domingo, novembro 04, 2007

a rte peregrina

A performance era 'Sacrifício de verdade' no 17º andar do Hotel Dom Henrique, a vista fenomenal, o sol brilhava (o verão de inverno aquece estes últimos dias a roupa não fica quieta no corpo) na rua do bolhão. O sacrificio era algo fingido, o nariz de pinóquio contrastava com um à vontade que conferia alguma veracidade à história de Marta Bernardes. A espera das 80 pessoas que anunciava a lotação limitada aumentou as expectativas sobre o que viria a ser, mas soube bem, num ambiente relaxado (soube também a pouco).

Descer a rua do bolhão e chegar á rua do bonjardim, a aí o sacrifício foi nosso, o do público, aquilo que momentos antes era dito (pelas palavras de M.Bernardes) sobre o sofrer constante do observador do artista que não se sacrfica, ou que não apresenta nada de interessante. 'A SALA', com a performance 'MUDA' era um bom espaço para ser ver ' O Sacrificio...' ao invés de Ana Deus e Amarante Abramovici que exercitavam memórias das performances dos anos sessenta, num cruzamento de cabaret (de fim de tarde em paredes brancas) com uma Frida Kahlo Wannabe (e não se trata de não procurar entender), onde a única coisa que resultava era a instalação, o desconforto de vários desconhecidos juntos numa casa desconhecida, e o vídeo que passava na entrada que me lembrou dos maus tratos e violências domésticas que existem em muitos lares portugueses... e já não há paciência para a fita cola!!!!!!!! gosto muito desse material mas com sentido. não só porque sim.

Depois foi descer o elevador com João Pedro Vaz (faço-lhe aqui a minha homenagem) que ia acompanhado de uma mulher muito bonita e elegante. Tomar café, tentar abstrair-me do sacrificio anterior.

E a verdade é que o grande Sacrifício acontecia na Loja da Pensão Monumental na Avenida dos Aliados com o Ghost Dance dos Lone Twin. O espaço vazio interrompido por colunas ao alto e um chão cor de vinho, era o cenário perfeito para estes dois corpos que dançavam country ao ritmo um do outro, a escuta de olhos vendados levantando questões sem fim aos observadores e mesmo assim tentar fazer a coreografia, tentar acompanha-los (mesmo que não nos vissem mas sentiam-se as presenças) e perceber que 12horas de repetição seria algo inimaginável.

Jantar. que a arte não alimenta o estômago.

Castelo do Queijo, para ver o concerto dos carros Tunning. atrasa-se o ínicio e surge a vontade de ir ver os cowboys, queremos vê-los a terminar a tirar as vendas, queremos estar lá no final da performance que dura das 12h ás 24h.


começa o concerto. Para além dos carros tunning, e do pouco interesse que me suscitam enquanto objecto "carro" re-considero e prendo-me com "LOY LOVES TATY", há coisas...

sentados num novo conceito de ambiente chill-out algumas caras que tinham estado na mesma 'SALA' e outras completamente desconhecidas, novamente o mesmo silêncio entrecortado por conversas de nós que vimos acompanhados. O concerto é interessante, o conceito, o som que produz, o ambiente conseguido no Parque de Estacionamento. Demasiado frio junto ao mar. O concerto dura 45minutos e faz-me lembrar o "Requiem For a Dream" a alucinação daquela velocidade vertiginosa, e procuro com o olhar e com a cabeça (e reparo que muitos o fazem) de onde vem o som... as camadas que se sobrepõe e que substituem outras. acaba o concerto. os Aliados esperam.

Chegamos depois de outro café. faltam 20minutos para as 24h aproxima-se o final e mais pessoas se juntam á coreografia. agora já não são só dois os fantasmas, são muitos de olhos bem abertos, atentos aos passos, que provocam o som seco das batidas e arrastar dos pés e daquela palminha na anca que marca o ritmo. Há uma melodia interior a todo o movimento, quase que se consegue ouvir uma música que não vem de lado nenhum. o corpo regista os movimentos e entra-se na fase em que já não é dificil reproduzir, começo a pensar então como será que se aguenta, engano-me. afinal talvez não seja ainda tão fácil. continuo. 24horas. A loja da Pensão Monumental explode em aplausos a tarefa heróica conseguida pelos Lone Twin. Há imensas perguntas, o cansaço é evidente nos seus sorrisos de agradecimento (pelo menos o de um, o outro deita-se entretanto no chão para descansar.) Sem dúvida a melhor performance do festival, atrevo-me a dizê-lo!

O festival chega ao fim e vamos até á cunha com a programadora responsável por esta maravilhosa surpresa, eles também entretanto que também precisam de comer.

Eu e a Sílvia decidimos e vamos dançar um pouco. um novo espaço "A Casa do Livro" ali numa paralela á rua do "Plano B". o Cansaço, nada comparado ao daqueles dois, mas de qualquer maneira um cansaço que decide terminar com o dia de sábado.

Fica marcado um dia de Festival com algumas coisas recorrentes que podem levantar alguma questão quanto á linha do festival, o sacrificio (do corpo, da paciência...), os ambientes inóspitos em que o público é colocado em situação de "amena cavaqueira" e apontamentos de música ensurdecedora que faz vibrar as entranhas.

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