segunda-feira, março 31, 2008

good, corny, old moments


estado actual: [bronquite artística] - doença/estado descoberto e designado por uma amiga, FSS.;

solidão e dependência

Podia ser um subtítulo para as apresentações dos laboratórios que darão (no fim de semana de 19 de Abril) origem ao espectáculo (se este for o nome adequado na altura, senão outro o substituirá) de Victor Hugo Pontes.
"Manual de Instruções". em blogmanualdeinstrucoes.blogspot.com
Da apresentação informal, hoje:
A solidão, desta vez com mais tempo de antena para cada uma (das várias solidões), transcreveu-se fisicamente no espaço com um acumular gradual de gesto, movimento, corpo, acções, sentido, objecto, sentido, corpo/acção/movimento. A interdepência das várias solidões foi projectada com uma série de conjugações no espaço que eram possíveis apenas por existirem os outros corpos, por acções que faziam desencadear outras numa sucessão de acontecimentos que se repetiam e me faziam recordar algumas das premissas que tinham sido dadas aquando da 1ª edição do laboratório, e que assentavam numa procura semi-automática de nos transportarmos a um estado de solidão no espaço da "casa".
O mais interessante, acho eu, é a conjugação de todo um universo fílmico (e não cinematográfico pela falta de uma continuidade ou de simplesmente porque não se trata de cinema, se fosse esse o caso teríamos um resultado completamente diferente) de vários frames que se sobrepõem uns aos outros resultando num "quadro" vivo de histórias que são interpretadas individualmente por todos os que vêem, mas sem dúvida um espaço que sempre que fica vazio ganha todo um sentido daquilo que aconteceu e há um prazer quase perverso nessa necessidade de poder observar a vida dos outros mas que eles não nos vejam. Desta vez fiquei do lado dos que espreitam... e foi interessante; por um lado frustrante por já ter ideias acerca do projecto, por outro surpreendente pelas coisas novas que surgiram.

domingo, março 30, 2008

ainda na esteira da dança

a título de homenagem a Olga Roriz, que tem agora um livro acerca da sua vida, carreira e obra à venda na FNAC.
ver os vídeos no youtube, procurando por olgaroriz.
ver aqui e aqui

sábado, março 29, 2008

hoje em Serralves


Trisha Brown dance company apresentam-se hoje e amanhã em Serralves. (ver aqui)
A mulher que levou a dança, nos anos 70, para os telhados de Nova York.

sexta-feira, março 28, 2008

humor pintado



botero.f (1932 - ...)



quinta-feira, março 27, 2008

Teatro, Dia Mundial



Within this wooden O...
... let us, ciphers to this great accompt,
On your imaginary forces work. - Henry V, Prologue; W. Shakespeare
fotografias e citação no Shakespeare's Globe Theatre - Londres

fotografia em Portobello Road, London

destaques

não se fala de outra coisa, a má educação ou falamos da educação má dos alunos?
é um assunto bastante delicado sem dúvida, principalmente quando penso na minha condição enquanto profissional e posso ficar na mesma situação no futuro.
A verdade é que se vive um desrespeito por aqueles que leccionam (qualquer que seja a disciplina) mas muitas vezes a displicência dos professores face aos problemas dos alunos exponencia este género de atitudes. Podemos tentar conscencializar os pais para a educação dos seus próprios filhos (mas quem somos nós para ensinar alguém a educar a alguém?!) pode-se tentar é uma aproximação com os alunos e no caso de desrespeito então também não podemos assumir o papel de heróis e tentar à força (mesmo que não seja violência acaba sempre por ser à força) de obrigá-los a seguir as nossas regras...
Este caso da Carolina Michaelis pôs-me a pensar em como desabaram as antigas hierarquias e temos uma geração que se revolta facilmente contra aqueles que podem ter algum poder sobre eles.
Não sei qual será (ou seria) naquele caso a minha atitude... nem quero defender o que é que está certo e errado. Acho que mais importante do que proíbir os piercings, fazendo uma lei especifica para isso, o estado devia começar a preocupar-se com questões mais importantes que são relegadas para o plano do esquecimento e se desenvolvem de forma desregrada...

