quinta-feira, novembro 29, 2007

no moon at all

Ontem vinha a olhar para a lua, enquanto vinha de carro com o meu pai. a rádio passava estática, o meu pai calado conduzia, cansado, e eu bocejava entretido a olhar para ela.
nunca liguei muito, mas sempre me atraiu a sua estranha beleza e ontem a sua estranheza deixou-me intrigado. ao pensar na imensidão de espaço que existe lá fora... em tudo aquilo que há para além de nós, e para além do próprio mundo.
senti-me pequeno, minúsculo e lembrei-me de como me afectava tanta imensidão quando era criança... o que estaríamos noós aqui a fazer, perdidos no meio do universo, a tentar sobreviver... a tentar encontrar um lugar no mundo.
e o nosso lugar no universo? será que sobrevivemos para nada...
temos que acreditar em algo. têm que nos dizer algo, alguma coisa, toda a vida para que continuemos.
dizem que a lua muda e nós mudamos com ela... e então anda tudo louco porque nem a lua anda bem.
ontem parecia uma 'eyeball' pendurada no imenso tecto escuro, um candeeiro que nos ilumina nocturnamente.
pergunto-me e a poesia trava-se dentro do meu corpo, e escrevo em contínuo sobre a lua, sobre o seu brilho, sobre a maneira como flutuava ontem na imensidão do espaço, de como se agarrava à Terra como o seu bote salva-vidas num oceano imenso e infinito.
pergunto-me se haverá respostas, se a lua é só mais um artifício, e se quando não há lua então o universo deixa de existir e ficamos sós e abandonados, á espera da lua nova...
No moon at all, by Nana Mouskouri
No moon at all
What a night
Even livened bugs empty their light
Stars have disappeared from sight
And there's no moon at all
Don't make a sound it's so dark
Even fido he's afraid to bark
What a perfect chance to park
And there's no moon at all
Should we want atmosphere
For inspiration be one kiss
Will make it clear
That tonight is right
And right from life nights
Interfere
No moon at all
Ah poor boy
This is nothing
Like they told us of
Just to think
We fell in love
There's no moon at all
And there's no moon at all
And there's no moon at all

speechless

A ausência da palavra, os argumentistas fazem boicote em hollywood.

este é só um dos exemplos.

mesmo assim a susan sarandon consegue ser boa, mesmo depois de a ter visto em "rocky horror picture show", mas e daí todos nós temos maus dias...

opiniões

hugo ball

"O Teatro já não faz sentido. Quem quer representar actualmente, ou mesmo ver alguém a representar? [...] Os meus sentimentos sobre o teatro são os que deve ter um homem que foi subitamente decapitado."

segunda-feira, novembro 26, 2007

nova adaptação de Lee Beagley


para quem quiser ler...

o fim de "13poemas1coveiro e uma noite"

Sempre pensei que vida seria assim, tu e eu sentados naquele sofá, e tudo fosse simplesmente desprovido de sentido, ou assim tão simples. Que fossem aqueles desenhos animados, que mais tarde depois de tu e eu estarmos assim, na candidez da meninice, ganhavam cor...
Subo, subo ainda esta estrada, e penso em ti, no tudo que eu conheço, já subi muito, à pouco uma placa dizia, [INFINITO] e dizia para seguir em frente, para continuar a subir, mas não vejo por onde se suba mais, e é o nada. cheguei ao topo e outra placa diz o mesmo, agora desço, desço esta estrada que me guia até ao infinito, e quando aí chegar encontro as paredes de acabam esse infinito, e conheço o nada, e simplesmente o nada é o caminho desta estrada.... as pessoas, as imagens, os carros, parecem passar por mim, sem que me vejam, e as montras, as lojas ...

