quarta-feira, abril 30, 2008

Tailor's Bunion

Para além de ter os pés numa desgraça, descobri que provavelmente tenho isto:
Tailor's bunion, also called a bunionette, is an enlargement of the fifth metatarsal bone at the base of the little toe. The metatarsals are the five long bones of the foot. The enlargement that characterizes a tailor's bunion occurs at the metatarsal "head," located at the far end of the bone where it meets the toe. Tailor's bunions are not as common as bunions, which occur on the inside of the foot, but both are similar in symptoms and causes.
The symptoms of tailor's bunions include redness, swelling, and pain at the site of the enlargement. These symptoms occur when wearing shoes that rub against the enlargement, irritating the soft tissues underneath the skin and producing inflammation.
Why do we call it "tailor's bunion"? The deformity received its name centuries ago, when tailors sat cross-legged all day with the outside edge of their feet rubbing on the ground. This constant rubbing led to a painful bump at the base of the little toe.

terça-feira, abril 29, 2008

sobre a dança

Gostava de poder falar mais acerca deste tema, de explorar mais aquilo que faz mover os corpos. O próprio corpo em movimento, sem parar, sempre sem parar. Mesmo na quietude um movimento interior em espiral que cresce para todos os lados e em todas as direcções. Uma linguagem que é compreendida em todas as culturas, porque no primeiro dia de todos foi o movimento aquilo que foi iniciado em direcção à evolução, em direcção ao Homem que somos hoje. Não propriamente um movimento dançado, mas talvez grotesco e desajeitado o daquele que começou a ter alguns traços que anunciavam a humanidade do futuro. De todas as outras espécies, que existem para além da nossa, há ainda essa essência da comunicação "corporal", das "danças" que se fazem para conseguir a atenção do outro igual, porque só um igual comprenderá aquilo que o corpo expressa, e se por um momento conseguíssemos calar os cérebros de pensar o corpo automaticamente reconheceria um mundo onde a palavra é muda e apenas a consciência - ou diria inteligência - física se manifestaria como o mais útil dos recursos ao ser humano.
Sobre a dança pouco terei a dizer apenas que, como a música clássica quando há momentos de virtusosismo, é de arrepiar e de cortar a respiração no preciso instante que tudo está em perfeita harmonia... O mesmo deveria acontecer também nas outras áreas que acompanham a dança como forma de expressão do ser humano, o mesmo nem sempre acontece naquilo que se chama de "dança". Mas nas palavras de outros que falam sobre os seus trabalhos e aproximando-se o mês Pina Bausch (este ano Maio muda de nome)... a dança fala por si própria, aquilo que faz parte da sua concepção está lá sintetizado e expresso naquilo que o corpo humano sabe naturalmente fazer (ainda que se esqueça por vezes) expressar-se.
em tom de homenagem e porque é o ano dela também:


segunda-feira, abril 28, 2008

from venezuela, 80's

Eu sei. mas não consigo deixar de ouvir, fez parte da minha infância.
Karina



"La noche es magica"

por causa das solidões

domingo, abril 27, 2008

re-estruturações

Há alturas que já começa a ser dificil viver enterrado em milhares de coisas que fazem parte do passado e algumas que nem sequer nos lembramos que estiveram presentes nesse mesmo passado. Há alturas da nossa vida em que se torna urgente re-organizar os pensamentos e tudo aquilo que se passa dentro destas cabeças complicadas que o ser humano tem, e que eu às vezes abomino possuir, mas a verdade é que é ainda mais urgente livrar-se das coisas materiais que se vão acumulando ao longo da vida, coisas sem importância que vamos guardando para mais tarde recordar. Recordar o quê?! pergunto eu. Recordar...sim, há coisas que não se devem esquecer, mas falo das outras coisas, pequenas bugigangas que vamos coleccionando, aqui e ali, um postal, um recorte de jornal, uma revista e mais outra, folhas escritas, horários antigos, tabelas, manuais de estudo que sabemos que não vamos tornar a tocar neles, cadernos inúteis, pedaços de coisas, pedras (ainda me pergunto porque raio me deu para coleccionar pedras e pedrinhas de vários sítios), livros que temos mesmo que devolver, canetas que já não escrevem, ursinhos de peluche, bonecos, carrinhos, 4 rolos de papel autocolante para forrar livros e cadernos... isso que só se usava assim nos anos 90...enfim.
Ao todo foram quatro sacos do lixo, daqueles bem grandes, cheios de tralha direitinhos para o lixo. Confesso que não fiz reciclagem, havia coisas que tive de fechar os olhos e deitar fora sem pensar duas vezes, mas foi o que foi... O meu fim-de-semana prolongado do 25 de Abril, dedicado às arrumações. Sinto-me mais leve... e mais organizado.

