uns dias de descanso daquele esforço diário. Por outro lado, a experiência, ainda que condimentada de problemas picantes e que custaram a muitos a engolir, foi enriquecedora e acima de tudo muito consciencializante acerca do trabalho e daquilo que se quer fazer...
Fico com pena, apesar de querer muito descansar (da casa, dos recantos, da escadaria interminável, etc...), e sinto que também de diverti e gostei de conhecer este novo grupo de pessoas... se bem que de há umas semanas para cá, reparei que acaba sempre tudo por ser o mesmo, parecemos uma família (as pessoas que fazem teatro em conjunto) chegamos todos ao fim do dia ao mesmo sítio (como as famílias dos trabalhos e das escolas) e as bocas abrem-se para falar do dia, do que se fez, daquilo que se fará... para se queixar do cansaço, das dores disto e daquilo...
isto em contraste com o post que assinalou o início.
ficam as memórias, que ficam sempre no final de cada peça que "vale..." a pena fazer, e esta valeu, porque apesar de desentendimentos, e mágoas, e palavras que não deviam ter sido ditas e atitudes que deveriam ser melhor controladas e "diz que diz" atrás das portas quando há ouvidos atrás de outras portas e brincadeiras e as doenças a fulminarem todo o elenco e as tosses e o todos parados enquanto as portas não se fecham para esconder o público, e quando se fecham é tudo a andar na ponta dos pés de um lado para o outro. risos, gargalhadas e falta de paciência, e cima e baixo com aquelas escadas e a sobrevivência ao pó... fica tudo isto. e vai saber bem descansar (disto, porque descansar... ainda não sei quando) passa-se ao próximo "Tautologias"


estou orgulhoso!!!! :)

é o meu irmão! e é a primeira notícia publicada!
ver aqui

sexta-feira, outubro 26, 2007

+e mais emergências

isto são mais que coincidências... "é um tiro no inconsciente"

provavelmente o 1º primeiro foi pensado antes do 2º... mas eu fiz o 2º e não tinha visto o 1º... não que seja uma ideia brilhante (a dos puzzles) mas era engraçada, e eu queria utilizá-la. eis que no dia que apresento a minha proposta para o "tautologias", com encenação do João Mota, logo no dia a seguir recebo informação por mail do novo espectáculo da Assédio com a peça de Martim Crimp encenada pelo João Cardoso. Já não só o puzzle... o nome joão, e eles é que ficam com o Teatro Helena Sá e Costa. Então e nós? enfim...

quarta-feira, outubro 24, 2007

resposta


consegui. a voz resisistiu.

1.44 da manhã. e vejo fotografias de Robert Mapelthorpe. (ao lado num auto-retrato pessoal)

começa a incessante viagem pelo mundo das artes.

terça-feira, outubro 23, 2007

sem voz

hoje tenho espectáculo, e não tenho voz. questão: "como fazer um espectáculo de teatro sem voz?!?!?!" algo que descobrirei ainda hoje...

segunda-feira, outubro 22, 2007

versões de poesia aleatória

1ª versão
"O que se ouvia era amor"

Tudo o que passa, porque passa, é nada
Sou do Povo, sou do Mar
que a Lua em mim nascida em ti morria
nem que não durma
que grande tolo o padre confessor!

Se o destino cruel me nao consente
Uns acham bem, outros não;
Se o que oiço é silêncio
Depois de muito amar, amei-te ainda!
O que se ouvia era sempre o dobrar dos sinos.

Quando castos os Deuses se tornaram,
Na canícula dentro fulgurante
Tantos olhares de ódio
A sombra entre a mentira e a verdade...
até ao fim.

Saudosamente recordo
A borboleta que poisou
Cavell, nome de virgem feita estrela,
Coxa, boca,abraço, esteira
Em cada dia há mais dor.

E ainda, Ninfa minha, não bastava
A forma como eu dava...
(Não conseguia afastar o meu olhar)
Lutar contra o coraçãoé difícil.