Caminho na noite, e falo para que as estrelas me ouçam, e se embrulhem com as minhas palavras, e tudo seja dito para que a noite ouça, e nesse escuro que as palavras ganhem forma, e seja um meteorito de palavras, cheio de sentido, tudo bem organizado, e a cauda de gelo, serão os sinais de pontuação desordenados. E digo estas palavras, para que o vento aqui, que bate na minha cara, esta brisa ainda que leve, mas gelada, que me gela os ossos, e os ossos de quem me conhece, esse vento, aquilo que chamo vento, leve as minhas palavras, o que o meu pensamento fala, sem saber dizer e ultrapasse as camadas terrestres, e chegue ao universo, e que as estrelas, e os sistemas solares se juntem numa amalgama de palavras e construam um poema de palavras, de letras com sinais de pontuação, e que cosmos se organize para criar a perfeição da palavra e aí, qual jogo de brincar, salte de buraco negro em buraco negro e que as estrelas sejam curiosas e vejam o que acontece (falo para que a noite me ouça, e leve consigo as palavras que não digo a ninguém, e quem as ouça, essa noite de estrelas e de lua, que me ouvem, e ouvem os meus passos nesta rua, sozinho, e as luzes, luzes citadinas, e urbanas, preenchem a vontade de estar sozinho, falo para que a noite que é plena me ouça no seu silêncio tão dela) e que sejam o infinito, e que as palavras que a noite apanhou da boca, dos lábios que enunciaram pensamentos, se libertem nos circuitos astronómicos, nessas estradas de pó de estrelas que constróem o universo povoado de edifícios intergalácticos, e sigam em frente e que por esse infinito encontrem as paredes que definem o fim, e ai a força das estrelas desconhecidas, seja uma só, e as palavras encontrem os poros por onde este universo respira, por essa parede e saiam, fazendo reverbar os instrumentos sonoros de quem ouve as noticias do espaço, e que esses seres, que o mundo alienígena, que essas formas de vida, que existem muito para além de todo o universo, ouçam a nossa tão primária forma de dizer amor, de falar amor, e de querer amor, e cessem de nos procurar, mas que ouçam as palavras cheias da magia das estrelas, e ouçam a perfeição dum amor tão arcaico, mas tão genuíno, tão solitário, tão nada e tão belo.