all about words

Inócuas profudamente lancinantes
gastam-se inexpressivamente
por rodear o quotidiano nosso
ligeiramente vagas imiscuem-se
nos espaços vazios cheios de silêncio
e perfuram o aparelho auditivo
e visualmente são aterradoras
desenhadas entremeadas ou soltas
existem em combinações infinitas
encontrando o som para inflingir
os seus golpes ou carícias
de vontade dependentes
ou independentes elas próprias
tecem os sentidos reminiscentes
dum subconsciente desconhecido
onde ecoam subtilmente
avivando a memória mais débil
de momentos negros e escuros
onde palpitante coração vive em alerta
acordado em muralhas de espinhos
sangrando gotejante e espesso
fluido invisivel se possivel de ver fosse
inundaria o mundo de um humor
desconhecido associado à tristeza
à melancolia a uma existência
permeável a todo o sentimento
num devastador clima de inquietude
onde as palavras encontram lugar
na mudez dos corpos que se fecham

wishlist



finalmente estreia. mais filme, mais Cate Blanchett...

segunda-feira, março 24, 2008

e ela canta... folk music.



Meryl Streep, em "A Prairie Home Companion" um filme de Robert Altman assume a personagem de uma cantora country, assim como o resto do elenco se assume como personagens de um "Live Radio Show" nos nossos dias, noa confisnda America onde a rádio sobrevive esquecida da morte que marcou o seu final no mundo urbano.
Com o nome que dá o título ao filme, Robert Altman filmou com a estranheza que o caracteriza em filmes como "Gosford Park", assinalando o fim da sua carreira com um enredo que aborda o tema da morte, ou melhor, de como sobreviver à morte, seja ela do corpo físico ou a uma morte mais metafórica - dos nossos pequenos prazeres, da nossa actividade profissional -; a morte como final de um ciclo (em tom bastante premonitório, já que seria o último filme do realizador).
Virgina Madsen (de "Sideways") é aqui um anjo, uma alma presa à resolução dos problemas terrenos, a sua presença neste "live show" é uma espécie de um sinal quase woodyolesco mas que reforça todo o ambiente peculiar e quase de filme noir com que Altman assina os seus filmes.
A Prairie Home Companion, é realmente um show de variedades de rádio ao vivo, alojado no Fitzgerald Theatre no Minnesota, várias vezes levado em digressão pela américa.

re(ssu)posting




ver post aqui
Há dias em que pensamos naqueles de quem gostamos, e outros em que conseguimos estar efectivamente com eles... De visita, apenas de passagem como uma lufada de ar fresco reavivam as memórias de outros tempos e constrói-se uma nova esperança, baseada na necessidade de nos relacionarmos, de uma proximidade que cresce e que se constrói mesmo á distância, mesmo quando no mapa aparecemos em pontos sempre distantes.
Sinto-me impelido a escrever quando penso que as palavras são tão poucas para descrever os momentos que passamos juntos e pequenas até demais para os sentimentos em reboliço poderem apenas ser expressos pelas letras já empoeiradas de tanto uso que lhes é dado. "uma imagem vale mais do que mil palavras" e ainda ssim insitimos em dar alguma forma escrita a tudo aquilo que nos atravessa, e sinto uma certa melancolia por achar que não tenho na minha posse imagens suficientes que falem por si próprias... que sirvam como alimento da memórias, que todos os dias são catapultadas (em momentos de silêncio) para a vida real.
Penso nisto tudo com um sorriso rasgado enquanto ansei por poder reunir todas as imagens (nunca as suficientes) para guardar este pedaço da minha vida ao meu lado, comigo, sempre! Mesmo acreditando num retorno, num optimismo que por momentos se apodera de mim... adorei o dia de Páscoa!

sábado, março 22, 2008

páscoa vs alice in wonderland

sem muitas certezas, parece que o Coelho da Páscoa surge de lendas antigas, mitos alemães levados até ao continente da bandeira com as listras e estrelas... Mas também se relaciona com mitos egípcios, onde o coelho era o símbolo da Lua (e a Lua marca a data da Páscoa)... e ainda: porque se relaciona com o facto de os coelhos se reproduzirem rápido e em época de ressurreição faz sentido a rápida reprodução!!!! Mais uma vez são os símbolos da antiguidade que ainda existem hoje em dia para nos acompanharem nas datas que tm lugar reservado nas agendas!
fica aqui a minha simbologia retirada do "Alice in Wonderland" de Lewis Carroll, em comum:
o coelho!