2ªversão
"O que se ouvia era amor v.2"

Tudo o que passa, porque passa, é nada
que a Lua em mim nascida em ti morria
Uns acham bem, outros não.

Se o que oiço é silêncio
Depois de muito amor, amei-te ainda.
O que se ouvia sempre era o dobrar dos sinos!

Saudosamente recordo
Em cada dia há mais dor
Coxa, boca, abraço, esteira...

Lutar contra o coração é difícil!

sexta-feira, outubro 19, 2007

sem tempo.

é uma continuidade, a falta de tempo... perdemo-nos com tantos encontros, cafés, apontamentos e andar, andar e andar... interrogo-me sobre a resistência física do corpo, ao mesmo tempo que desejo que voltem todos aqueles que partiram, e anseio por um momento de descanso (embora saiba que no momento seguinte anseie por um momento ocupado e de trabalho que me agrade.) sinto saudades, cansaço, trsiteza, vontade de escrever, de ler... sinto-me confuso com este sol outonal.

domingo, outubro 14, 2007

pela pan rego

não é a descoberta que me faz escrever, mas sim o acaso e a surpresa de reparar que enquanto humanos podemos olhar infinitas vezes para a mesma coisa, achar-lhe beleza e sem nunca querer saber mais até que chega o momento que algo se acciona e percebemos o porquê de achar algo belo, já que a beleza "está nos olhos de quem vê". o caso das pinturas de Paula Rego, cujo surrealismo e imagens grotesca me causavam interesse e uma incapacidade de desviar o olhar porque elas são isso mesmo. o misto da curiosidade e de uma forma tão imperfeita que se trata da perfeição com que todos nós consguimos ver as coisas. é fácil escrever-se e achar belo sobre alguém que já atingiu o estatuto que nos leva a aferir imediatamente isso da sua obra, mas o meu julgamento baseia-se apenas (como o da grande maioria que não esteve presente aquando do seu inicio) naquilo que vejo.

Podemos encontrar uma verdade dentro de toda a distorção que existe na obra de pintora, é essa mesma desconfiança que surge no olhar das 'mulheres cão' de Paula Rego que nós temos perante as suas obras, olhamos para elas, assim como elas olham para nós, os traços fortes e pinceladas grossas são adequadas ao nosso quotidiano, á nossa maneira de ser, de tentar disfarçadamente ver o grotesco dos outros.

Descoberta, sim, foi passar pelos diferentes temas que influenciaram ou que destacam as diferentes obras da pintora e deparar com um imaginário que me fascina e que ela consegue trânspor para a tela num misto de inocência e perversidade que as personagens que constroem o universo das crianças tem encerradas em si.

imagem [Paula Rego 'Wendy Sewing on the Shadow' ] retirada aqui

14Out

domingo. [redundâncias]

ao som de St. Vincent, a minha mais recente descoberta.

sozinho em casa. os meus pais no futebol. (a ver o meu primo). solitário em frente ao computador organizo ficheiros de fotografias e ouço música.
ainda com sono. continuo a detestar os domingos. a música é boa.
o céu cobre-se com algumas nuvens e começo a sentir frio nos pés descalços
e penso, não cessa o pensamento.

fiquei contente com o contador que coloquei no blog das ProducõesSuplementares e do relógio que acrescentei aqui no blog (mesmo depois de [AMIGOS] e antes de [PARA VER E DESCOBRIR]) >>>>>>>>>

sábado, outubro 13, 2007

performance?