...as montras das lojas são como espaços que transparecem esse nada, e as lojas guardam pessoas que se movem incessantemente lá dentro, por detrás do vidro à prova de bala, e só vemos os vultos, de pessoas que são vazias, que são nadas, prontas para atenderem pedidos de nada, pedidos vazios sem sentido de nada, vazios do tudo.
E se tudo isto for o nada – continuo a descer a rua, desço rápido e por vezes tudo pára e eu desço muito lentamente, como uma contradição minha e do universo – a noite ouve as palavras que se desprendem do meu corpo, a esta noite acompanha-me, nesta estrada que desço, agora desço e olho para as estrelas, e por um momento acho que me perdi, mas seria impossível, a estrada é a direito e no nada não nos perdemos, porque só perdemos o tudo, e o nada (não faço sentido) esta noite, e como todas as outras tão magnificamente bela, tão magnificamente só
Chorei, hoje á tarde, chorei, (esta mulher que sai, abandona uma porta que fecha uma casa, espreito antes de ela a fechar não vejo nada) chorei não sei muito bem porquê, chorei por mim, chorei para dentro e para fora de mim e do meu coração eclodiu um outro, e um outro, e um outro, e tantos outros, como uma rosa que se desfaz em pétalas. Chorei, pela noite, pelas estrelas, pela beleza, pelas palavras, ( chorei talvez pelo saco que aquela mulher levava na mão ), chorei pelas pessoas, chorei pelo mundo, chorei pela memória de ti e de mim juntos em frente aquela televisão, chorei pela simplicidade das coisas, chorei pela vontade de ser, chorei pela vontade de não ser mais, chorei pela prostituta, chorei pelo chulo, chorei pelo cozinheiro, chorei pela saudade, chorei com vontade, chorei por me estar a desfazer, chorei pelo chão, chorei por esta estrada, chorei por ti e por mim, chorei pelo tudo e pelo nada, chorei talvez pelo olhar triste de aquele que passou por mim (mesmo agora)... chorei pelo nada mais que tudo.
Continuo a descer, e já andei muito e a estrada debaixo dos meus pés, deixou há bastante tempo (talvez... não sei) de ser a estrada que subia e que comecei a descer, há um misto de decadência e beleza na sua definição, encontro-me sobre ela, e ao mesmo tempo reflectido e afundado nela. Desço, olho para traz e a noite vai cobrindo o que vou deixando, talvez por que noite é sábia e não que veja, não quer que ouça os passos de um alguém que não é ninguém, e tudo resto é mudo, sem som, a vida deixa de ter vida e agora sou só eu e a noite, e lembro-me de mim, de ti, de, de mim, de nós. A estrada agora a pique, lembro-me do táxi. Ao fundo da rua, como se fosse o farol de uma mota ao longe, e flashs de luz cegam a noite e torna-se dia e vejo o horror (o mundo sem nada), de novo tudo ás escuras de novo. Continuo a descer e esse farol é cada vez mais forte, mais presente nesta estrada que me leva, que conduz os meus passos ao infinito, e agora que chego ao final, sinto-o mais perto, esqueço-me do caminho que fica para trás, e a velocidade não existe, a noite é o dia sem luz, as estrelas guardam o segredo das minhas palavras, a lua esconde-se só, muito só. e eu aqui aproximo-me do farol, dessa viatura (um carro com a lâmpada de um farol fundido, uma motorizada talvez uma bicicleta daquelas em que os avós andavam e se deslocavam com aquele farolim, tão típico, aceso) que atravessa o meu mundo, mas que não se aproxima, que viaja na noite escura, essa noite que me acompanha cheia de lua e estrelas que se misturam com aquilo que penso agora que falo, digo, escrevo na noite, em linhas que as estrelas constróem só para mim, para que todo o meu ser se exprima numa vontade só. eu assim. Aproximo-me do farol enquanto continuo, calmo, só, acompanhado de mim, nessa estrada que parece estar a chegar ao fim, porque não há mais nada, e o farol ilumina em contraluz duas silhuetas que ao longe parecem ser figuras de cartão preto recortadas por uma luz brilhante...desço, e ganham forma espessura, dimensão, assim como as palavras ganham forma fora de mim, e as estrelas as conduzem a formarem frases cheias de sentido e se perdem na noite que as transporta para um infinito que não se conhece e é desmedidamente enorme, um infinito que quase parece não ter fim. Os meus passos lentos, mas alarmam o mundo da minha presença, e toda esta noite esta solidão suspende a minha respiração, e caminho sem que respirar seja mais preciso, fundamental, e só os meus passos denunciam o meu ser na noite vazia, sem nada, sem vivalma, sem o choro que ouvi de mim pelas pessoas pelo mundo, sem vivalma, continuo nesta rampa de estrada que designa o fim sem mais principio (onde deixei o tazi, perdido também na noite, onde abandonei as pessoas que viviam as vidas calmas onde não há estrelas nem lua, nem brisa que as acompanhem), e são dois vultos, reparo nesse farol, que transmite juntamente e cheio de interferências de mensagens de seres que não conhecemos, que vivem a anos luz, naquele infinito que se perde nele próprio e que se prolonga nele mesmo sem sequer saber onde acaba ou onde começa, essa emissão a preto e branco de desenhos que se movem cheios de cor, e duas sombras que se tocam na simplicidade e na cumplicidade cheia de ternura dão duas mãos dadas numa tarde de verão, dois corpos infantis suados que de tão puros se tornam e são defeitos de todas as pessoas que foram vitimas das lágrimas. Essas duas sombras que estafadas, são nada mais que duas crianças que brilham, onde as faces brilham ao som da interferência da emissão de desenhos animados, desse farol que não é de nenhuma viatura nem em movimento nem parada e que ilumina com a sua radiação os corpos suados de brincadeiras, de escondidas, de jogos eternos cheios de riso e vontade. As duas sombras que somos tu e eu. E aproximo-me enquanto dou os últimos dois passos, na noite, nessa noite emitida pela luz da lua e das estrelas que se perdem nas palavras, e sou a memória de ti, e de ti e de mim, sentados, juntos. Crianças cansadas, suadas, mortas de brincar, de viverem na memória de alguém, de ti e de mim, e dessa viagem de táxi, e de olhos pousados em montras, em cafés por mexer, em colheres e serviços de prata. Não me aproximo mais, e vejo ali, o farol iluminado como que a guiar dois veleiros que fogem no mar, que dão luz a essas duas mãos que se agarram com unham cobertas de terra, de lama, de erva verde, de cheiros de uma tarde de verão, e nesta noite chego aqui ao fim da rua e lembro assim, de ti. De ti e de mim, de nós.
E o táxi que vagueia por outras ruas, sem destino ao som de uma música de jazz que toca por engano, num rádio que recebe as interferências de todos os outros táxis perdidos como ele na noite, e o homem sentado no lugar do condutor que fuma um cigarro que nunca mais acaba, um cigarro que se acende e logo perde a força nessa noite cheia de infinito, cheia de finalidade, cheia de estrelas e de lua, e de mensagens que chegam, que se ouvem perdidas e melancólicas com o som do rádio que toca uma música que muda de vez em quando, e que é infinita como o universo e que tenta improficuamente ser e ler as mensagens de uma forma de amor tão primária, e a voz que chega, que interrompe a fragilidade do acontecer, do cigarro, do carro parado, da música transmitida pelas estrelas e para que as outras estrelas e outras mais a ouçam, essa voz que gutural e radiofónica é daquela mulher sentada, sentada, sentada. Sentada na noite, e eu não avanço mais, e a mulher: sentada que já se esqueceu do meu recado apontado em folhas amarelas que se destacam de outras folhas amarelas e que se amarram aos dedos, às mãos, às paredes e que ali ficam a serem escondidas por outras mais, por recados de outras vozes, e de outras bocas, de outros lábios que como eu, assim, sobem e descem ruas e a noite mastiga o que fica para traz e alimenta as estrelas do universo, infinitamente. Essa mulher: sentada, numa cadeira que gira, e que transfigura as memória de mim e de ti, de ti, de nós. E é ela numa noite que suada vem, arranjada, vestida de perfume barato, escondida pelos olhos que se fecham e abrem nas lentes que aumentas e clarificam a noite. Essa noite que me engole a mim e a ti, e ao homem, e aos outros, e a ela que se senta ali, que mecanicamente repete aquilo que o seu cérebro entende que o ouvido ouviu, e que as folhas amarelas já esqueceram.
A mulher que pega numa revista que tira da mala do meio de tantas outras revistas e objectos minúsculos de caracter extremamente feminino, que tira a revista e lê desinteressadamente sem se preocupar com as vidas que percorrem as ruas fora da sua própria vida, mulher que se esquece assim sem mais nem porquê.

