segunda-feira, dezembro 31, 2007

the end, of 2007



"Uma palavra vem sempre rodeada de emoções não-definidas, de tecidos esfiapados de afectos, de esboços de movimentos corporais, de vibrações mudas de espaço. (...)**
Qualquer coisa que passa entre a fala e o silêncio é o múrmurio do corpo que compõe o seu sentido irradiante"

**relativo a «ternura» como ponto de partida de Pina Bausch para os seus bailarinos.

In "Movimento Total - O corpo e a dança" - José Gil, Relógio d'água

resoluções de ano novo

as opiniões divergem naquilo que tem a ver com o dia de hoje, as horas aproximam-se das doze badaladas e em alguns sítios do mundo hoje, já é 2008... Para alguns a data não é importante, trata-se simplesmente de uma página que muda no calendário. Para outros um momento com reminescências natalícias para a família estar novamente junta. E para uma grande maioria uma desculpa para celebrar, para deixar partir o ano velho... e com ele todos os maus momentos. É uma altura de renovação e o ser humano vive acima de tudo por ciclos, ciclos que se completam e que se fecham para dar origem a um novo ciclo... e entre todos os ciclos que nos definem há a passagem de ano que marca o fim de um ciclo.
Algumas coisas transpõe-se para o ano seguinte, tudo aquilo que não se conseguiu fazer no ano anterior, tudo aquilo que se quer fazer de novo e do ano velho ficam os momentos mais importantes e no ano seguinte as consequências de todo o trabalho que se teve para tornar o ano seguinte em algo de melhor.
De 2007 ficam os melhores momentos que passei com todos aqueles que adoro, a peça do "Vale o que Vale" e o trabalho no "Tautologias" com o João Mota, fica também o "Hamlet" feito na escola e na Fábrica Social, os filmes sem dúvida o "Paranoid Park" como dos melhores do ano, as novas músicas que descobri como os St. Vincent e a Feist, os cowboys no Festival Trama, uma óptima festa na Imerge com as Ninfas, a Fátima ter ido estudar para Londres (que apesar de ficar com muitas saudades, é sem dúvida um bom momento)... e muitas outras coisas que decerto me estou a esquecer, e uma das minhas resoluções para o próximo ano será prestar mais atenção àquilo que faço e melhorar a minha memória (não que seja fraca, mas nete momento que me quero lembrar de muita coisa e reparo que não consigo), foi um ano bastante preenchido. Os piores momentos deitam-se ao lixo, renovam-se e trata-se de trabalhar sobre as mazelas que possam ter ficado.
Que 2008 seja um ano igualmente bastante preenchido...
resoluções de ano novo:
- aproveitar ao máximo todos os bons momentos
- investir no conhecimento de novas coisas
- procurar ser mais decidido e mais atento
- não perder demasiado tempo em tristezas que não levam a lado nenhum
- combater a apatia dos domingos (e noutros dias em que se instale)
- e... ir ao dentista.
(não são muitas resoluções mas são bastante vagas e portanto dá para inserir muitas coisas em cada uma delas...)

domingo, dezembro 30, 2007

a bússola estragada

"A Bússola Dourada" marca o retorno de Nicole Kidman aos grandes ecrãs, e sem dúvida o grande trunfo de marketing deste wanabe blockbuster dos estados unidos.
O filme comparado com outros do mesmo género está mal estruturado e o enredo demasiado rápido e confuso tenta integrar demasiadas informações (em frames por segundo) acabando por resultar em algo que tenta ser interessante apenas por colocar em tela um conjunto exagerado de efeitos especiais (que na minha opinião não são sequer muito bem conseguidos).
Baseado numa triologia escrita por Philip Pullman, a Bússola Dourada foca a vida de Lyra Belacqua (interpretada por Dakota Blue Richards e sem dúvida um dos pontos altos do filme) que vive num mundo em que todas as pessoas têm um "daemon" (manifestações da sua própria alma em forma animal, que sem dúvida uma metáfora também bem conseguida). Lyra, uma orfã, leva uma vida traquila até ela e o seu "daemon" descobrirem a existência da "Poeira", momento a partir do qual toda a aventura começa, numa luta contra as autoridades religiosas que pretendem abolir o livre arbítrio para conseguir controlar todos os que vivem sobre o seu dominio e mais além.
Partindo em busca do seu tio Lorde Asriel (Daniel Craig) e procurando salvar o seu amigo Roger dos Goblers, Lyra começa a sua aventura tendo como aliados um urso polar, um texano aeronauta, a Feiticeira rainha das Feiticeiras (Eva Green) e a bússola dourada que lhe permite desvendar muitos segredos e ver a verdade pura que mais ninguém consegue ver, tendo como principal inimiga Ms. Coulter (Nicole Kidman). Esta sua jornada pode alterar o mundo como ele é para todo o sempre, numa guerra que só ela decidirá qual será.