Cyber Love em construção
1. performance interactiva
2. material:
2.1 computador portátil (2)
2.2 compartimento pequeno forrado a papel de parede com uma secretária e uma cadeira, com desenho de luz e banda sonora.
2.3 messenger e e-mail predefinido
3. divide-se em duas fases.
3.1 1ª fase documentação, recolha de imagens dos intervenientes do público e respostas às perguntas. (*)
3.2 2ª fase montagem de uma vídeo/instalação com as reacções/respostas pós cyber-conversação (chatting via messenger)
4. fim da performance.
*(consruir questionário a partir de várias fontes de inspiração)
objectivo. colocar o público no lugar de interlocutor com alguém desconhecido via internet, através do conhecido programa messenger, num ambiente que proporciona ou estimula o estado da pessoa a se sentir confiante a integrar a performance. recolher informações a partir deste processo acerca do lugar que o amor, ou ese conceito, ocupa no nosso século, no nosso dia a dia. a sua importância. as suas vantagens, os inconvenientes, a disponibilidade de cada um.
a partir desta recolha aferir uma resposta, um processo de estudos de mercado, e possívelmente estatísticamente encontrar a resposta e construir uma performance/ vídeo instalação da visão do amor nos nossos dias. ou desse conceito, como cada um quiser.
poderá isto ser uma performance?

angels in america

nesta última semana consegui rever alguns episódios da série de 2003 'Angels in America', já na altura a tinha achado fantástica. Não só com um elenco fabuloso, caracterizações fenomenais, mas um texto que nos faz arrepiar de tanta poesia que traz nas palavras que são ditas a partir do original de Tony Kushner.

São seis episódios que poderiam cair no esquecimento se o tema abordado fosse apenas o da Sida e dos problemas adjacentes que surgiram com ela nos anos 70, mas para além desse tema são abordadas a vida de pessoas, pessoas que atravessam crises pessoais e vidas individuais que se misturam e se entrelaçam construindo uma teia de acontecimentos que, assim como nas tragédias, conduzem a um clímax intenso, preenchido de um surrealismo interno (perfeitamente bem conseguido) através das personagens que mergulham em alucinações que enganam a própria realidade.

Facilmente nos esquecemos dos grandes nomes que integram o elenco e passamos a ver personagens reais que se atormentam mutuamente, e um mundo exterior ao nosso, o dos anjos, que cai na Terra à procura de salvação. e não será verdade que todos nós andamos à frente do tempo, desejamos andar á frente do tempo e arrastamos a evolução atrás de nós. Esquecemo-nos que todos nós vivemos sem saber as coisas fundamentais da Vida, e lutamos diáriamente para encontrar as respostas e as saídas que nos podem dar pequenos momentos de felicidade. Não será tudo isto verdade?

Não sei, sei que a série está construída de tal maneira, que não parece ficção, quase que podemos acreditar que as revelações que nos são feitas podem ser reais e que vivemos em alucinações contínuas em que não nos permitimos dizer o mais verdadeira que há dentro de nós. A inocência prevalece nas personagens desta série que perderam o livre-arbítrio e estão condenados a seguir um caminho que por mais que fujam dele acabam sempre por voltar.

Para quem não viu, é de ver. Para quem viu é para relembrar... nem que seja pelas imagens, pela música, pelos créditos, pelas interpretações, pela história... enfim por tudo.

segunda-feira, outubro 08, 2007

faço imensos posts...