domingo, novembro 25, 2007

contagem decrescente

25 de novembro, falta um mês para o Natal.

não que alguém se tenha esquecido de anunciar, porque as ruas da cidade da invicta já se vestiram pelo menos á 15dias de cores e luzes natalícias, estávamos ainda em inicios de Outubro e a Papélia já tinha uma árvore de Natal estilizada na montra.
Será que não encontramos descanso nos dias em que vivemos, o medo de não haver nada, simplesmente nada, assusta assim tanto?

falta um mês, comecem a contar...
e só para aguçar a ansiedade do futuro, 2008 está quase a chegar...

bom domingo.

quinta-feira, novembro 22, 2007

ronald mac donald

breve.

ronald mac donald: "sabes porque é que eu me visto de amarelo?"
D: não.
ronald mac donald: "porque é a primeira cor que as crianças na infância reconhecem."
D: (?!)

em tom de comic stripe. evento real.

estúdio aberto

amanhã. entrada livre (23/11/2007)
14.30 - Contagiarte

ESTÚDIO ABERTO - COACHING LAB (rafael alvarez)

coordenação > Rafael Alvarez
em colaboração com > João Oliveira
observador > André Soares
Com a participação de > Alexandre Osório, Ana Lúcia Cruz, Cristiana Rocha, Daniel Pinheiro, Flávio Rodrigues e Nuno Veiga


Laboratório focado num programa de coaching e feed-back para coreógrafos e outros criadores, proporcionando um espaço privilegiado à pesquisa, questionamento e experimentação de práticas coreográficas centradas num discurso autoral e no formato solo.
Partindo do desenvolvimento aprofundado de pesquisas e experiências que associem, cruzem ou problematizem o papel dos objectos em torno da criação coreográfica.
Permitindo aos criadores participantes definir e reequacionar o seu próprio vocabulário e adquirir uma distância crítica face à sua obra, analisando o seu trabalho, os seus enunciados e os seus métodos.

Co-produção Núcleo de Experimentação Coreográfica / Eira
Apoio Contagiarte


daniel pinheiro - (decidi dar nome ao meu.)

empty dress(ing). - vesti(do) vazio. [work in progress]

inverno

chegou o inverno, a chuva, e os que tanto odeio - guarda-chuvas!!!!! disseram que havia sol até ao final de 2007, mas as nuvens aproximam-se cada vez mais e parecem que vão ficar...
entretanto acabou o 'tautologias', uma óptima experiência com o sr. joão mota. um espectáculo cheio de humor e a cidade precisa disso... precisa de novos espaços, com novas coisas, coisas interessantes que comovam, que mexam com o público, quer seja pelo riso, pelo choque.... pelo interessante.

cansa-me esta ideia de pseudo-intelectualisse (ainda que o possa parecer de vez em quando, só pelo simples facto de o dizer) mas cansa-me e a paciência perde-se esgota-se. e quando já só existe o prazer então ficamos contentes.
trabalho agora com rafael alvarez num COACHING-LAB promovido pelo NEC.
trabalha-se o pensamento sobre o objecto, a utilização do objecto, o(s) objecto(s) como prolongamento do "eu" (pessoa, criador), a identidade como objecto, o objecto definidor da própria identidade.

conceitos que me introduzem no caminho da performance, que me fazem pensar. a estilização do movimento, o próprio corpo como objecto para além dos objectos, o minimalismo, o conceptualismo, o vazio, será que tudo isto não despe o arte do objecto artístico que deve ser(?), a não-personagem, o "eu" objecto observado propositadamente observado.__________

colecção privada.: i.d. (5 objectos identificativos da minha personalidade)

  • dvd "mulholland drive" [david lynch]
  • passpartout [vazio]
  • envelope com fotografias [relativas à minha infância, pais e familía]
  • livro de trabalhos de David La Chappelle [TASCHEN]
  • caderno A6, capa preta [apontamentos, colagens e desenhos - pessoal]
colecção p/ trabalho:.

