sábado, outubro 13, 2007

angels in america

nesta última semana consegui rever alguns episódios da série de 2003 'Angels in America', já na altura a tinha achado fantástica. Não só com um elenco fabuloso, caracterizações fenomenais, mas um texto que nos faz arrepiar de tanta poesia que traz nas palavras que são ditas a partir do original de Tony Kushner.

São seis episódios que poderiam cair no esquecimento se o tema abordado fosse apenas o da Sida e dos problemas adjacentes que surgiram com ela nos anos 70, mas para além desse tema são abordadas a vida de pessoas, pessoas que atravessam crises pessoais e vidas individuais que se misturam e se entrelaçam construindo uma teia de acontecimentos que, assim como nas tragédias, conduzem a um clímax intenso, preenchido de um surrealismo interno (perfeitamente bem conseguido) através das personagens que mergulham em alucinações que enganam a própria realidade.

Facilmente nos esquecemos dos grandes nomes que integram o elenco e passamos a ver personagens reais que se atormentam mutuamente, e um mundo exterior ao nosso, o dos anjos, que cai na Terra à procura de salvação. e não será verdade que todos nós andamos à frente do tempo, desejamos andar á frente do tempo e arrastamos a evolução atrás de nós. Esquecemo-nos que todos nós vivemos sem saber as coisas fundamentais da Vida, e lutamos diáriamente para encontrar as respostas e as saídas que nos podem dar pequenos momentos de felicidade. Não será tudo isto verdade?

Não sei, sei que a série está construída de tal maneira, que não parece ficção, quase que podemos acreditar que as revelações que nos são feitas podem ser reais e que vivemos em alucinações contínuas em que não nos permitimos dizer o mais verdadeira que há dentro de nós. A inocência prevalece nas personagens desta série que perderam o livre-arbítrio e estão condenados a seguir um caminho que por mais que fujam dele acabam sempre por voltar.

Para quem não viu, é de ver. Para quem viu é para relembrar... nem que seja pelas imagens, pela música, pelos créditos, pelas interpretações, pela história... enfim por tudo.

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