It was the White Rabbit, trotting slowly back again, and looking anxiously about as it went, as if it had lost something; and she heard it muttering to itself "The Duchess! The Duchess! Oh my dear paws! Oh my fur and whiskers! She'll get me executed, as sure as ferrets are ferrets!

Where CAN I have dropped them, I wonder?"


designing



design. danielp (para sempalco companhia de teatro)

leituras...


sobre a natureza humana... "Of Human Bondage" de William Somerset Maugham
"It was not true he would never see her again. It was not true because it was impossible" ; "She loved him now with a new love because he had made her suffer."

marionetas

O Teatro de Marionetas do Porto celebra 20 anos de carreira repondo os espectáculos que durante estes último anos marcaram a sua actividade como uma das companhias de teatro mais prestigiadas da cidade da invicta, apostando num teatro de manipulação de objectos e procurando a fronteira entre o actor e o próprio objecto/marioneta, deliberadamente abordando a pesquisa sobre o conceito do actor/marioneta.
Sobre o trabalho da companhia não me posso alongar, já que não conheço todo o espólio de peças que fazem parte do reportório, posso apenas pronunciar-me sobre a memória de "Paisagem azul sobre automóveis" onde a poética do movimento em uníssono do corpo vivo e do corpo manipulado surge aos olhos do espectador com a harmonia perfeita e necessária para a ilusão ser criadas.
Em "Os Três Porquinhos" re-apresentado no Café Concerto da ESMAE durante a semana passada, a companhia revisita esta criação datada de 2000 e feita para integrar um festival no estrangeiro onde a companhia esteve presente. Esta história que data do século XVIII é contada em tom de performance/dança/teatro/contadores de histórias com uma estética bastante futurista, tocando em pontos afastados (e ao mesmo tempo inerentes) da história, como a violência doméstica, e a transformação da sociedade que sucumbe aos encantos do poder. A história serve apenas como fio condutor e elemento de ligação entre os diferentes "retalhos" que se servem da fábula para poder transmitir as mensagens pretendidas.
Com vídeo-artes à mistura, e despindo-se da poética que os caracteriza, este espectáculo de curta duração mostra de forma bastante crua e acelerada as diferentes possibilidades que a companhia tem como objectivo explorar, uma espécie de "show-case" daquilo que é possível ver nos vários espectáculos em exibição em vários locais na cidade do Porto até Novembro de 2008.
(ver programa no site da companhia)

sexta-feira, março 21, 2008

spring mode

os dias que foram

another print

a pele enegrecida e decalcada pelos tempos
as mãos secas e àsperas, delicadas
quando tocam a face de quem acorda.
vives na sombra, no esquecimento de ti mesmo
num emaranhado de pensamentos que
só tu conheces, palavras não proferidas
que se perdem no olhar desvanecido,
nesse olhar que transparece uma melancolia
(que) só tu, carregas sozinho num coração
feito e desfeito, de viagens e memórias
caladas, sempre caladas sempre tuas...
num acordar lento, de um dia de descanso
conheço-te desde sempre assim,
a criança que brincava num país ao longe
em manhãs de sol e calor, fingias-te morto
e eu, em pânico, gritava por ti, chamava-te
e respondias com um sorriso envergonhado
um rasgão sobre a tua face escondida que
era a minha luz, o meu sorriso.
carrego os teus traços, e no papel queimado
de preto e branco sou teu, sou tu, um outro
à mistura como as massas de que se fazem
os pães... E penso em ti, no teu silêncio
e vivo calmo com pedaços dessa alma
enquanto percorro os trilhos de outra vida;
porque cada vida é um vida,
esteja o céu azul ou carregado de nuvens,
sou uma impressão alterada de ti,
e esse coração cedeu um pedaço para
ser transportado para sempre por mim.

