sábado, outubro 06, 2007

"se esta rua fosse minha"

ontem, foi na Rua Cândido dos Reis, que a rua passou a ser de todos, desde os artistas às pessoas comuns, as pessoas da cidade, as famílias que passeavam em dia feriado e que (sabendo ou não do evento) encontravam uma rua plantada com paralelos na baixa do porto, as portas e janelas abertas como em tempos que só existem na nossa imaginação... a roupa pendurada em estendais na rua, uma passadeira que era um jardim de paralelos com flores de calçada que espreitavam ao sol, as montras cobertas com panos, que eram sucessivamente pintados, por todos que durante puderam ser artistas com a arte ali mesmo ao lado... histórias, free hugs, performances interactivas ( e outras menos conseguidas ), uma cabine telefónica, os sofás ali deixados, ali à espera que os corpos se sentassem nos seus couros e veludos e estampados antigos e rocócos, e descansassem... e que nesse descanso pudessem ver a rua, a festa, as pessoas, a batucada... atrás ou à frente ficavam as lojas e os espaços onde estavam instalações, exposições, e lojinhas com coisas peculiares e originais à venda... coisas de compotas e postais e hand-made bags e até um leilão por dois mascarados de mascarados de velharias e relíquias que eram demasiado caras para serem velhas...


Se esta rua fosse minha, eu vestia-a de trás para a frente com roupas de outros tempos, e mobílias de antigamente e caras de avós nas varandas e pais e filhos nas ruas, com balões a subirem em direcção ao céu e as árvores pintadas de amarelo seriam verdes ao sol e luminosas á noite... e toda a rua era minha e tua e nossa até a noite chegar e dormíamos todos no jardim da passadeira, bem juntinhos quentinhos uns com os outros como crianças... e a rua tinha sido nossa, tua e minha em sonhos e em verdade... em verdade se esta rua fosse minha fazia tudo aquilo que uma rua deixa fazer e mais e mais e mais... e mais não sei, desejava que houvesse mais ruas que pudessem ser minhas... nossas e de todos.

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