  • vestido preto, curto, justo, de mulher - já anteriormente utilizado como figurino num espectáculo [Cadáver Sem Título]
  • lanterna
  • fio de luzes de natal [inutilizado]
  • (posteriormente) caixa de metal + fio de lã
  • música

objectivos.: trabalhar o vazio, a transformação da identidade, o objecto 'VESTIDO' especificamente, como símbolo, como portador de vazio, próprio símbolo da transformação.





domingo, novembro 18, 2007

volto a escrever

finalmente consigo escrever, depois de tanto tempo. últimamente só tenho aparecido para fazer posts imediatos, alguns deles sem sentido, só porque sim (porque me apetece)... todo o ser humano é um animal de hábitos, que se criam para simplificar e de repente vêmo-nos a ser engolidos por eles...
ontem foi o meu aniversário, não posso dizer que tenha começado bem o dia, mas acabou por ser bom, por estar com pessoas que já não estava há muito tempo e com outras que me acompanham e que andam sempre comigo, mesmo quando estou sozinho. fizeram falta aqueles que não puderam estar, os amigos que estão longe e que a distância aumenta o sentimento que se lhes têm. se lerem isto, tenho saudades...
os que estiveram significam muito e isso fez-me ficar feliz.
a sala de teatro estava cheia, o público adorou, nós (modéstia à parte) estivemos muito bem e os parabéns à saída eram em dose dupla. sorria...
são frágeis os aniversários, porque nos marcam, porque existem, e porque nos lembram da nossa existência, da nossa passagem por este mundo, por esta vida. a fragilidade existe quando vivemos à frente daquilo que realmente estamos a viver e para mim parece que o tempo se esgota demasiado rápido, se esfuma, e perco-o por entre as futilidades do ócio, ainda que o rodopio de trabalho seja constante, envelheço, envelhecemos e nem damos por isso, até que acordamos um dia e é o nosso aniversário (quer se lembrem ou não, quer façam disso uma data importante ou não...) amnésia geral era o antídoto ideal. e daí talvez não... perdia-se tanta coisa, perdiam-se tantas coisas que não queremos perder...
há caminhos turbulentos, estradas complicadas, mas por vezes é nessas que temos que seguir para chegar ao sítio que queremos (ou não), chegar simplesmente a um sítio que somos nós que o construímos e o destruímos vezes sem conta, repetidamente, até ao fim da viagem. quem nos diz que aquilo a que se chama destino não é simplesmente uma projecção daquilo que fomos desejando e deixando para trás à medida que seguíamos em frente?
já não sei se de mim quero aquilo que queria, porque entretanto já esqueci o que queria para querer o que quero agora, e aquilo que quero agora é aquilo que eu já quis, mas quero-o sempre de outra forma, porque de uma maneira ou de outra vamos sempre conseguindo alguma coisa daquilo que julgamos querer e esquecemo-nos daquilo que queríamos, como verdadeiras crianças.
só, sem tempo, de madrugada, no escuro, penso e repenso e tento procurar o meu futuro, tento sempre encontrar o meu futuro, incessantemente a procurar e julgo que me passa ao lado, sinto-o como uma leve aragem que tenta derrubar o meu corpo e prender-me a atenção.
é sempre tanta coisa. que ás vezes nem é nada.
hoje escrevo apenas, as letras e as palavras que tenho saudades de escrever, e deixo as imagens e as músicas para outras alturas, para dias de sol que não hão-de faltar para iluminar um natal que começa sempre cedo demais e acaba tarde demais, e enjoa de tanto natal que se quer viver e ninguém vive, anseia-se para que termine e com ele as preocupações natalícias que apressam tudo e todos à última da hora.
hoje inaugurou-se a maior árvore de natal da europa, no meio na avenida dos aliados (que bom, a maior...) enfim.
hoje o espectáculo teve pouca energia.
hoje o joão mota não assistiu.
hoje decidi descansar do mundo.
hoje escrevo o que sinto, o que me atravessa o espírito.
hoje não escrevo tudo...
hoje já não sou o aniversário.
hoje sou eu
com um novo perfume, um dvd e um livro.
hoje na realidade já não é hoje
porque é nestas horas
que o dia não tem nome
e avança para o amanhã.

sexta-feira, novembro 16, 2007

16/11

celebração.


aniversário.

data.


nascimento.




não conhecia... pelos "Beatles"..