-- [o dia do pai, 19 de Março de 2008]

recordações

falta-me o cinema, as fotografias, faltam-me algumas pessoas... as saudades acumulam-se progressivamente de quem não está perto. falta-me o tempo, neste tempo em que se vive o romantismo bucólico de outros tempos... a fantasia e a realidade encontram-se no mesmo sítio e dividem-se em pontos quase invisíveis.

pálpebras



E as suas pálpebras subiam ao ritmo do seu nariz... (sem que se desse conta o dia ia de novo a meio, e o sono mergulhava em cada curva e linhas do seu corpo aninhado e dobrado nele próprio)

terça-feira, março 18, 2008

working...

busy working @ sempalco.blogspot.com

segunda-feira, março 17, 2008

old virtuosism days



domingo, março 16, 2008

antídoto de domingo


o melhor antídoto para passar os domingos enquanto se arrumam as tralhas que se acumularam em casa ao longo da semana. Rufus é Judy Garland e Judy dá lugar a um dos nossos melhores entertainers, um espectáculo facil de imaginar já que o conteúdo do "live concert" no Carnegie Hall é delicioso só de ouvir, imagino que deva ser daqueles espectáculos que vale a pena ver... para já faz-se o que se pode...ouve-se. and he(she)'s not Dorothy anymore...

sábado, março 15, 2008

méxico

as horas de viagem. avião. destino: MONTERREY, México.
a esta hora a minha mãe deve estar algures atravessar o atlântico, na vastidão do céu gigantesco e escuro...
Fico ansioso por saber da chegada, até lá penso no outro lado do mundo e das minhas raízes, daquilo que há vinte anos trago como uma herança de espirito, mesmo sem saber e ainda que utópico corre-me imaginariamente no sangue um fervor do outro lado do oceano, como a paixão latina de um continente que é de rasgos foortes em peles endurecidas pelo sol... penso nisto tudo e sinto um pouco de melancolia. apetece-me, não sei porquê, voltar lá... não ao méxico, à Venezuela.

sexta-feira, março 14, 2008

memórias do "estar em performance"

Agora que se aproxima a próxima edição no Porto do Laboratório de Criação de "Manual de Instruções" de Victor Hugo Pontes, relembro os momentos de um fim-de-semana no inicio do mês passado, ver aqui. Fico curioso por saber em que estado estrá já a proposta, e se terão mudado as premissas dadas na primeira edição do Laboratório ainda no Porto.

Mas isso provavelmente só será possível na altura em que o "Manual..." estiver definitivamente pronto a ser passado áqueles que o irão interpretar à sua maneira... será que se repete:

ver aqui

Enebriado pelos sentimentos que lhe enchiam a alma, aguardava ansiosamente pela hora em que chegaria... teria tudo pronto, a mesa bem posta, o fato beige que lhe dera de prenda e que usava apenas nas melhores ocasiões... tudo estaria perfeito e na ordem para que quando chegasse tivesse o melhor momento do dia. esperara dias. e esperou sempre para que aquele dia chegasse. sentava-se de fato vestido e mesa bem posta todos os dias à mesma hora. o jantar... há muito que o tinha deixado de fazer, contentava-se com o ritual, com a prática que treinava todos os dias para que não se esquecesse de nenhum momento, para que nada escapasse. dois pratos, duas colheres... não, três, uma maior que serviria para tirar o jantar acabado de fazer e cuidadosamente transportado nas suas mãos... dois garfos, duas facas, dois copos, a toalha de mesa... chadrez, fazia-lhe lembrar os piqueniques que fazia quando era pequeno com os seus pais.
Piqueniques esses que nunca chegaram na realidade a existir, era tudo fruto de uma imaginação já muito bem treinada ao longo dos anos.
A toalha, e tudo estava no sítio, o silêncio reinava na sala de jantar; no apartamento todo, aliás... era um Tzero mobilado com apenas aquilo que era estritamente necessário e nada de futilidades decorativas... excepto a toalha que havia comprado para alimentar o fruto da sua imaginação.
O silêncio prolongava as horas para lá do tempo... mas todos os dias à mesma hora o vizinho de baixo (que se masturbava minutos antes do ritual começar, sobre a mesa da cozinha enquanto se agarrava compulsivamente ao jornal) ouvia um estrondo, correspondente à louça de plástico que caía ao chão num desespero igualmente treinado e ensaiado pelo desesperado que sentia prazer enquanto o ritual encontrava lentamente um final. A vizinha de cima, ouvia isto sempre que acabava de entrar em casa depois de vir do seu trabalho habitual e sabia que era hora de se estender lentamente sobre a sua mesa da cozinha e imaginar que era uma famosa ginasta, como gostaria na realidade de ter sido.
Todos os dias... e a televisão permanecia ligada, sem som... ligada, apenas...