e no entanto não percebo porque é que os faço. de repente, desde que abri o blog parece que há uma necessidade de dizer coisas ao mundo, escrevê-las num sítio para serem lidas por alguém desconhecido. no tempo das cartas não havia nada disto, escrevia-se para a gaveta. é claro que não escrevo tudo, nem podia escrever tudo... mas às vezes não há assim tanto para escrever, torna-se um hábito, uma necessidade.
gostava de saber porquê?! porquê?!
desde quando é que acabou a idade dos "porquês?!", as pessoas deixaram de questionar, uma consequência de um mundo que deixou de se ouvir, de se ver.
hoje de manhã as ruas estavam um caos, o sono prendeu-me demasiado tempo à cama, esperei (esperei, note-se!) por um táxi na maia (na Maia!) e o mundo era cheio de nevoeiro e os meus olhos ensonados pediam para se fechar e o meu coração batia ansioso por lhe ser injectada tanta energia assim tão cedo.
gostava de querer não escrever, gostava de não sonhar, gostava de não esperar por um futuro melhor, gostava de não ter inveja, gostava que por um momento aquilo pelo que eu luto fosse reconhecido, gostava de ser recompensado pelo meu trabalho, gostava de saber mais acerca de tudo, e de ter mais paciência para saber mais acerca de tudo...
às vezes sinto-me burro e incompetente, sinto que não consigo fazer nada. ás vezes sinto isso... isso tudo e pergunto-me "porquê?!". gostava de pensar que amanhã tudo vai ser melhor. gostava de não querer pensar no amanhã e de não gostar daquilo que acabei de dizer que gostava antes de dizer que não queria pensar no amanhã.
O trânsito era intenso e ele sabia que ia chegar atrasado. Pensava, enquanto o táxi continuava parado, o que havia de dizer para se desculpar e chegava à conclusão que não tinha assim tanta importância, porque nos próximos dias (sim, nos próximos dias e semanas) ele não chegaria atrasado, obrigar-se-ia a nunca mais chegar atrasado. Ainda que conhecesse as fraquezas do seu corpo debilitado pelo cansaço extremo e vícios degenerativos, pensou que conseguiria, talvez, se o destino o ajudasse, chegar a tempo. E assim aconteceu, o destino (ou o que quer que fosse, pensou ele) permitiu que ele não chegasse atrasado.
Correu para chegar ao local combinado e viu, ainda no topo das escadas (que teria descido a correr noutro caso) que o tempo também se tinha atrasado. Sorriu, e todo o cansaço e sono, rapidamente, se apoderaram dele outra vez.

imagem

reunião com o encenador João Mota, leituras e leituras... decide-se o texto "filhos" uma colectânea de textos de autores catalães acerca de mães, filhos e pais... uma comédia, esperemos pelo resultado.
ás vezes gostava de saber o que é que se passa cá dentro, dentro de mim. sinto-me vazio, como se todos me ocultassem do mundo, passo como fantasma em dias como este. viajo de volta para casa no metro como fantasma e ninguém me vê, ninguém me ouve.
gostava de escrever coisas interessantes, talvez leiam e se interroguem, eu só gostava que não existisse o conceito de "futuro", aquele longíquo que não me deixa viver agora. esgravato e tenoto esgravatar não sei por onde e não encontro. valem-me as palavras que leio no fim de tarde que chego a casa, a caixa de correio guardava-me um sorriso de lisboa, da rua da rosa...

aparelho voador a baixa altitude

ando há anos para ver este filme e ainda não vi... como tantos outros, mas hoje lembrei-me deste.

para ti, se leres...




leio-te ao longe,
vejo-te perto de mim,
na madrugada procuro
as palavras sem som que lanças ao mundo
espero ansioso por te ler outra e outra vez
guardo a memória da tua voz,
já na saudade de te ouvir
em pleno, de te ouvir.

"será que sentem o cheiro da minha pele?"


“Multipliquem-se!”

Começa uma nova vida,
E antes que possas sentir a luz
Escondemos de ti o mundo,
Com sorrisos inesperados e
Olhares confusos.
Conversas intermináveis
De fins imprevistos
Afogam a tua presença e não és nada.
A memória permanece em coma
E apagamos o teu rasto antes de tudo.
Constantes os dias fluem e da tua presença
Nem um vislumbre ou sinal de alarme,
Tudo corre bem, esboçamos um sorriso.
Na eminência de seres pronunciado
Ocultamos da verdade todo o teu ser,
E aproxima-se a hora...
As bocas fechadas encerram pensamentos
Que rapidamente se confundem
Com pesadelos nunca relembrados.
Sente-se no ar o cheiro putrefacto e
Sorrimos novamente, sem pensar, sem falar.
Viagem curta que tomaste em tuas mãos,
Expulsar-te-ás a ti próprio,
E de repente és aquilo que sempre foste.
No nada tão presente és a memória,
Que desconheçemos, duma morte tão
Próxima da vida.
Acaba assim aquilo que nunca virá a ser.
“E no príncipio era o verbo...”...

fragmentos de 'vale o que vale'

a não perder, lá para os lados da Batalha... ...ps...

sábado, outubro 06, 2007

televisão.