sábado, novembro 10, 2007

ESTREIA

ESTREIA

13 a 20 Novembro
todos os dias pelas 21.30h
(R. do Heroísmo, 86 - Porto)
mais informações acerca de reservas e localização do espaço no blog.
1€ contribuição para famílias disfuncionais




sexta-feira, novembro 09, 2007

outsider (feeling)

enquanto me perco nos caminhos não destinados,
as perguntas acumulam-se no meu pensamento
sinto que perco as forças e encontro pérolas que
fazem sonhar,
que se inscrevem dentro de mim,
que me acalmam.



falta-me o tempo até para respir (ar)





roubado d'aqui

domingo, novembro 04, 2007

a rte peregrina

A performance era 'Sacrifício de verdade' no 17º andar do Hotel Dom Henrique, a vista fenomenal, o sol brilhava (o verão de inverno aquece estes últimos dias a roupa não fica quieta no corpo) na rua do bolhão. O sacrificio era algo fingido, o nariz de pinóquio contrastava com um à vontade que conferia alguma veracidade à história de Marta Bernardes. A espera das 80 pessoas que anunciava a lotação limitada aumentou as expectativas sobre o que viria a ser, mas soube bem, num ambiente relaxado (soube também a pouco).

Descer a rua do bolhão e chegar á rua do bonjardim, a aí o sacrifício foi nosso, o do público, aquilo que momentos antes era dito (pelas palavras de M.Bernardes) sobre o sofrer constante do observador do artista que não se sacrfica, ou que não apresenta nada de interessante. 'A SALA', com a performance 'MUDA' era um bom espaço para ser ver ' O Sacrificio...' ao invés de Ana Deus e Amarante Abramovici que exercitavam memórias das performances dos anos sessenta, num cruzamento de cabaret (de fim de tarde em paredes brancas) com uma Frida Kahlo Wannabe (e não se trata de não procurar entender), onde a única coisa que resultava era a instalação, o desconforto de vários desconhecidos juntos numa casa desconhecida, e o vídeo que passava na entrada que me lembrou dos maus tratos e violências domésticas que existem em muitos lares portugueses... e já não há paciência para a fita cola!!!!!!!! gosto muito desse material mas com sentido. não só porque sim.

Depois foi descer o elevador com João Pedro Vaz (faço-lhe aqui a minha homenagem) que ia acompanhado de uma mulher muito bonita e elegante. Tomar café, tentar abstrair-me do sacrificio anterior.

E a verdade é que o grande Sacrifício acontecia na Loja da Pensão Monumental na Avenida dos Aliados com o Ghost Dance dos Lone Twin. O espaço vazio interrompido por colunas ao alto e um chão cor de vinho, era o cenário perfeito para estes dois corpos que dançavam country ao ritmo um do outro, a escuta de olhos vendados levantando questões sem fim aos observadores e mesmo assim tentar fazer a coreografia, tentar acompanha-los (mesmo que não nos vissem mas sentiam-se as presenças) e perceber que 12horas de repetição seria algo inimaginável.

Jantar. que a arte não alimenta o estômago.

Castelo do Queijo, para ver o concerto dos carros Tunning. atrasa-se o ínicio e surge a vontade de ir ver os cowboys, queremos vê-los a terminar a tirar as vendas, queremos estar lá no final da performance que dura das 12h ás 24h.


começa o concerto. Para além dos carros tunning, e do pouco interesse que me suscitam enquanto objecto "carro" re-considero e prendo-me com "LOY LOVES TATY", há coisas...

sentados num novo conceito de ambiente chill-out algumas caras que tinham estado na mesma 'SALA' e outras completamente desconhecidas, novamente o mesmo silêncio entrecortado por conversas de nós que vimos acompanhados. O concerto é interessante, o conceito, o som que produz, o ambiente conseguido no Parque de Estacionamento. Demasiado frio junto ao mar. O concerto dura 45minutos e faz-me lembrar o "Requiem For a Dream" a alucinação daquela velocidade vertiginosa, e procuro com o olhar e com a cabeça (e reparo que muitos o fazem) de onde vem o som... as camadas que se sobrepõe e que substituem outras. acaba o concerto. os Aliados esperam.

Chegamos depois de outro café. faltam 20minutos para as 24h aproxima-se o final e mais pessoas se juntam á coreografia. agora já não são só dois os fantasmas, são muitos de olhos bem abertos, atentos aos passos, que provocam o som seco das batidas e arrastar dos pés e daquela palminha na anca que marca o ritmo. Há uma melodia interior a todo o movimento, quase que se consegue ouvir uma música que não vem de lado nenhum. o corpo regista os movimentos e entra-se na fase em que já não é dificil reproduzir, começo a pensar então como será que se aguenta, engano-me. afinal talvez não seja ainda tão fácil. continuo. 24horas. A loja da Pensão Monumental explode em aplausos a tarefa heróica conseguida pelos Lone Twin. Há imensas perguntas, o cansaço é evidente nos seus sorrisos de agradecimento (pelo menos o de um, o outro deita-se entretanto no chão para descansar.) Sem dúvida a melhor performance do festival, atrevo-me a dizê-lo!