o "ser" humano

Há dias em que nos sentimos fortes e sentimos que podemos levar o mundo á nossa frente, sem preocupações. Há outros em que mais valia que o sono se prolongasse eternamente e a luz do dia não penetrasse pelos olhos entreabertos e que passassemos as 24horas do dia em estado de sonolência, e num mundo ideal esse dia não seria contabilizado, ficaria no entre, como nos bons momentos mágicos em que entre a porta 3 e a 4 existe a 3emeio que dá lugar a um mundo de fantasia onde vivem seres dos contos de fadas, e de outros contos... milhares de contos, que ajudariam a passar esses dias piores, que se tornariam numa espécie de recuperação pós-operatório dos momentos terríveis que o ser humano tem que atravessar todos os dias...
digo isto num dia em que me sinto bem, já que num outro qualquer (desses em que preferia que não fosse contabilizado) prefiro alertar-me para o facto de que estou provavelmente a sofrer sem significado nenhum. O factor humano reside nesta capacidade de podermos sofrer e conduzir-nos a um estado de auto-comiseração de um momento para outro sem sequer nos darmos conta que esse esforço seria tão, ou mais, valioso se o utilizassemos no sentido contrário... mas fazer deveria ser mais simples do que dizer... mas desde pequenos que só nos ensinam a dizer e o fazer vem mais tarde quando o dizer está perfeitamente e comodamente instalado no nosso processo interno de formatação continua.

quotations

"No dia em que se enterrou um relacionamento de dois anos e meio, não pude deixar de constatar, com alguma tristeza, que a relação com o meu computador teve em dobro a duração e a estabilidade. Factor humano o caraças."
posted by Finn (maiusculas.blogspot.com)

daily log

Virginia Woolf is impossible to read. tryouts: "As Ondas" e "Orlando", a próxima e última tentativa será o "Ms. Dalloway", o livro que serviu de mote para o livro e adaptação ao cinema de "As Horas"...

quinta-feira, março 13, 2008

unexpected connections



o que é que o "Old Vic" e a "Company of Angels" têm em comum para além do facto de partilharem a actividade na mesma cidade?
Os escritórios ficam situados no mesmo edificio, e eis que ao descer as escadas para um break podemos inesperadamente cruzar em algum dos degraus com Kevin Spacey (o actor de "Beleza Americana" e "Beyond the Sea") o actual director do Old Vic Theatre que fica mesmo por ali pertinho...
quem diria?! em Portugal não acontecem destas coisas... há momentos que ficam para sempre! são as aventuras de uma Tuga em Londres...

