domingo, outubro 14, 2007

pela pan rego

não é a descoberta que me faz escrever, mas sim o acaso e a surpresa de reparar que enquanto humanos podemos olhar infinitas vezes para a mesma coisa, achar-lhe beleza e sem nunca querer saber mais até que chega o momento que algo se acciona e percebemos o porquê de achar algo belo, já que a beleza "está nos olhos de quem vê". o caso das pinturas de Paula Rego, cujo surrealismo e imagens grotesca me causavam interesse e uma incapacidade de desviar o olhar porque elas são isso mesmo. o misto da curiosidade e de uma forma tão imperfeita que se trata da perfeição com que todos nós consguimos ver as coisas. é fácil escrever-se e achar belo sobre alguém que já atingiu o estatuto que nos leva a aferir imediatamente isso da sua obra, mas o meu julgamento baseia-se apenas (como o da grande maioria que não esteve presente aquando do seu inicio) naquilo que vejo.

Podemos encontrar uma verdade dentro de toda a distorção que existe na obra de pintora, é essa mesma desconfiança que surge no olhar das 'mulheres cão' de Paula Rego que nós temos perante as suas obras, olhamos para elas, assim como elas olham para nós, os traços fortes e pinceladas grossas são adequadas ao nosso quotidiano, á nossa maneira de ser, de tentar disfarçadamente ver o grotesco dos outros.

Descoberta, sim, foi passar pelos diferentes temas que influenciaram ou que destacam as diferentes obras da pintora e deparar com um imaginário que me fascina e que ela consegue trânspor para a tela num misto de inocência e perversidade que as personagens que constroem o universo das crianças tem encerradas em si.

imagem [Paula Rego 'Wendy Sewing on the Shadow' ] retirada aqui

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