O festival chega ao fim e vamos até á cunha com a programadora responsável por esta maravilhosa surpresa, eles também entretanto que também precisam de comer.

Eu e a Sílvia decidimos e vamos dançar um pouco. um novo espaço "A Casa do Livro" ali numa paralela á rua do "Plano B". o Cansaço, nada comparado ao daqueles dois, mas de qualquer maneira um cansaço que decide terminar com o dia de sábado.

Fica marcado um dia de Festival com algumas coisas recorrentes que podem levantar alguma questão quanto á linha do festival, o sacrificio (do corpo, da paciência...), os ambientes inóspitos em que o público é colocado em situação de "amena cavaqueira" e apontamentos de música ensurdecedora que faz vibrar as entranhas.

sábado, novembro 03, 2007

tr.ama a cidade em arte

Começou ontem o TRAMA festival de artes performativas e fica até domingo.
A verdade é que se sente o cheiro a festival, as ruas com pessoas e a arte em vários locais a chegar (engraçada ou não, com mais ou menos sentido) a todos os públicos que, ou de propósito ou por acaso, passam nos sítios visitados pelos artistas e participantes deste festival.
Depois de ter decidido ir ver o espectáculo de CLOWN, do PortoCLOWN (que também se estende até domingo), onde acabei por não conseguir fugir dos olhares do público porque tinha que haver uma parte interactiva com o público e eu lá fui para o palco fazer de "canto" num ringue de boxe, com mais cinco pessoas inocentes como eu, e dois palhaços (sem ser perjurativo) a lutarem pelo meio.
A verdade é que pessoalmente o clown tem, para mim, ainda muito que se explicar, será que é só a palhaçada (onde não se discute o talento) ou será que há mais alguma coisa? deve haver... mas o problema não é eu ou quem está por dentro destas andanças (dos espectáculos) gostar, mas sim o outro público, aquele que não julga a partir de preconceitos, se esse gostar então alguma coisa funciona e I rest my case.
Mas voltando ao TRAMA, eis que ontem na Pr dos Poveiros a música era a performance, a instalação era uma caixa de 2x2x2m3 com colunas lá dentro e espaço para poucas muito poucas pessoas.... o projecto CUI CUI BOX ambiciona ser um espaço avant gard rock'n'roll num ambiente demasiado "cosy".
Era aliciante, mas há momentos em que senti que se quisesse saber como era o Inferno então teria que ir lá dentro muitas mais vezes... se existir inferno, porque senão só existe a cui cui box e está tudo bem!
palavras para quê?!


sexta-feira, novembro 02, 2007

1ª parte do fim. 13pe1c

Uma noite

Subo por essa estrada. O táxi parte atrás de mim, já com outra vida
Outras história para ir contar. Deixo o calor do meu corpo, nos estofos deformados
O taxista ao longe, ouve o rádio numa estação que não conhece, mas era aquela
A mesma que sempre ouviu, a que já vinha com o taxi.
Subo por essa estrada, e os meus passos são lentos e sonoros. Como cavalo que galopa e os cascos batem no chão. Toc toc toc toc toc... um som que provém de tudo o que conheço e não deslumbro no meu cérebro as vogais e consoantes que traduzem o som que ouço.
Ainda não andei muito. Continuo a subir por essa estrada, todo eu numa lentidão distendida, o tempo sem qualquer noção de ser real, ou de sequer existir. Tudo atravessa o meu corpo e ladeia o meu olhar quase à velocidade da luz... e se tudo parasse agora, então seria um instantâneo daqueles urbanos, onde carros não são mais do que apenas traços vermelhos de faróis que iluminam a noite, e cores, cordões de cores que são o hominum urbanus, a qualidade da vida assim deste modo, sujo e solitário.
Olho para trás, ainda vejo muito bem definido o inicio da estrada, essa que subo. Um contraste entre mim, e o mundo fora de corpo, como se me dividisse em três e tudo fosse repartido em realidade para cada um. As pessoas que passam na rua, essas que contornam a minha existência aparente, suspendem-se como manequins que são por menos que uma fracção que segundo (mas que me permite vê-los numa qualidade de uma vida inteira para observar, ver, tocar, explorar, sentir...) nada mais do que estátuas, mortas mesmo antes de morrerem, e embalsamadas com os seus próprios químicos e mostram-se-me assim, ao meu lado.
E tu ontem disseste: “...todas as cidades devem ter uma prostituta, um chulo, e um cozinheiro...”, pois param, estacam, especam ao pé de mim as figuras da noite, que se vinham retorcidas deixam de o ser e mostram-se perfeitas à minha vista na sua perfeição.
Continuo a subir a rua. A estrada. Muito atrás de mim ficou o cruzamento, o local do taxi