sábado, abril 26, 2008

indefinições meteorológicas

Enquanto o sol brilha e o calor aumenta nestes últimos dias libertam-se os corpos das roupas pesadas e escuras que passeiam nas correrias escorregadias a fugir da chuva, e no entanto é impossível dizer se começou uma nova estação devido às definições meteorológicas que começam a definir um estado de (anti) estação climática e passamos a viver com um guarda-roupa de dia a dia, quando há sol, quando há nuvens, quando há mais sol e menos nuvens, quando não há luz suficiente e as nuvens largam chuva.. um sem fim de combinações que parece que a natureza se rebelou contra a humanidade e decidiu, ela também ter liberdade de escolha. Contra isso não podemos dizer ou sequer revoltarmo-nos, como todo o conjunto das condições que são impostas ao ser humano, há mais uma que nos obriga a viver dia-a-dia... resta esperar para guardar os casacos de inverno. nos próximos dias a temperatura volta a descer e a chuva parece não ter desistido dos quintais portugueses.
Hoje: sol... e é isso que interessa, mesmo sendo de noite agora!

sexta-feira, abril 25, 2008

quinta-feira, abril 24, 2008

stardom: the new subject

O novo filme de Harmony Korine argumentista de "Ken Park" : "Mister Lonely" é para já uma incógnita que mistura onde Diego Luna interpreta um Michael Jackson, Samantha Morton é uma suposta Marilyn Monroe e Charlie Chaplin é interpretado por Denis Lavant. Em exibição no Indie Lisboa que terá uma extensão no Porto, de 8 a 15 de Maio'08 no Cinema Trindade (R. do Almada, Porto).



outros trabalhos do mesmo realizador: "Gummo" (1997) e Julien Donkey-boy (1999)

estado corrente: holding on

tenho os pensamentos guardados no céu da boca e sinto-me incapaz ou de os engolir, ou de os cuspir para fora. numa indecisão que os faz permanecer no sítio onde acamparam há já alguns dias.
noticias do exterior: zero.
sentimentos: zero.
anulação: completa.
sinais de fraqueza, espalhados por todo o meu corpo.

domingo, abril 20, 2008

outros projectos

Em ano de Jogos Olímpicos este filme retrata o espirito daqueles que se sacrificam por amor a fazer aquilo que gostam e ambicionam com o seu momento de glória naquilo que fazem quando tem algum tempo extra, aquilo que fazem paralelamente ao seu dia-a-dia...

Com uma música que marcou os tempos pelo seu significado "Chariots of Fire" é sem dúvida sobre esses momentos de glória que todos, desportistas ou não, ansiamos atingir... Numa auto-superação que fomos deixando para trás...

sobre o manual

Na versão original de Eric Carmen, "All by myself" descreve o desenrolar de "Manual de Instruções" de Victor Hugo Pontes. Ontem foi a vez da apresentação provisória a título de experiência enquanto formato de apresentação ao público em geral, naquilo que contrariamente ás outras se pode designar como apresentação formal de um trabalho que teve um processo de construção como poucos projectos podem conseguir e isso é, deixar-se influenciar daquilo que os intérpretes (quer nos workshops, quer na construção da apresentação formal) possam acrescentar intervindo num processo de criação em conjunto e fazê-lo progredir de acordo com os objectivos de alguém que concebeu inicialmente o projecto.