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

gostei muito de ouvir, de ficar aqui no meu recanto e ouvi-la cantar... e foi na televisão, no mezzo, mas foi na televisão. ás vezes não é assim tão má...

"se esta rua fosse minha"

ontem, foi na Rua Cândido dos Reis, que a rua passou a ser de todos, desde os artistas às pessoas comuns, as pessoas da cidade, as famílias que passeavam em dia feriado e que (sabendo ou não do evento) encontravam uma rua plantada com paralelos na baixa do porto, as portas e janelas abertas como em tempos que só existem na nossa imaginação... a roupa pendurada em estendais na rua, uma passadeira que era um jardim de paralelos com flores de calçada que espreitavam ao sol, as montras cobertas com panos, que eram sucessivamente pintados, por todos que durante puderam ser artistas com a arte ali mesmo ao lado... histórias, free hugs, performances interactivas ( e outras menos conseguidas ), uma cabine telefónica, os sofás ali deixados, ali à espera que os corpos se sentassem nos seus couros e veludos e estampados antigos e rocócos, e descansassem... e que nesse descanso pudessem ver a rua, a festa, as pessoas, a batucada... atrás ou à frente ficavam as lojas e os espaços onde estavam instalações, exposições, e lojinhas com coisas peculiares e originais à venda... coisas de compotas e postais e hand-made bags e até um leilão por dois mascarados de mascarados de velharias e relíquias que eram demasiado caras para serem velhas...


Se esta rua fosse minha, eu vestia-a de trás para a frente com roupas de outros tempos, e mobílias de antigamente e caras de avós nas varandas e pais e filhos nas ruas, com balões a subirem em direcção ao céu e as árvores pintadas de amarelo seriam verdes ao sol e luminosas á noite... e toda a rua era minha e tua e nossa até a noite chegar e dormíamos todos no jardim da passadeira, bem juntinhos quentinhos uns com os outros como crianças... e a rua tinha sido nossa, tua e minha em sonhos e em verdade... em verdade se esta rua fosse minha fazia tudo aquilo que uma rua deixa fazer e mais e mais e mais... e mais não sei, desejava que houvesse mais ruas que pudessem ser minhas... nossas e de todos.

quinta-feira, outubro 04, 2007

mentira?! attention shop markers




enervo-me quando ouço dizer que o natal está próximo,
ainda agora é o quarto dia de Outubro e já estamos quase quase em 2008.


irrita-me, e depois vivemos todos nesta ansiedade, que já não é ansiedade do amanhã...é do daqui a um ano...
a imagem é a minha visão utópica do mundo consumista, e ao mesmo tempo a minha visão de como a inteligência humana é facilmente ludribiada.


signos, símbolos... tudo semiótica

quarta-feira, outubro 03, 2007

mothers will always be mothers

hoje de manhã no metro vinha um senhor sentado ao meu lado, uma viagem de 30minutos entre o Fórum Maia e a Trindade, e todo o caminho veio a falar com a sua mãe e a discutir. o assunto não entendi sobre o que é que era precisamente. mas fiquei a pensar que mães são mães sempre e em qualquer parte do mundo. Can't live with them, can't live without them!eheh A discussão prolongava-se porque a mãe não queria dar razão ao filho, e ele insistia para que ela a ouvisse, coisa que ela não fazia... enfim, uma discussão sem fim, "então vá mãe... até logo." acabou assim a conversa telefónica e o senhor envergonhado lá desligou o télemovel e colocou os óculos escuros para voltar a ser, face aos restantes desconhecidos que o acompanhavam, a pessoa independente que a sua imagem pretendia ser... sem mãe, sem família, sem compromissos, sem obrigações familiares...