Com um elenco muito bem recheado e de "alto calibre" o filme promete mais do que aquilo que é na realidade, os livros decerto devem ser muito mais interessantes...

postagens portáteis



ainda dentro de casa, porque ainda não consegui configurar a rede sem fios...
mas esta é a postagem inaugural do meu VAIO. a fotografia foi tirada com a câmara integrada.

sábado, dezembro 29, 2007

poemas

acordo.
dentro de mim,
e ao meu lado
o vazio
o cordão infinito
as voltas entrelaçadas
os corpos separados
juntos
e o espaço entre os dois
adormeço, sonho, desejo
sem tempo
visto-te de pernas ao ar
encontro-te as formas
os vazios que te preenchem
e entro
saio e entro
por um chão que cobre o pó
e no final
acordo, cais e o abandono
preenche o ar vazio de ti...

............................................................

encontro o vazio das palavras
o branco da tela
da folha de linhas
do papel amachucado
e a tinta seca
acumula-se de explode sem sentido
o vazio das palavras por escrever
no espaço a elas destinado
que se queima pelo sol...
e a chuva amolga com pesadas gotas
o papel embebido
morre sem levar com ele
palavras que desapareceram
palavras que encontraram o fim
algures no momento
em que eram geradas
foram palavras não proferidas
engolidas uma e outra vez.
e no vazio
a apatia toma conta do ser
os olhos vidrados
e o cansaço rotineiro
assume a forma humana.

adição: para ver e descobrir

audições


é em 2008 que a Pina Baush vai estar de novo em Portugal... há audições para dois homens que queiram integrar o espectáulo "Masurca Fogo", aquele que marca o final de "Hable con ella" do almodovar...
há oportunidades que não são para todos nós infelizmente... entra para a wishlist do próximo ano...ver aqui

pós natal



ficam as saudades...
o Porto fica sempre mais pobre quando partem...

um natal molhado



passou-se o natal... uma noite santa, com a tradição da familia junto à lareira em casa dos meus avós, uma noite como há muitos anos se celebra o natal, com mais ou com menos problemas, com mais ou menos desavenças familiares, com mais ou menos milhares de coisas que fazem das familias aquilo que elas são... famílias.
Mães, Pais, irmãos, irmãs, avós, tios, primos... a hierarquia toda, ou a que for possível reunir nesta noite que é santa para alguns e para outros que não significa nada... é apenas uma noite. a verdade é uma, há um lema que se aplica muito e bem às famílias (pelo menos a muitas que conheço) can't live with them, can't live without them!
mas a verdade é que no natal lá estamos todos... e assim foi. reunião familiar, conversas e as horas passam rápido até à missa do galo... nasce Jesus or so they say...
de volta a casa abrem-se as prendas, e entre elas a mais esperada - o VAIO da Sony - e oferecer as prendas que com tanto carinho comprei para os meus pais e para o meu irmão... esta especificamente estou ansisoso por rever - "Nightmare Before Christmas" do Tim Burton...
Dia seguinte: Dolce fare nula! e explorar o novo "brinquedo", ao fim e ao cabo queremos sempre receber novos brinquedos... nunca se deixa de ser criança na noite de natal...
E no final do dia de volta a casa, e o Pai Natal decidiu furar um cano ao tentar entrar em minha casa... inundação, o cilindro tinha acabado de se estragar.. o que vale é que tinha sido ha poucas horas e os estragos não foram alem das caixas de sapatos guardadas na dispensa.... mas importante: os sapatos (a maior parte) sobreviveu!