O indivíduo no espaço, a solidão no meio da multidão. o caos progressivamente num crescendo. As quatro paredes da casa, o espaço interior alberga o momento privado de cada um, depois da montagem, depois da construção ter tido lugar - como formigas obstinadas para acabar de reunir todos os mantimentos e construírem a sua colónia - o espaço da "casa" existe para o público confortavelmente seguir os momentos de cada "personagem" - zapping between fictional characters - e aí construir as suas próprias ligações. Ter a oportunidade de conseguir ver a resposta a algumas perguntas, por exemplo, como serão as pessoas no íntimo do seu espaço?! (Como se não estivessem a ser observadas) Como se, de facto, se tratasse de personagens reais que vivem durante alguns minutos enclausuradas no olhar de cada espectador e alternam de olhar em olhar, que transportam esta carga humana que está no simples acto de fazer algo, algo verdadeiramente comum, que todos nós fazemos na privacidade do nosso espaço. Os desejos reprimidos, as vontades escondidas, os pequenos prazeres, as obcessões exageradas, a mentira que dá lugar à verdade, as fantasias, as simples constatações de que somos quem realmente somos quando entramos na porta de casa e estamos sozinhos.

ainda continua o Dança.pt até 29 de Abril

quarta-feira, abril 16, 2008

a solidão transvestida

De volta ao projecto de Victor Hugo Pontes - "Manual de Instruções" (Provisório).
"Será que a solidão se transveste do ser solitário?" é a pergunta que colocada pelas palavras do próprio criador do projecto.
Os ensaios são durante esta semana e estreia o "manual..." provisório no próximo sábado no auditório do Balleteatro em Arca d'Àgua (Porto).

bons velhos tempos

No domingo fui ver a peça "Sonho de uma Noite de Verão" (Shakespeare) apresentada como resultado final do trabalho dos alunos do curso bi-anual, uma iniciativa do Teatro Universitário do Porto.
O Teatro Universitário que completa neste ano que corre o seu 60º aniversário foi durante alguns anos a minha casa, o meu berço nestas andanças, o alimento para algo que já há bastante tempo procurava. Se a escolha final foi acertada ou não, saberei no final da minha vida quando já a tiver vivido na totalidade e conseguir então perceber (naquele bocadinho que dizem que temos um flashback de tudo o que se viveu) se valeu ou não a pena. Para já está a valer...
O melhor de tudo, à parte de considerações sobre uma encenação com falhas evidentes, a disposição do público errada e um espaço que não conduzia os espectadores para nenhum midsummer night's dream), foi de facto voltar a ver a inocência e o prazer daqueles que "subiram" ao palco durante uma semana com aquilo que deveria ser a sua primeira experiência em teatro, estreantes em todo o sentido da palavra que mergulharam na poética shakespeariana acima de tudo com aquilo que se chama instinto e consequentemente um brilho nos olhos de onde transparecia a alegria de estar ali perante os olhos perscrutantes em redor da sala e eles deixavam-se absorver...
Fez-me lembrar os velhos tempos, tempos em que essa mesma inocência permitia um desfrutar salutar daquilo que via e fazia, essa capacidade é algo que temos tendência a perder em tudo e o saudosismo que os meus olhos viram a peça de domingo fez-me re-pensar, e voltar a procurar essa vontade.
É agradável ver o esforço de toda uma equipa para se entregar daquela maneira ao público, ao contrário de muitas peças ditas profissionais que se esforçam por esmiuçar o teatro até ao caroço e destruir a essência que move público e artistas para um mesmo sítio.
Há um saudosismo, mais ou menos saudável, que se instala sempre que se fala do Teatro Universitário do Porto, mas não deixa de ser algo inesquecível.
foto: Daniel Pinheiro (ensaios Pre-Paradise Sorry Now - R.W.Fassbinder - TUP dez.2004)

je suis enchanté

o trabalho é do artista Ugo Dehaes e apesar de ser pouca a informação que encontrei sobre ele achei o trabalho muito interessante. Foi uma das surpresas boas que o youtube nos pode trazer.

