sexta-feira, fevereiro 08, 2008

boneca

até dia 16 de Fevereiro no Teatro Helena Sá e Costa no Porto.




"Boneca" a partir da peça original "Casa de Bonecas" escrita por Henrik Ibsen, pretende (e eram esses os objectivos do autor) relatar de forma impiedosa o lado negro da sociedade, a mentira, o engano, a hipocrisia, um sem fim de adejectivos negros que tornam o ser humano um ser quase impossível de levar uma vida consigo próprio quanto mais com os que o rodeiam.
Nora, a personagem principal da peça é uma mulher que aprendeu ao longo da vida a aceitar tudo aquilo que lhe era imposto, era um perfeito modelo daquilo que se pode querer de um ser humano - um ser não pensante, tonto, capaz de aceitar sem levantar questões as regras que lhe são impostas.
Não pretendo fazer uma critica à peça encenada por Nuno Cardoso (que sem dúvida fez um excelente trabalho, juntamente com toda a equipa neste projecto), nem sequer tecer uma sinopse pessoal acerca do trabalho apresentado. Para isso faz falta que todos os que possam vão ver.
"Boneca" é um trabalho de adaptação fenomenal do original de H. Ibsen (que por diversos motivos foi modificado e alterado várias vezes, para assim se poder enquadrar e ser apresentado segundo os moldes da sociedade da altura), onde o público é confrontado com uma espécie de moldura de família perfeita, onde tudo está prestes a desabar... no limite. e é assim que Nora sobrevive, no silêncio, no limite de algo que sabe que nunca lhe vai ser perdoado, mas e daí talvez lhe pudesse ser perdoado já que os motivos foram nobres, românticos até.
Nora surge como a mulher submissa, sem opinião, mas acima de tudo surge como metáfora para muitos que podem encontrar nesta personagem aquilo que o ser humano precisa de fazer naturalmente crescer sozinhos, aprender a viver numa sociedade mas saber que podem dizer que não, que não acreditam ou acham as mesmas coisas que uma grande maioria (será?!) acha. É a personagem de Nora que leva a sua avante, que tem orgulho em si, e que tenta apesar de tudo agradar, ser simpática, aina que todos à sua volta a considerem infantil, irresponsável...
Do enredo continuo sem dizer nada, pode-se ler o texto, ir ver a peça, pesquisar... mas sem dúvida uma adaptação brilhante de um texto naturalista pontuado por momentos de insanidade humana perfeitamente enquadrada em qualquer época (e sociedade que nela viva), momentos que procuram o anti-naturalismo que existe em cada um de nós que usa máscaras e que se protege por detrás de armaduras perfeitas e milimétricamente construídas ao longo dos anos e que um momento para o outro se desmoronam.
Nora representa "a queda de toda as máscaras", a anti-heroína de uma drama familiar novelesco que se atreve a enfrentar o mundo ao contrário daqueles que aparentemente o fazem todos os dias, mas que o fazem subrepticiamente ao luar, em casa, no escuro antes de adormecer. Nora arrisca quando percebe que tudo á sua volta são enganos e mentiras, e...
Para quem conhece a obra já sabe o que acontece, para quem não sabe, fica a proposta.

1 comentário:

Di disse...

oi!

Eu quero ir ver!!!

depois manda sms com mais informaçoes

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