domingo, dezembro 23, 2007

narrativas

acordou sobressaltado, e no meio da penumbra conseguia vislumbrar a roupa que tinha usado na noite anterior. estava pendurada na cadeira, a camisola azul que a sua mãe lhe oferecera pelo seu aniversário estava em risco de cair a qualquer momento, como se teria aguentado ali a noite toda ninguém sabe.
lentamente começou a recuperar os sentidos e ainda na penumbra começou a ouvir a chuva que caía no seu telhado...olhou para o seu lado direito e como todos os dias lembrava-se dela e da falta que ela fazia ali.
Voltou a olhar para a roupa e decidiu começar o dia, olhou para o relógio e já eram quatro da tarde...

o futuro por adivinhar...

em “odisseia no espaço 2001” do kubrick o novo milénio surgia como algo bastante longínquo que mesmo com os fracos efeitos especiais da altura parecia que o urbanismo do futuro seria algo quas impensável, tanto nesse como noutros filmes que abordam a temática do futuro toda a realidade é bastante diferente da nossa que já ultrapassados sete anos depois do mítico 2001 (e oito do também mitico 2000) a realidade que existe não se aproxima minimamente da realidade criada na ficção quer literária quer cinematográfica. Na verdade tudo permanece numa confusão continua e cada vez mais proeminente no seio das grandes urbes que se vão destacando cada vez mais nos mapas, não pelos feitos mas a nivel populacional. O mundo avança em direcção ao desconhecido e com ele todos nós que vamos arrastados nesta torrente de passos evolutivos que se tentam dar em prol de conseguir algo parecido com o futuro que todos imaginamos quando eramos pequenos.

não há naves como carros, não há comunicação telepática, não há teletransportação e quase todas as teorias permanecem quase iguais. há vários protótipos de tentemativas para nos aproximarmos áquilo que o futuro tantas vezes nos prometeu.

No final somos os mesmos humanos, com as mesmas questões e os problemas não diferem dos do passado, alteram-se alguns, alteram-se os objectos problemáticos e as decadas, todas elas, marcaram por alguma diferença enquanto que actualmente vivemos numa espécie de apatia em que nada de importante acontece, ou pelo menos assim parece....

finalmente!


estava ansioso por poder colocar aqui o artwork que fiz para esta época natalicia e de final de ano... finalmente!
não queria que fosse cedo demais, nem tarde demais...

amigo oculto




desejo de Mafalda Abreu: ter a voz como a Callas.


vale a pena recordar.


os grandes clássicos. "King Kong" de 1933
hoje á tarde passava a versão do peter jackson na tvi... naomi watts substitui fay wray a programação natal.

noites madrugadas

são sempre madrugadas que me fazem dançar os dedos, o barulho informático das teclas ecoa no quarto vazio e escuro, vazio de gente, vazio de som, vazio... onde a luz do monitor se espande e me ilumina o rosto deformado de sono.
no silêncio falam as vozes que me fazem pensar, as vozes que se debatem no meu pensamento e que discutem e argumentam entre si coisas e facto inaudiveis, mas que devem ser preciosos, se eu lhes prestasse a minima atenção.

escrevo neste diário , neste registuário de momentos e memórias, palavras soltas que afloram a superficie pálida do meu corpo e vagueiam como pequenos pirilampos no escuro de uma floresta, palavras que estão prontas a serem vestidas de cor e de forma, prontas a serem lidas e no entando correm umas atrás das outras. correm apenas...

sinto saudades, sinto falta, sinto vontade de correr e não parar, correr até ao infinito e poder encontrar aquelas coisas para as quais ainda não existem sequer as perguntas certas, quanto mais as respostas...

sofro da letargia da madrugada, da apatia das noites em que se sente solidão por haver um mundo longe envolto nas luzes ténues da cidade que brilham em concorrência com as estrelas...

sexta-feira, dezembro 21, 2007

it's beginning to look a lot like christmas...