Onde estará o taxi?! Um homem sozinho na noite conduz uma mulher, ela olha-o pelo retrovisor, e ele encontra o seu olhar quando procura sinais que venham da estrada, coisas que ele só possa ver se olhar para o retrovisor, e no entanto sem esperar nesta procura pela lei da estrada, encontra os olhos desta mulher. Não sabem quem são não se conhecem, ela desvia o olhar, e lentamente solta o cabelo, e o homem sentado no banco da frente esquece o mundo, e na verdade nada mais existe, o homem atira-lhe uma pergunta à qual a mulher responde com um sorriso a mulher tem a mão direita a tocar o seio esquerdo, e o homem segura o seu pénis, segura-o para que não sinta dor. Está tudo escondido. De repente a luz vermelha que ilumina a cara da mulher, transforma-a num ser verde, o homem, distrai-se e a mulher: “É aqui à direita, por favor!”

onde abandonei o que conhecia, e decidi subir esta estrada. Esta mesmo que subo agora e que não reconheço como aquela que comecei a subir há tempo que passou assim sem ponteiros de relógio que marcassem. Continuo...
O meu cérebro deixa a pouco e pouco de fazer sentido, à medida que entro cada vez mais, nesta estrada que deve seguir até ao infinito – e lembro-me de ti, e de mim, de nós os dois – porque não vejo mais além, para lá do que não consigo ver, não vejo ainda mais, e isso... não sei!
Lembro-me de ti, e de mim, de nós os dois, de como nos sentávamos naquele sofá todas as tardes, e compartíamos a emoção dos desenhos animados em frente à televisão sem cor, e era a da tua avó; e as nossas mãos dadas, lembras-te, as nossas mãos dadas naquela inocência de quem partilha beijos, os beijos mais puros, e a televisão iluminava-nos a vida, a presença de estarmos ali os dois, tu e eu. As mãos suadas de brincadeiras que envolviam os corpos, os beijos, as trocas de carícias, desprovidas de qualquer sentido de vergonha ou pudor, ou de mesmo qualquer pensamento, a não ser o impulso, de brincar, de ser criança porque o éramos e não podíamos ir contra isso, e tudo isso, essa vontade de amar alguém sem qualquer estigma, sem ter medo, vergonha, sem sequer pensar, porque tudo era tão puro, tão puro, tão simplesmente puro, que chegava a não fazer sentido, quando mais tarde falávamos e nos riamos disso, e nos sentávamos de novo no sofá a ver os filmes que gostavas, e riamos, nunca tão puro, nunca tão simplesmente puro. E lembro-me de ti, e de mim, assim, crianças, suados, sujos, o sol abrasador do campo que irrompia pelas janelas do quarto da casa da tua avó, fazia reflexo na televisão e víamos os desenhos animados assim colados ao ecrã... ( se calhar é por isso que usas óculos, mas eu não).

sem pensar voam os dedos

NOVEMBRO.come.a a con.tage. decrescente
"e o céu altivo e forte ao fim de um dia, tem lágrimas de sangue na agonia...
e as pedras essas pisa-as toda a gente...!"
projectos incapacidade BRUTAL
úlceras que atropela palavra sem desti.n..o.
MESES PASSAM MESESssssssssssssssssssssssssssssss
ao som do flamenco cruzam-se os corpos, amam-se gentes, pisam-se todos os rostos desconhecidos.
saber gosta va de s a ber. anos e o futuro (no escuro) ninguém sabe dele----

é uma jornada. 1.00h a hora depois já passou. novembro/2

quinta-feira, novembro 01, 2007

apontamentos ao longe playlist

em Londres ouve-se.:

  • part of your world jodi benson little mermaid
  • abc mjackson
  • touch a, touch a, touch a me susan sarandon rocky horror picture bso
  • sweet transvestite tim curry&cast rocky horror picture bso
  • let's hear it for the boy deniece williams footloose
  • pó de arroz carlos paião
  • femme fatale emilie simon
  • old boyfriends crystal gayle one from the heart bso
  • inside out feist
  • one two three four feist
  • be my baby vanessa paradis
  • human racing st.vincent
  • relief chris garneau
  • she doesn'e live here anymore jay jay johanson
  • me oh my silje nergard
  • the man i love trijinite oosterhuis
  • eu queria ser caetano velososo
  • fadinho da ti maria benta amália
  • fogo preso misia
  • what's this tim burton's "nightmare beforwe xmas"
  • walkin round in women's underwear

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