Tudo isto enquanto revia algumas coisas de Jerome Bel que estará este fim-de-semana em Serralves.

segunda-feira, abril 14, 2008

new addiction

é verdade, ando um pouco obcecado, mas adoro a voz, o arzinho franciú e sobretudo aquele ar blazé, despreocupado...enfin.

Charlotte Gainsbourg (no vídeo a música The Operation do álbum 5:55)

momentsmemoires...

foi em Abril de 2006 que comecei a escrever neste blog. Até hoje já foram muitos os posts que fiz, relativos a tudo aquilo que me atravessa, às coisas que vejo, que sinto... Em muitos momentos me senti já impelido a escrever por um sentimento de urgência que não consigo descrever sobre mim das mais variadas maneiras e possibilidades que existem quando se tem um meio destes como meio de comunicação; e não posso deixar de pensar que há um certo sentido perverso em tudo isto quando escrevemos fora da nossa privacidade, quando encontramos um espaço no mundo cibernético para deixar uma marca nossa, tornarmo-nos presentes de alguma maneira neste universo onde tantos seres desconhecidos nos podem ler, ver, ouvir... Sinto que é como se fosse uma espécie de diário que se afasta dos moldes comuns do objecto propriamente dito não só porque deixa de ser pessoal, mas porque não é suposto sê-lo. Pertencemos a uma comunidade que se intercomunica por mensagens metafóricas (ou por vezes bastantes literais) e que na realidade não se conhece. Não posso deixar de dizer que foram bons os momentos em que vi o meu blog nas listas de links de outros blogs (que também visito sempre que aproveito os momentos na escuridão ou solidão do resto do mundo para me abstrair). Tem sido uma experiência interessante poder partilhar com quem quer que aqui venha espreitar de vez em quando, mesmo os desconhecido. É o terceiro ano de existência do Moments&Memoires (mesmo sabendo que pode dar confusão comum outro que momentsmemories...) e partilho aqui a origem do nome, que surgiu enquanto vasculhava nos Cd's e econtrei uma colectânea de jazz com o título que dá nome a este blog... a este sítio. Para onde quer que eu vá ele existe aqui... e, a menos que tenha amnésia, lembro-me de continuar a passar por aqui e continuar aquilo que tenho feito... interessante ou não, são momentos que ficam memórias arquivadas e registadas... acho que é uma forma que encontrei para me lembrar das várias coisas que me atravessaram. Eu próprio me admiro quando revejo alguns dos posts que fiz... Apenas prova que o ser humano está em constante mudança e ao mesmo tempo há coisas que permancem e que fazem parte dele sempre. Outros escritos e afins continuam onde pertencem. Guardados.

domingo, abril 13, 2008

ontem na rtp2

MANDERLAY

quinta-feira, abril 10, 2008

estou cansado. boa noite

cansaço extremo. cérebro liquefeito. saudades de sentir calma.

listening: 'Snow Abides' de Michael Cashmore com a partipação de Antony (de Antony and the Johnsons)

charity water

e se New York ficasse de repente sem água potável? E o resto do mundo... esse resto do mundo que ainda a tem?

experiências #2

quarta-feira, abril 09, 2008

sebastianista racional



de: fernando pessoa
para: adolfo casais monteiro

“Caixa Postal 147,
Lisboa, 13 de Janeiro de 1935”

algumas citações:

“Sou, de facto, um nacionalista místico, um sebastianista racional. (...) A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico. (...) Mas sou homem – e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia... Isto explica, tant bien que mal, a origem orgânica do meu heteronimismo. (...) Mais uns apontamentos nesta matéria... Eu vejo diante de mim, no espaço incolor mas real do sonho, as caras, os gestos de Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Construí-lhes as idades e as vidas. (...) Como escrevo em nome desses três?... Caeiro por pura e inesperada inspiração, sem saber ou sequer calcular que iria escrever. Ricardo Reis, depois de uma deliberação abstracta, que subitamente se concretiza numa ode. Campos, quando sinto um súbito impulso para escrever e não sei o quê. (...) Nesta altura estará o Casais Monteiro pensando que má sorte o fez cair, por leitura, em meio de um manicómio. Em todo o caso, o pior de tudo isto é a incoerência com que o tenho escrito. Repito, porém: escrevo como se estivesse falando consigo, para que possa escrever imediatamente. Não sendo assim, passariam meses sem eu conseguir escrever.”

Turismo Infinito no Teatro Nacional S. João é a reposição de um espectáculo que já se encontra em digressão e regressou à casa onde foi criado para oferecer ao público da Invicta um espectáculo sobre um dos maiores génios da poesia portuguesa. Um português que albergava, não uma mas, várias mentalidades dentro de si.
O espectáculo conta com alguns momentos geniais de interpretação sendo que um deles é interpretado por Emília Silvestre; o resto do elenco vive sob a sombra de João Reis que interpreta o motor da acção de toda a peça sob o nome de Álvaro de Campos o heterónimo/consciência de Fernando Pessoa. Há uma considerável falta de momentos de acção dramatúrgica em toda a peça, acabando (na maior parte do tempo) por ser uma série de declamações da poesia pessoana, exceptuando alguns – como é o caso onde Fernando Pessoa/Álvaro de Campos se corresponde com Ofélia Queiros (suposta amante de Pessoa) – que se destacam por conseguir transformar a poesia em perfeito texto teatral onde as “personagens” (aqui desenhadas de forma bastante estéril) se contaminam umas às outras, brotando um Fernando Pessoa multiplicado em diferentes corpos, vozes e gestos como o próprio mantinha em ebulição dentro de si.
A assinatura de Né Barros surge em diferentes momentos deste Turismo Infinito que prima por imagens limpas e silenciosas, num universo cheio de símbolos e jogos de luz que materializam as metáforas de uma poesia que marcou a literatura portuguesa.

Sem mais de momento, o Teatro Nacional apresenta ainda este espectáculo até ao próximo dia 12 de Abril, e continua depois em digressão.

subway hot air

Já havia a famosa imagem de Marilyn Monroe a ser "surpreendida" pelo sistema de ventilação nos passeios nova-iorquinos. Mas hoje as ruas encheram-se daquilo que é a arte de Joshua Allen Harris com o que foi designado de "Air Zoo"... uma possível re-interpretação do filme "Jumanji", mas sem dúvida uma ideia original para animar o dia dos transeuntes com "arte"...
Pelo menos é isso que espero a partir de amanhã com o AdaFestival.
today in the streets of New York.


terça-feira, abril 08, 2008

Gainsbourg



Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot em "Comic Strip".

segunda-feira, abril 07, 2008

sobre o dylan em cinema

Um filme sobre as diferentes etapas da vida do ícone do rock&roll americano. desde as suas origens, influências activistas até um Dylan absorvido na sua própria poética existencial.
A narrativa fragmentada, bastante em uso no cinema actual, é em "I'm not there" um êxito do realizador Todd Haynes.
Com vários pontos positivos, o filme marca pela presença avassaladora de Cate Blanchett e por uma banda sonora original com alguns dos melhores nomes da música actual a interpretarem Bob Dylan.
"There he lay: poet, prophet, outlaw, fake, star of electricity."