terça-feira, março 11, 2008

pequenas dramatugias

"CENA 26 - ESBIRRO. MÉDICO. JUIZ

ESBIRRO : Um bom crime, um crime autêntico, um belo crime, tão belo como a gente só o podia desejar. Há muito que não tivemos nenhum assim. "

em: "Woyzeck" de Georg Büchner

uma peça sobre a condição do ser humano e aquilo que o pode ou não influenciar a uma loucura, aqui desenhada num tom de exagero pelo dramaturgo de forma a conseguir obter os resultados catastróficos que demoram anos a transformar o ser humano num quatodiano normal. e o que será um quotidiano normal? Georg Büchner assinala um ponto de mudança na dramaturgia, ou assim o dizem os estudiosos destes assuntos. A dramaturgia é algo que encerrra infinitas possibilidades nos seus objectos de estudo, ainda assim procuram-se as respostas, sempre é uma mais valia poder fazê-lo nos objectos artísticos que tentam retratar a vida comum, do que fazê-lo na vida real, naquela em que somos nós as personagens e não conseguimos encontrar as respostas adequadas (não as certas) para as nossas próprias perguntas, pode ser que se respondermos ás de várias personagens possamos encontrar padrões que se assemelhem aos nossos, dependendo do momento que estamos a atravessar...
curiosidades:
Tom Waits faz a banda sonora numa das muitas adaptações da peça do autor alemão, a reportagem é feita em alemão e não percebo nada do que se diz, mas achei interessante, algum dia quando tiver tempo talvez consiga traduzir ou pedir a alguém (é o mais provável).

FORBIDDEN - golden collection



"The first volume of Warner Home Video’s “Forbidden Hollywood Collection,” devoted to the frank and racy films that emerged from Hollywood before the strict enforcement of the Production Code in 1934, contained a bombshell in the form of a recently rediscovered, uncensored print of “Baby Face,” a 1933 film by Alfred E. Green starring Barbara Stanwyck as a bootlegger’s daughter who sleeps her way to the top of a Manhattan corporation. There’s nothing as sensational as that in the second volume, released last Tuesday, but it’s a solid selection, and the number of films has been upped to five from three."

in: "The New York Times" (ler continuação do artigo)

segunda-feira, março 10, 2008

lá fora

chove initerruptamente.

absolutamente devastante!

o diálogo é brilhante e o apetite está aberto, já quase a explodir de impaciência para poder ver o filme todo. o virtuosismo e as relações em triângulo os novos conceitos que flutuam já entre várias cabeças.
agradeço os momentos em que percebemos que ainda faltam pessoas por conhecer, e as surpresas são deliciosas de tudo aquilo que elas têm para nos mostrar... I can't wait to know more and more...

'Johnny Guitar', 1954, Nicholas Ray

in NY.



“(Rus)h” features some of the slickest and most pointless high-tech work in New York theater today. It’s a big shiny so-what of a show that with its multitude of swirling projections and video images, appears to have borrowed the aesthetic of CNN’s “Situation Room.”

in: ler mais aqui em "The New York Times"

domingo, março 09, 2008

escrevendo

o céu cinzento anuncia a aproximação de borrascas que esbatem a linha ténue que separa o mar da terra, e as gaivotas voam misturadas com as pessoas junto das paragens do autocarro onde espero para viajar para o meu destino.
atrás de mim fica a visita de domingo ao lar da minha avó... é estranho o ambiente de decrepitude a que todos nós havemos de chegar algum dia e no entanto preferimos não pensar muito nisso. não pensar muito nas partes do corpo que vão envelhecendo também por partes, começando sabe-se lá por onde.. mas por algum lado começa o envelhecimento e esperamos nunca chegar ao cérebro, ao ponto em que este envelhece e vamos gradualmente desaparecendo deste mundo, desaparecendo dentro de nós, deixando apenas a máscara enrugada que durante anos fomos desgastando com os hábitos de todos os dias.

escrevendo em tom melancólico, deixo de parte a poesia e concentro-me no formato das letras e no conjunto de linhas que fazem justificadas na folha digital "paper-free" sobre "a qual" me debruço...

sábado, março 08, 2008

relativo a.: ontem

post#3 relativo a "um acordar cinzento e cheio de sono".
de Ana Lúcia Cruz e Gilberto Oliveira.