é verdade, já faltam poucos dias para o Natal, a correria e azáfama já é non-stop e todos tentam encontrar o último dos últimos presentes...
hoje há jantar. fico contente quando nestas alturas se reforçam os laços de amizade entre as pessoas e o espírito de natal surge no seio de cada grupo e de cada família...
devo dizer que apesar das confusões que esta época implica e que os milhares de coisas que temos para fazer nos levem a pensar que não temos tempo para aproveitar como queriamos o natal, a verdade é que se consegue sempre um bocadinho para estar com aqueles de quem gostamos, e com a família no dia de natal propriamente dito.
gosto quando os sentimentos são sinceros e se sente aquele calorzinho natalício.. até porque sabe bem em épocas de frio extremo como esta que se nos apresentou para esta altura do ano.
custa-me é às vezes descer santa catarina e ver a cara de desgosto e de chatice e aborrecimento que as pessoas levam enquanto nas mãos carregam aquilo que possivelmente fará outra pessoa feliz... se pensarmos assim é fácil escolher as prendas.... o que é que fará a outra pessoa feliz, e se calhar até nos damos conta que não é preciso gastar assim tanto dinheiro, basta um pouco de imaginação...
eu próprio já tenho as prendas há semanas pensadas e começadas a fazer... algumas são compradas, mas e daí, foi o que eu pensei que pudesse fazer as pessoas ficarem um bocadinho mais contentes....
quanto a mim, só tenho pena de estas épocas não me darem mais tempo para dedicar á escrita no blog e noutros sitios.... mas há prioridades e neste momento é o Natal e outras coisas que continuam, agora só depois do dia 25...

terça-feira, dezembro 18, 2007

o crepúsculo dos deuses



no poster ao lado em espanhol, e no original "Sunset Boulevard", uma estrada em Los Angeles na California, de onde se avista o por-do-sol...
Por Billy Wilder, o crepúsculo é sobre aqueles que vivem em mundos à parte, aqueles que vivem e que fazem tudo para poder viver num mundo de aparências.
Sem dúvida é um dos melhores filmes que vi até hoje, a preto e branco, com um argumento genial, "O Crepusculo dos Deuses" é sobre a vida uma actriz do cinema mudo numa altura em que os filmes são feitos de palavras e a imagem passa a ser aquilo que se diz. Norma Desmond, interpretada por Gloria Swanson é essa mulher, essa deusa que vive ofuscada num lusco fusco que se abate sobre ela.
Um argumentista sem trabalho que decide sucumbir aos poderes do dinheiro e daquilo que ele pode oferecer, os valores rapidamente passam a ter outro sentido.
Mais do que nunca vale a pena ver este filme, especialmente com a crise dos argumentistas que parece ter assolado a grande fábrica do cinema mundial... e trata-se de uma crítica feroz ao cinema e ao mundo de hollywood (já na altura...)
Sunset Boulevard é genial a todos os níveis, um género de filme noir que não se compara em nada àquilo que são hoje em dia os objectos da 7ª arte que temos à escolha para ver.
É um clássico, e acima de tudo intemporal...
"Norma Desmond: I'm ready for my close-up Mr. De Mille"

rufus does judy...

adorava ter visto, é absolutamente genial o senhor, a estrela excêntrica, o entertainer do novo século...
a substituição em pleno da judy garland... igualmente maravilhosa.



calor gelado...

como diziam uns meninos gunas hoje ao sair do metro quando chegava a casa depois do trabalho: "Está assim um calor gelado, nun éhn?" (estou a tentar reproduzir o sotaque acentuado.).
A verdade é que o Porto e arredores, estão imersos num frio gelado como eu não tenho lembrança de ter alguma vez vivido em todo o meu tempo de vida.
as caminhadas na rua, nem que seja só para atravessar uma estrada começam a ser uma prova de sobrevivência, ou um concurso para ver quem é que consegue que se veja o mínimo de superficie corporal... o ideal seria mesmo só se verem os olhos, e as mãos espreitarem para fora da luvas apenas quando fosse estritamente necessário...
este "calor gelado" como diziam os outros entranha-se no corpo e no cérebro de tal maneira que quase se torna impossível de raciocinar... enfim.
O Natal aproxima-se como uma manada (??) de cavalos a galoparem furiosamente por uma ravina, ou uma bola de neve que se aproxima do sopé da montanha ( será mais apropriada esta imagem), as pessoas atropelam-se na rua para tentarem chegar primeiro àquilo que poderá ser a pechincha do ano para aqueles parentes a quem temos mesmo que oferecer alguma coisa...
a minha vida entretanto ainda está enfiada em projectos e afazeres que me roubam quase todo o tempo, mas mesmo assim já tenho quase tudo pronto para a noite de natal... e os jantares anteriores e posteriores a essa noite...
já está, mais uma prenda feita para a minha amiga oculta!!!