terça-feira, outubro 02, 2007

somos eternos desconhecedores

Segredo

Oculto permanece em mim este medo,
Diferente de todos os outros que me afligem,
Esta agonia de fome constante,
De querer saber o que não se sabe,
De olhar para o futuro como um quadro
Que alguém pintou a negro,
A procurar espaço no meu corpo,
E que me corrói por fora, abrindo-se pela boca,
E iluminando os olhos de uma cegueira constante,
Que se perde nos pequenos pontos coloridos,
De uma televisão acesa numa tarde madrugada.
Procuro-me nos espelhos e nas montras da rua,
E vejo apenas as pessoas que cruzam o fundo
Onde eu pintado permaneço a ouvir este segredo
Dito por vozes que desconheço, que me acordavam
A meio da noite e que se calaram há muito tempo.
Diria que sou a permanência total, deste não lugar
Que ocupo num mundo não real,
Que se constrói a cada passo que dou, e se desmorona a seguir.
Não saber aquilo que não se sabe desde sempre,
Mesmo sem saber nada, é a máquina do meu viver.
Urgente esta necessidade de descobrir.
Fracos os animais que venceram
E que se deixam ser invencivéis, sem medos.
Destinados a olhar em frente e no passado
Uns óculos de sol escuros permancem na areia de uma praia
Qualquer praia, dessas que se dão ao mar sem saber porquê.
Eterno bater que agoniza os dias dos supremos
Reis, sentados em poltronas de ferro, que ouvem ruídos.
Sem tempo as bocas soltam demónios e matam-se inocentes
Nos cómodos recantos de cavernas sobrepostas.
Voltamos ao nada, e sem saber, procuramos
Esse medo que se deixa instalar sem receio
De destruir os corações mais puros
Se ainda existir puderem.
Morramos nesse segredo que é só nosso
E mais ninguém sabe.

ainda à procura

não deixo de querer saber mais sobre a performance... live art performance.
intriga-me a ideia da generalidade que lhe é atríbuida. ao mesmo tempo que o que lhe é característico é o que a torna interessante, é também o que se pode chamar de flop auto-induzido.
perguntas a responder:
qual o objectivo?
quais os limites?
ainda faz sentido?
o seu contributo como produto artístico para o conceito global de 'arte'?
o que é na realidade?
teatro, video-arte, dança, artes-plástica, conceptualismo minimal, o quê?
as perguntas podem não fazer muito sentido, mas são estas para já que não me deixam avançar...

segunda-feira, outubro 01, 2007

outub...ono

... enquanto o 55 é o nr favorito de uma 'muito querida' emigrante... :) por aqui o Inverno disfarça-se de Outono e prega partidas de fim de estação a quem já sente saudades do sol. Parece que volta a meio desta semana, mas o calor despede-se lentamente, e o frio vai ocupando subtilmente o seu lugar e já começam a sair das gavetas os casacos, não aqueles muito quentes, mas os de "meia-estação", e as sweats de manga comprida que já saltavam de tédio empilhadas umas sobre as outras... e o calçado já tem de ser duas vezes pensado porque já há poças de água nas ruas... quer seja da chuva miudinha que cai ou da condensação (mas de alguma coisa é).
ando cansado, o corpo ainda não se habitou a isto de todas as noites praticar a profissão (actor, não vá ser confundido e por ser de noite...eheh) e descansar enquanto a confusão na escola permite, para a semana é que vai ser bonito. acho melhor começar a praticar já agora para o ritmo que se aproxima... todos os dias espectáculo e acordar cedo para começar a estudar e a preparar um novo, agora da escola. Pelo menos é bom enquanto dura, vai de certeza haver um futuro em que gostarei decerto de voltar a ser hoje e amanhã e ontem... a ser novamente este outono e ter saudades da amiguinha que adopta Londres todos os dias mais um bocadinho.
Tenho dores na garganta, talvez seja do tempo, mas tenho de beber chá... de perpétuas roxas e de gengibre, este último é só uma vez por semana porque queima as entranhas, queima até a alma... tão evoluídos e ainda a confiar nas mezinhas que nunca deixaram ficar mal... :)
O tempo é este e não há nada a fazer, contra o corpo mais vale deixá-lo descansar nos dias que pode e não exagerar... e fico a ouvir um bom-bom do jazz. Trijntje Oosterhuis .. estou a ouvir "Strange Fruit"

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