quarta-feira, fevereiro 20, 2008

comentário necessário

Impotências

Corre nestes dias que passam
num vagaroso cheio de pressa, andar
sem saber para onde, nem como

não existem noites para lá de mim
cheias de impotências sentidas
no silêncio escuro e denso, mergulhado

num doce e eterno desejo. como o rio
albergo um leito de escuridão submersa:
desejos incompletos, vontades soltas
tolas que se desvendam a si mesmas.

aí, lugar desconhecido, rastejo
e anulo o meu ser, perante descréditos
passo sobre mim o tempo, gasto

palavras escritas embriagadas
de sonhos; desfeito e trucidado
permaneço inerte e fluo como a água

corre em dias de sol e o seu rumo
em uníssono com as luas,
mil luas que habitam os sonhos

segue o curso natural prometendo
o equilíbrio dos sistemas terrestres
e cósmicos, os sentidos existem

retorcidos para lá de mim, um
por um gritam mudos por clemência
e desfaço-me em pedaços

silenciosamente abandonado.
Corre em mim a ansiedade
enquanto ouço o fundo bater do coração.

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