sexta-feira, dezembro 14, 2007

portugal portugal...

esta campanha surpreendeu-me sem dúvida. uma imagem renovada de Portugal! acabou-se o vermelho, verde e amarelo... energias naturais, mar, dunas e futebol e fado á mistura entre outras coisas que temos de bom...






ver aqui e aqui o trabalho de Nick Knight






terça-feira, dezembro 11, 2007

contagem decrescente


arrivals at the airport
welcome, bienvenue, willcommen, bienvenido
contagem decrescente...faltam 3,2,1,0 dias.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

postagens a mil à hora - paranoid park

O novo filme de Gus Van Sant, mais uma viagem ao mundo adolescente que nos relembra o passado de Elephant, mas que nos mostra, desta vez, não dois, mas um adolescente com as suas crises pessoais e familiares, um adolescente americano como tantos outros, com a presença escolar e parental idêntica á do filme anterior, mas aqui surge quase uma nova forma de poesia no meio da sociedade skater, o realizador mostra-nos a sua visão desse mundo e naquilo que poderia ser um documentário mistura-se a ficção á realidade e vice-versa, a história é-nos contada da mesma maneira, caótica, que o próprio protagonista tem dela...

não revelando muito, Paranoid Park, surge como um universo paralelo de vidas que desconhecemos quase os nichos de cada grupo na sociedade, e um acidente que muda a perspectiva que se tem sobre o mundo e sobre o grandes problemas que afectam actualmente a nossa sociedade...
Contrapondo com uma música muito bem escolhida, e a maior parte das vezes quase cómica, o filme não se torna triste mas dá-nos a sensação de estarmos também a viver dentro daquele quadro que é a tela e misturados com os borrões e imagens cheias de grão que o ecrã nos apresenta...
Comparando com Elephant, Paranoid Park mostra-nos acima de tudo a inocência de alguém que se perdeu sem saber como, nem porquê.

postagens a mil à hora

é a secção em que os posts são feitos corridos uns atrás dos outros... isto revela a falta de tempo para me sentar e poder fazê-los sempre que me apetece e onde me apetece.
daí... "postagens a mil à hora" passa a ser agora um tema para sempre que faça posts seguidos num mesmo dia referentes a eventos passados... e outros...

postagens a mil à hora - perfect day

fui ver á biblioteca almeida garret, “bagos de romã” um trabalho de uma menina que é a rosário (a segurança do vale o que vale para os que foram ver, para quem não viu está aqui a foto dela também...) um trabalho com pessoas, com pessoas que acima de tudo são diferentes, de uma maneira ou de outra são diferentes de nós, fisicamente e mentalmente diferem de nós em vários aspectos e igualmente na simplicidade com que fizeram as coisas... a escolha musical ajudava bastante e puxava a lágrima, especialmente nesta altura natalícia em que os corações estão mais aptos a partir porque congelam.
tocou-me por ser um trabalho difícil, com pessoas que não devem ser nada fáceis de se lidar, não por elas, mas pelos muitos estigmas que a sociedade nos grava no pensamento e caímos facilmente em erros difíceis de controlar...
mas também me marcou por ser um trabalho de uma beleza quase instantânea que apelava aos nossos sentimentos mais fortes e ao mesmo tempo àqueles que são mais simples... fez-me lembrar “a hora em que não sabíamos uns dos outros” peter handke mas com uma simplicidade enorme de pessoas que devem encontrar dificuldades nas coisas mais simples (para nós) como andar e falar... situações de relações entre uns e outros, mas sobressaíam os sorrisos, as caras envergonhadas de alguns e o prazer de se mostrar de outros... nina simone, lhasa entre outros cantavam nesta brincadeira, nestes pequeninos bagos de rõma que subiram ao palco na noite de 3ªfeira (4 de dezembro) e que me encantaram com aquilo que fizeram, foi um bom momento ao final da noite, e para eles deve ter sido e para mim fizeram daquele dia um verdadeiro perfectday...
fez-me pensar que ás vezes não é preciso muito para se atingir a beleza ou a perfeição e que muitas vezes perdemos demasiado tempo em coisas pequeninas e em problemas que na realidade não o são... os problemas variam de pessoa para pessoa, e cada um vive com os seus problemas na sua medida, mas é bom pensarmos que ás vezes temos de olhar para além de nós...