indefinições

estado actual da humanidade em geral. seres amorfos... amorfização do ser humano, um pouco dizer que nos menosprezamos, a essa raça que já foi superior. mas agora é superior a quê na realidade?
a pergunta é pertinente quando na realidade se pensarmos bem não somos superiores a nada porque não podemos ser superiores a nós próprios... ser superiores à imagem que construímos daquilo que deve ser o ser humano. Conseguimos aniquilar com tudo aquilo que ameaça a existência e evolução da vida humana, tudo menos uma coisa: o próprio Homem. Não conseguimos superar o pensamento humano, o inconsciente animal e inteligente que o ser humano carrega dentro de si.
Seremos uma espécie em vias de extinção daqui a alguns anos, uma espécie que se verá sem recursos suficientes para conseguir viver, sobreviveremos em tempos que reinará a precaridade não só física como também moral.
O futuro nunca foi aquilo que tantos filmes e livros de ficção cientifica tentaram prever, no entanto há algo comum a todo esse género de filmes, é o retrato que é feito da condição humana cada vez mais fria e solitária, numa maior ou menor desgraça mundial onde apesar dos grandes meios tecnológicos (que funcionam maravilhosamente na tela de cinema, mas que nem sempre se transcrevem directamente para a realidade); e é nesse que retrato que vivemos actualmente na sociedade do século XXI, comparativamente à ficção uma aldeia (literalmente) global, onde não existem nem naves aerodinâmicas, onde as comunicações entre os seres humanos envolvem sempre uma maior distência entre eles. Um mundo que se rege por 0's e 1's, a informatização do ser humano não precisa de ser física com a instalação de chips internos, ou com a criação de inteligência artificial que se assemelhe até fisicamente ao ser humano.
O que há de mal com a manipulação genética no meio tudo? Isso é apenas uma consequência da evolução daquilo que nos propusemos fazer há milhares de anos atrás quando um ser peludo e de vocabulário limitado decidiu inventar a roda, ou o fogo... Nessa altura sim, distinguimo-nos como raça superior, porque tinhamos que combater/lutar pelo nosso espaço com forças animais que controlavamos apenas pela força, e por instinto chamado de sobrevivência essencial para prosseguir com a missão do ser humano.
Actualmente combatemos o nosso semelhante, as raças animais chegam a ser "estimadas" por nós... por muito calor que esteja o mundo é cada vez mais um sítio frio, estamos sozinhos no metro, nas filas de trânsito, nas filas de supermercado, nas imensas filas que se fazem para várias coisas do nosso dia-a-dia, falamos sozinhos com pessoas que nos atendem mecânicamente e não sabem responder se fazemos perguntas que não estão programadas nos cérebros. Por exemplo se eu perguntasse, como a Charlotte Gainsbourg pergunta ao heterónimo de Bob Dylan em I'm not there, a alguém "O que é que está no centro do teu mundo?!", será que alguém me saberia responder?! Será que eu próprio sei responder?


abril

segunda feira. e parece que o ditado afinal está certo. "Abril águas mil..."

Porto em acção

Esta semana terá lugar no Porto o Festival Europeu em acção.
É no Porto, nos próximos dias 10,11 e 12 de Abril.


e aqui onde tem informação sobre a programação dos três dias de "acção".

domingos à noite



saudades da britcom. especialmente a série "Smack the Pony"...

domingo, abril 06, 2008

Charlton Heston; 1924-2008



"...Epic Star, Dies at 83.

Mr. Heston is remembered chiefly for his roles as Michelangelo, Moses and Ben-Hur."

ver mais aqui NYTimes

sábado, abril 05, 2008

experiências


quinta-feira, abril 03, 2008

extra extra!

Björk lança novo vídeo 3D - Wanderlust - é o single de "Volta" que a cantora edita neste formato digital de vídeo-clip. Uma nova era de artes visuais/digitais...

ver mais aqui

poesia in palácio

hoje e amanhã: o mesmo.

