segunda-feira, maio 26, 2008

away

Demasiado atarefado e com o tempo a correr-me por entre os dedos, a partir de amanhã estarei em residência artística para o projecto "Outros Perigos!"

San Juan no São João

Antonia San Juan, actriz no filme de Almodovar "Todo sobre mi madre" no papel de La Agrado, está dia 3 de Junho no Teatro Nacional São João com o seu one woman show - Las que faltaban - inserido na programação do FITEI2008.
Espero conseguir espreitar...

sexta-feira, maio 23, 2008

outros perigos


é o que se corre quando se mergulha num projecto que marca o final de um ciclo. Em preparação desde 2007, mas só há bem pouco tempo no activo "Outros Perigos!" será, espero eu, o reflexo do esforço e dedicação a um trabalho que pretende ter o "virtuosismo" como forma de trabalho e ponto de retorno após a experimentação.

mais informação será actualizada aqui... e em outrosperigos.blogspot.com

quinta-feira, maio 22, 2008

a ficção em palco

"Eva à L'Orange" está em cena no Teatro Latino (ao Sá da Bandeira) até ao próximo domingo. Um trabalho desenvolvido pela "Tenda de Saias" uma das companhias emergentes no panorama teatral da cidade do Porto e pertencentes ao núcleo d' A Fábrica conhecida já por albergar companhias como "Teatro do Frio", "Mau Artista", entre outras...
Com encenação de Inês Vicente e um texto brilhante de Sandra Barros, as cinco actrizes dão vida a um projecto que trata o tema da clonagem e reprodução artificial de seres humanos, num futuro distante, futuro esse que conseguimos perceber a partir do conhecimento que temos actualmente de como pode vir a ser o futuro.
Eva, como o pato, à l'orange é produto de uma experiência de conceber um ser humano como "antigamente existiam", no entanto o resultado não é o esperado e um ser amorfo e mole, diferente de todos, vive enclausurado e escondido à mercê das vontades destas personagens, elas próprias produtos com malformação, à margem de uma sociedade que aboliu com todas as variáveis que faziam de cada ser humano, um indivíduo único e especial dos restantes.
Futurismo e Ficção cientifica em palco.

terça-feira, maio 20, 2008

não visto e por ver.

Sarah Kane, 4.48 Psicoses, Estúdio Zero (As Boas Raparigas...)
O Café de Fassbinder, R.W. Fassbinder a partir do Café de Goldoni TNSJ
A Dama do Mar, Henrik Ibsen TeCA
Casa-Abrigo, Circolando, Mosteiro de São Bento da Vitória
Um Artista ao Seu dispor, Dinis Machado (R. D Manuel II)
entre outros... para quem puder, é o que está neste momento no Porto. Daqui a nada o FITEI que também não terei muito tempo livre para ver... enfin! c'est la vie... em alturas de trabalho não se é nunca público geral!

i for one believe her

os olhos entram num automatismo incontrolável e as pálpebras pesadas cedem ao total conforto que a gravidade exerce sobre elas, e entre as horas que passam e as que ainda virão, acredito que há algo mais, que nem que seja por um só momento precisamos todos de sentir que há sentido, nem que seja por um só momento poder saborear a felicidade extrema faz-nos acreditar naquilo que rapidamente esquecemos...

a madrugada fala por mim. o filme com um momento brilhante interpretado por Jodie Foster, em 'Contact'

sábado, maio 17, 2008

hoje...

::Dia Internacional de Museus Acesso gratuito aos Museus e Palácios dependentes do Instituto dos Museus e da Conservação, I.P. no dia 17 a partir das 18.00 horas e no período da tarde do dia 18 de Maio de 2008. ler mais.



a partir das 21h abre as portas para o público em geral com uma programação que inclui exposições de fotografia, visitas gratuitas ao museu, música de câmara e um dj no "jardim das camélias" para animar a noite... as portas fecham às 2h e voltam a abrir na manhã de domingo dia 18 de maio, o dia internacional dos museus.
durante as horas em que o Museu está aberto, na noite de 17 para 18, há ainda uma surpresa: os fantasmas das família Moraes e Castro, mais conhecidos como os "Carrancas" e habitantes do Palácio em meados de 1800, surpreendem os visitantes enquanto estes visitam a "sua" casa em horário nocturno, quando eles habitualmente vagueiam pela casa.

quinta-feira, maio 15, 2008

dedicatória dois

Através de um pacto que não era menos forte por nunca ter sido expresso verbalmente, sabiam que o que acontecera era um laço que teria que ser renovado uma e outra vez, um compromisso nunca expresso por palavras mas redobradamente fortalecido pelo seu carácter secreto. Mas não lhes era fácil terem privacidade e encontrarem-se sozinhos. Não era fácil para nenhum deles. (...) Estavam sempre juntos quando trabalhavam, treinavam e cuidavam do guarda-roupa e dos equipamentos, mas nunca estavam sozinhos, e tinham consciência, até ao desespero, de que não tinham qualquer pretexto aceitável para tentarem ficar sozinhos.
in "Salto Mortal" de Marion Zimmer Bradley

dedicatória um

segunda-feira, maio 12, 2008

num tempo desfasado

num desfasamento de tempo
entre mim e ti, existe um eu
que aguarda silenciosamente
uma calma que desconheço
num alvoroço de coração maior
do que o corpo físico conhece
mas que o espaço em redor
(como o calor parece ondular
nos percursos do deserto)
acolhe permitindo a verticalidade
a postura que se destrói
compulsivamente em intervalos
curtos de tempo quase inexistente
entre uns e outros
encorporo-me para dar um passo
face ao desconhecido
num desfasamento de realidades
onde esse ser com penas
escrito por Dickinson alimenta
o que existe entre dois tempos
nesse lugar desconhecido
onde vivem as maiores dores
e as inalcançáveis alegrias