há alturas em que nos sentamos calmamente no lugar de público e esperamos relaxadamente por ver aquilo que outros prepararam para nos mostrar, e há outras altura em que quase não conseguimos esperar por ver aquilo que os outros têm preparado para nos mostrar. foi isso que aconteceu ontem na estreia da performance que estará na FÁBRICA ver post anterior. A expectativa depois da mostra informal era bastante, mas os dois intérpretes não deixam nada a desejar e os pontos menos bons, são facilmente superados por um conjunto de imagens muito fortes e bem conseguidas, e uma aposta em fazer algo de diferente na cidade do Porto. Uma performance pensada e acima de tudo com algo a dizer, com um propósito... ou até diria com vários propósitos.
Mais que o próprio tema da decrepitude que é explorado, e a solidão, todo o ambiente criado e atitude dos performers conduzem o público por uma viagem em que este é convidado a sentir aquilo que vê, os corpos retorcidos, a mentalidade distorcida, a ausência do ser humano no próprio ser humano quando este se começa a desintegrar e a caminhar em direcção ao seu fim.
Os dois, colocam questões pertinentes não relativamente ao tema, mas igualmente ao próprio acto de criação, e constróem em cena uma performance em formato de espectáculo teatral despido de tudo o que pudesse ser demais e assumem uma simplicidade que nos permite (público) ver tudo o que acontece.
Quero conter-me e não colocar nada que possa desvendar muito acerca daquilo que se pode ver até dia 22 de Março, de 3ª a sábado, todos os dias pelas 21.30h.
e em tom de resposta:



quinta-feira, março 06, 2008

estreia amanhã

sinopse.:
Como serei eu aos 90 anos? Quererei morrer antes do corpo me começar a doer? Hoje aparece uma ruga, amanhã um cabelo branco e depois vêm as dores nas pernas, as dores nas mãos e o corpo já não pode mais. Mas quando ainda nos resta a memória, podemos sempre recordar. Precisamos de recordar para perceber o sentido das coisas à medida que nos apróximamos do fim.Resta-nos aceitar ou correr contra o tempo.

criação e interpretação: Ana Lúcia Cruz e Gilberto Oliveira
apoio dramatúrgico: Margarida Fernandes
7 a 22 de Março - 3ª a sábado 21.30h
FÁBRICA (Rua da Alegria 341 Porto)

nothing to say

Questiono-me sobre a importância de dizer algo, de dizer alguma coisa que realmente conte e que faça sentido para o resto da humanidade. Isto, claro, deduzindo que a humanidade a que me refiro circunscreve um grupo restrito de pessoas que podem eventualmente ouvir, ler, ou ver aquilo que eu tenho, ou quero, dizer…
Questiono-me sobre o egocentrismo necessário, o nível (q.b.) de egocentrismo que é necessário para poder achar que podemos dizer alguma coisa que faça realmente sentido neste mundo em que já tanta coisa é dita, e pensamos quase todos da mesma forma. Volto a dizer, “quase todos” é um termo generalista para incluir aqueles que podem eventualmente estar relacionados (directa e indirectamente) comigo.
Será tão grande esta necessidade do ser o humano de querer comunicar incessantemente com o mundo que fez avançar tanto as tecnologias ligadas à comunicação – tecnologias essas que acabaram sempre por acelerar o desenvolvimento de outras tecnologias, ideias e teorias que defendem e descrevem a actual sociedade em que o mundo vive no presente século.
Há um eterno auto-questionamento no ser humano, ainda que seja um do tipo inconsciente que acontece no subterfúgio de pensamentos menos desenvolvidos e profundos, mas existe e é impossível de controlar e transforma-nos em seres irracionais por sermos incapazes de organizar, equilibrar, e viver com a nossa extrema racionalidade.
Auto-contrariamo-nos e acabamos sempre por defender valores que são os nossos e que serão (no momento em que os defendemos) imutáveis para o resto da vida. Seja o que isso signifique “resto da vida”, a imortalidade seria insuportável por isso mesmo, por obrigar o ser humano a repensar-se constantemente e a viver até ao infinito com a condição de não entender definitivamente aquilo que o deve definir como ser pensante que é…
Em horas destas, quando a madrugada espreita na escuridão nocturna, não pretendo de forma alguma estabelecer teorias quanto àquilo que o ser humano é e deve ser… nem teorias comportamentais que se referem única e exclusivamente à minha pessoa, mas que tento enquadrar na generalidade de todos os seres humanos.
Questiono-me apenas.