A paisagem tantas vezes inspiradora
o repicar dos sinos no final tardio.
Os patos no lago, as pessoas mudas
do frenesim que se ouve baço
e apenas o sol arde ténue na incessante
aragem que atravessa
o jardim da fonte que jorra séculos de água
sem parar; que marcam as árvores que respiram.
As vozes opacas sobressaem no
silêncio deste campo na cidade desta
cidade rodeada de campos e
em cada minuto da minha existência
os versos que escrevo são palavras de outrem
e não cabem todas no papel branco
que se submete à caneta, tão azul;
como o céu sobre mim que se extinguirá
lentamente (hoje, mas ainda há horas.)
até que cesse o brilho dos automóveis
atravessando a ponte. E eu curvado
sigo os sinais de um travelling imaginado
de pequenas coisas, de onde os patos que
me atravessam o olhar vagamente cansado.


continuação: o mesmo.

Sou a água que corre longe
a brisa verde que desfolha as árvores.
E essa água toda, perco-me,
na miragem de um horizonte esfumecido
pela ilusão óptica que é natural
da natureza;
(porque tudo na natureza é natural
e existe na simplicidade que a
naturalidade implica a tudo o que existe.)
o zangão corta o zumbir dos patos
bravios manifestantes contra a erva
áspera que secam docemente as digitais.
Aproximam-se, elas, caminhando
lentamente numa vida
onde eu existo num breve momento
enquanto serei produto de imaginação
de alguém, e a realidade de outros;
cinjo-me a ser apenas isso, agora
neste momento que relembro Pessoa
e sinto os beijos do casal ao longe,
porque já ter provado desse bittersweet
gosto de ternura amargurada,
que se encontra submersa no profundo
de um rio, ou mar, ou oceano
que levamos dentro.

dias quentes



ainda cansado, senti a leveza do primeiro calor que visita a primavera neste mês de Abril. A leveza de poder andar de manga curta, e a t-shirt vermelha leve sobre o meu corpo fez-me esquecer o cansaço que obrigava o meu corpo a curvar-se sobre ele próprio e a aragem fresca de final de tarde acompanhou-me enquanto decidi caminhar e aproveitar o resto do dia sob o sol que brilhava no céu azul.
é sempre bom sentir o calor nestes primeiros em que se sente a indecisão da primavera...haverá chuva concerteza! mas para já, sabe bem assim.

terça-feira, abril 01, 2008

Canções d'Amor

A facilidade das bandas sonoras. Descemos as ruas com música “in the right mood” para os diferentes estados de espírito em que nos encontramos em cada um desses momentos... Já não há ditadura quanto às escolhas, somos donos e senhores daquilo que queremos ver, ouvir, tocar, sentir. Permitimo-nos sentir apenas aquilo que é necessário, controlando tudo o resto. As variáveis estão ao alcance do nosso controle.
Les Chansons d'Amour” é o universo poético-narrativo-françês mais uma vez melodramático e trágico que Honoré cria com três dos mais conceituados e jovens actores franceses que mostram os dotes vocais à lá Carla Bruni – em registo quase sussurrado bastante comum na musicalidade francesa – em músicas que são trechos de diálogos que perdem, em alguns momentos, interesse por estarem concretizados no género musical.
O ambiente que é necessário para dar lugar á canção-palavra não está, na minha opinião, bem conseguido (diria até apoiado), o argumento esse sim, sem dúvida (no bom estilo françês) está muito bem estruturado e os diálogos são de uma sensibilidade aguçada, explorando os relacionamentos humanos (questão bastante pertinente e sem dúvida latente nos nossos dias) e “who loves who? And who the hell loves me?”.
As músicas existem em demasia, e algumas deviam ser incluídas apenas como banda sonora e não integradas nos discursos que conduzem o desenvolvimento da acção onde normalmente os personagens existiriam em condições normais. Ainda assim existem bons momentos onde tudo encaixa na perfeição; as músicas, a narrativa, a imagem urbana e melancólica de Paris e a tragédia sentimental de seres humanos que desconhecem o seu próprio interior, a sua essência.
“Je n'aime que toi” pode muito bem servir de prefácio ao próprio filme.


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