terça-feira, outubro 02, 2007

somos eternos desconhecedores

Segredo

Oculto permanece em mim este medo,
Diferente de todos os outros que me afligem,
Esta agonia de fome constante,
De querer saber o que não se sabe,
De olhar para o futuro como um quadro
Que alguém pintou a negro,
A procurar espaço no meu corpo,
E que me corrói por fora, abrindo-se pela boca,
E iluminando os olhos de uma cegueira constante,
Que se perde nos pequenos pontos coloridos,
De uma televisão acesa numa tarde madrugada.
Procuro-me nos espelhos e nas montras da rua,
E vejo apenas as pessoas que cruzam o fundo
Onde eu pintado permaneço a ouvir este segredo
Dito por vozes que desconheço, que me acordavam
A meio da noite e que se calaram há muito tempo.
Diria que sou a permanência total, deste não lugar
Que ocupo num mundo não real,
Que se constrói a cada passo que dou, e se desmorona a seguir.
Não saber aquilo que não se sabe desde sempre,
Mesmo sem saber nada, é a máquina do meu viver.
Urgente esta necessidade de descobrir.
Fracos os animais que venceram
E que se deixam ser invencivéis, sem medos.
Destinados a olhar em frente e no passado
Uns óculos de sol escuros permancem na areia de uma praia
Qualquer praia, dessas que se dão ao mar sem saber porquê.
Eterno bater que agoniza os dias dos supremos
Reis, sentados em poltronas de ferro, que ouvem ruídos.
Sem tempo as bocas soltam demónios e matam-se inocentes
Nos cómodos recantos de cavernas sobrepostas.
Voltamos ao nada, e sem saber, procuramos
Esse medo que se deixa instalar sem receio
De destruir os corações mais puros
Se ainda existir puderem.
Morramos nesse segredo que é só nosso
E mais ninguém sabe.

Sem comentários:

Seguidores