postangens a mil à hora - a àrvore


a grande correria que se faz para ver a grande árvore plantada em plana Avenida dos Aliados, e o natal chegou já a meio do mês de Novembro e Portugal aflui á nossa pequena réplica dos campos elísios (pelo menos lembro-me sempre que por lá passo). As ruas brilham e piscam a cada passo que se desce ou sobe cada uma delas e o natal está por todo o lado, desde as lojas dos chineses que estão entupidas de material natalício e preços aliciantes para as coisitas mais pequeninas que precisamos para cada um de nós ter um natal mais poupado...
as lojas vestem-se de enfeites e de produtos e promoções que saltam aos olhos das pessoas que se deslocam em grupos de um só para visitar, entrar e sair, cada porta que tem uma montra.
mas é no momento do lusco fusco, ou quando as nuvens decidem mais cedo, quando a escuridão desce à cidade, as luzes ligam-se e não só os candeeiros, mas toda a iluminação que árvore e a millenium a edp decidiram trazer este ano á invicta...
a maior árvore de natal da europa, na minha opinião, algo perfeitamente grotesco e nada menos adequado para esta altura durante o dia, já que aquilo que vemos quando o céu (com ou sem nuvens) nos permite é uma estrutura metálica pesada e inestética que lembra mais um aparelho de dentes gigantes colocado para melhorar o sorriso da cmp, essa belíssima instituição, mesmo atrás... de quem vê do ponto de vista do cavalo que nunca mais chega a s.bento, nem pensar á ribeira...
Não ignoro o poder da ilusão e a boa vontade que existe (para além da promoção bancária e do consumismo) de tentar que todos tenham um óptimo natal, meu pessoalmente adoro esta altura do ano... não por aquilo que envolve, mas pela magia que se sente no ar, pelo menos eu gosto de pensar que existe, que há pessoas que aproveitam os cachecóis e as luvas para sairem á rua nestes dias em que o natal está na rua, com o cheiro das castanhas assadas e o quentinho dos cafés ao fim de tarde.
mas o que mais gosto são as pequenas livrarias e papelarias que se enchem de decorações de madeira handmade para as árvores de natal de vários e diferentes tipos de papel para podermos nós fazer prendinhas para as pessoas que gostamos... ao contrário de mediamarkets e afins que são muito práticos mas a magia fica muito longe, para lá das portas automáticas da entrada (das diferentes entradas).
Mas ainda assim, as ruas este ano brilham mais do que em qualquer ano de que eu me lembre, há praças com cúpulas futuristas de polietilenos que albergam parques infantis com temáticas natalícias e uma pista de gelo, mesmo frente ao novo sinal que brilha também a vermelho de “Música no Coração”, e as cores misturam-se acima das nossas cabeças... e não me lembro de mais para dizer... deste porto de natal.

sábado, dezembro 01, 2007

sem objecto definido

começa um novo mês, os últimos passaram num ápice. sem dar conta de nada, agosto transformou-se em dezembro e com isto aproxima-se o final de 2008, e este ano já acrescentei à minha lista de aniversários.
sem objecto de título ou texto em específico, escrevo, testemunho aqui a apatia da noite
e dos tempos que se instala em mim e deixo que o sono percorra o corpo
e sonho com coisas que ainda não verei,
a noite lembra-me o tudo é medo e parece que não conseguimos deixar de viver assim.
o feriado, a celebração
olha-se pela janela e se não há vazio, perdemo-nos na imensidão do céu.

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