segunda-feira, outubro 08, 2007

faço imensos posts...

e no entanto não percebo porque é que os faço. de repente, desde que abri o blog parece que há uma necessidade de dizer coisas ao mundo, escrevê-las num sítio para serem lidas por alguém desconhecido. no tempo das cartas não havia nada disto, escrevia-se para a gaveta. é claro que não escrevo tudo, nem podia escrever tudo... mas às vezes não há assim tanto para escrever, torna-se um hábito, uma necessidade.
gostava de saber porquê?! porquê?!
desde quando é que acabou a idade dos "porquês?!", as pessoas deixaram de questionar, uma consequência de um mundo que deixou de se ouvir, de se ver.
hoje de manhã as ruas estavam um caos, o sono prendeu-me demasiado tempo à cama, esperei (esperei, note-se!) por um táxi na maia (na Maia!) e o mundo era cheio de nevoeiro e os meus olhos ensonados pediam para se fechar e o meu coração batia ansioso por lhe ser injectada tanta energia assim tão cedo.
gostava de querer não escrever, gostava de não sonhar, gostava de não esperar por um futuro melhor, gostava de não ter inveja, gostava que por um momento aquilo pelo que eu luto fosse reconhecido, gostava de ser recompensado pelo meu trabalho, gostava de saber mais acerca de tudo, e de ter mais paciência para saber mais acerca de tudo...
às vezes sinto-me burro e incompetente, sinto que não consigo fazer nada. ás vezes sinto isso... isso tudo e pergunto-me "porquê?!". gostava de pensar que amanhã tudo vai ser melhor. gostava de não querer pensar no amanhã e de não gostar daquilo que acabei de dizer que gostava antes de dizer que não queria pensar no amanhã.
O trânsito era intenso e ele sabia que ia chegar atrasado. Pensava, enquanto o táxi continuava parado, o que havia de dizer para se desculpar e chegava à conclusão que não tinha assim tanta importância, porque nos próximos dias (sim, nos próximos dias e semanas) ele não chegaria atrasado, obrigar-se-ia a nunca mais chegar atrasado. Ainda que conhecesse as fraquezas do seu corpo debilitado pelo cansaço extremo e vícios degenerativos, pensou que conseguiria, talvez, se o destino o ajudasse, chegar a tempo. E assim aconteceu, o destino (ou o que quer que fosse, pensou ele) permitiu que ele não chegasse atrasado.
Correu para chegar ao local combinado e viu, ainda no topo das escadas (que teria descido a correr noutro caso) que o tempo também se tinha atrasado. Sorriu, e todo o cansaço e sono, rapidamente, se apoderaram dele outra vez.

imagem

reunião com o encenador João Mota, leituras e leituras... decide-se o texto "filhos" uma colectânea de textos de autores catalães acerca de mães, filhos e pais... uma comédia, esperemos pelo resultado.
ás vezes gostava de saber o que é que se passa cá dentro, dentro de mim. sinto-me vazio, como se todos me ocultassem do mundo, passo como fantasma em dias como este. viajo de volta para casa no metro como fantasma e ninguém me vê, ninguém me ouve.
gostava de escrever coisas interessantes, talvez leiam e se interroguem, eu só gostava que não existisse o conceito de "futuro", aquele longíquo que não me deixa viver agora. esgravato e tenoto esgravatar não sei por onde e não encontro. valem-me as palavras que leio no fim de tarde que chego a casa, a caixa de correio guardava-me um sorriso de lisboa, da rua da rosa...

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