terça-feira, janeiro 29, 2008

memórias de londres


13Janeiro'08 - Tate Modern

A sala obscura algures na imensidão do vasto espaço aqui presente alberga Rothko. A semi-penumbra em que nos encontramos, eu sozinho e os quadros (e os corpos ondulantes das gentes que passam) faz sobressair a calidez escura (vermelha escura) "escrita" em cada tela... São demasiados os nomes para nomear, tantas as referências para citar e o momento torna-se quase insuportável por saber que o regresso está num futuro longínquo, há uma espécie de urgência que me faz querer correr, que todos desapareçam e eu possa correr na vasta imensidão da cidade, na vasta imensidão deste espaço que do lado de cá, no Bankside de Londres, junto ao berço de Shakespeare... e tão boa companhia passados os anos o destino lhe havia de trazer para este lado onde pendiam cabeças em paus espetados na terra e o cheiro insuportável abafava os gritos de peças de teatro anunciadas como pequenos descontos de feira no meio da multidão de uma época em que tudo era diferente.

Londres é imensa, absolutamente insuportável por querer absorver tudo. É saudável a letargia que se apodera de mim enquanto esqueço (por breves momentos) que a partida é já amanhã. Mas o tempo é isso mesmo, é o agora e depois memória.

escrito enquanto descansava na sala Rothko na Tate Modern depois da visita aos grandes Hyde e Green Park.

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