Questiono-me acerca da metáfora que Charlie Chaplin utiliza para falar do Homem sobre como ele deveria ser. E se faz ou não sentido falar-se de suposições utópicas que servem para comover o mais sensível e que não conseguem mover nem uma pedra apenas daqueles que se escondem todos os dias por detrás de muros impossíveis de derrubar. E daí, não construímos nós todos os dias esses muros? Não construiu o próprio Charlie Chaplin uma máscara sobre ele próprio para poder exercitar o seu espiríto criativo num mundo onde a maneira mais simples de atingir o âmago dos que vivem é através de recursos metafóricos e até a poesia consegue entrar no coração dos mais resistentes? Questiono-me se o ser humano deve continuar a viver sob a grande utopia de que as utopias existem para o mundo evoluir, ou se simplesmente a pouco e pouco todos nós nos rendemos á rotina do dia-a-dia e vamos, também a pouco e pouco, desaparecendo sem deixar marca, sem deixar traço... sem uma réstia de nós.

segunda-feira, março 03, 2008

teaser 2

antestreia
"CORAÇÕES PLÁSTICOS"
de Sérgio Brás d'Almeida
Portugal, 2008 - 16min
não legendado
5 de Março, 21.30h
com a presença do realizador.
ver neste blog aqui

domingo, março 02, 2008

memórias

laboratório de criação (Porto) de Victor Hugo Pontes

9 e 10 de Fevereiro'08 ver neste blog aqui.

os lugares

os lugares são locais que vivem por eles próprios, ganham o estatuto de “lugar” por existirem sozinhos com a sua individualidade no meio de tantos outros lugares anónimos e banais. Acontece que a Rua Miguel Bombarda no Porto tem esse estatuto por albergar em si mesma o centro artístico da Invicta.
A Famouse Grouse patrocinou o evento de ontem, transformando a rua num autêntico espaço performativo onde a arte saiu à rua, e as estampas de quadros assinados por pintores famosos estavam expostos nas paredes degradadas da rua que respira arte todos os dias, e as galerias inauguraram as exposições que estarão patentes nos diferentes números de porta que constituem toda a rua até ao final do mês de Março.
Destaca-se o trabalho de Pascal Nordmann (a ver mais aqui)
alojado na galeria “Por Amor à Arte” (Espaço Mustang: Rua Miguel Bombarda 572, Porto - http://www.poramoraartegaleria.com/).

na Bienal de Cerveira

Lápis que desenham sozinhos no espaço, a cinética do movimento iniciado por pequenos motores electrónicos de brinquedo que levam as estruturas de arame, com objectos nas extremidades nas pontas, a obterem um movimento contínuo e repetitivo como as acções humanas do quotidiano.
O espaço habitado de pequenos recantos onde a ausência do ser humano é desapercebida e substituída pela força da máquina (quase invisível no meio de tanto caos e acções) criando a ilusão daquilo que não existe. Espaços banais como “o recanto dos assassinos” onde a metáfora utilizada serve o mesmo propósito do que aquele que é pretendido para o espaço “cozinha”; dois exemplos dos recantos/lugares habitados pelo espírito do homem que o artista constrói em forma de instalação recorrendo ao contraste entre o automatismo mecânico e os objectos decadentes e com vivências próprias, resultando em instalações que individualmente nos transmitem “L'esprit des lieux”.

sábado, março 01, 2008

dias longos...

finalmente acabou Fevereiro... foi o mês mais pequeno e mais longo...
Já estava a ficar cansado de acordar todos os dias a pensar que ainda estavamos no mesmo mês, de assinar todas as datas com o 02, como indicativo do mesmo mês... e principalmente cansado de parecer que o mundo tinha estagnado especialmente no mês com apenas 29 dias...

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