a fistfull of stars

'Grand Hotel' (1932)

screen test - garbo

domingo, maio 11, 2008

breaking habits

HABITS are a funny thing. We reach for them mindlessly, setting our brains on auto-pilot and relaxing into the unconscious comfort of familiar routine. “Not choice, but habit rules the unreflecting herd,” William Wordsworth said in the 19th century. In the ever-changing 21st century, even the word “habit” carries a negative connotation. continua aqui - artigo do NYTimes -

o corpo como material artístico

Em Paris, os cortes auto-inflingidos por Gina Pane nas mãos, nas costas e no rosto não eram menos perigosos. Como Nisch, ela acreditava que a dor ritualizada tinha um efeito purificador: este tipo de obra era necessário “para sensibilizar uma sociedade anestesiada”. (...) Em 1974 (Marina Abramovic), numa obra intitulada Ritmo O, autorizou todos os presentes de uma galeria de Nápoles a usarem o seu corpo, durante seis horas, como bem entendessem. Estes podiam utilizar instrumentos para inflingir dor e causar prazer, colocados numa mesa à sua disposição. Três horas depois, as roupas haviam-lhe sido arrancadas do corpo com navalhas e tinha a pele lacerada; um revólver carregado, apontado à sua cabeça, acabou por provocar uma luta entre os torturadores, levando a sessão a um desconcertante final.

in "A Arte da Performance - Do Futurismo ao Presente" de Roselee Goldberg, editora Orfeu Negro

sexta-feira, maio 09, 2008

regras

- never fall in love -



A ópera de Tiago Guedes

Hoje no FESTIVAL DA FÁBRICA foi a vez de "Ópera" que surge a partir de uma ideia original de Tiago Guedes, concebida e interpretada pelo próprio e por Maria Duarte. A obra de Purcell, "Dido e Eneias" é transportada para um universo fictício do teatro-dança onde ambos os intépretes procuram dar corpo às vozes que se ouvem a cantar a ópera real. Um exercício tímido sobre aquilo que poderia ser a transladação do universo supra teatral que existe no género onde cabe a obra do compositor. Estendendo-se pelos vários momentos que compõem a narrativa, as convenções inerentes ao género estão presentes, enquanto os dois intépretes se propõem a escutar e dar forma àquilo que é ouvido.

Com um trabalho de figurinos excelente, que transporta o espectador imediatamente para o universo pretendido, "Opera" é mais do que tudo um momento para assistir à ópera de maneira diferente, numa neblina induzida que remete para o ambiente onírico que está subjacente a esta história de um amor incompreendido e manipulado pelos deuses.

quinta-feira, maio 08, 2008

na incapacidade de falar.

sinto por vezes o corpo fatigado sem vontade de fazer aquilo que deve, agir com as vontades naturais que locomovem o corpo a objectivos da natureza humana. Mais do que a apatia ou ausência de vontade, sinto por vezes uma incapacidade in-humana de agir sobre mim próprio, quando os meus olhos involuntáriamente se fecham para encontrar no escuro um repouso confortável atrás das pálpebras pesadas, quando as mazelas do corpo se prolongam no tempo recordando-nos que existem produzindo dor nos momentos em que temos que continuar a viver, que temos que seguir em frente, ainda que seja com um pé ligeiramente torcido para não massacrar as mazelas provocadas por se conduzir o corpo a um cansaço extremo por não se entender as mudanças que nele ocorrem e abusamos consecutivamente do objecto que nos permite uma liberdade assumida. Encontro nessa liberdade uma incapacidade de agir, de tornar concretos os pensamentos e ideias que me afloram ao consciente sempre que quero adormecer para um mundo só meu e poder mergulhar no vazio do oceano e flutuar livremente tecendo mais e mais pensamentos oblíquos ao meu próprio ser real - porque não chegam nunca a concretizar-se - e é na incapacidade de falar, ou mais propriamente, de tornar visíveis os pensamentos que me encontro num lugar comum repetidamente como um fingido diletante sobre quem escrevo poesias e prosas e contos e um sem fim de palavras como quem escreve como fala... como pensa no momento em que escreve, porque de outro modo seria impossível falar desta maneira escrita, falar sequer, de vez em quando, daquilo que me atravessa e me perturba visualmente o mundo que existe fora de mim e que preciso de forma urgente de tornar a visitar.

desejos

gostava que o dia tivesse mais horas... mais algumas para depois de tudo acabar, ainda ter tempo para continuar a viver no sentido lato da palavra. não ser apenas fazer, correr, andar, comer, dormir...
Gostava que tivesse mais algumas horas.

terça-feira, maio 06, 2008

...to a new world of "Gods and Monsters"

A partir da novela de Christopher Bram "Father of Frankenstein", "Gods and Monsters" explora (de maneira ficcionada) os últimos dias de James Whale o director de cinema responsável por títulos como "Frankenstein" e "Homem Invisível".
Um filme sobre o mundo cinematográfico e os pequenos monstros que são criados para sobreviverem como Deuses, mesmo quando o passado decide voltar para inundar a memória deste homem - interpretado por Ian Mckellen - e fazê-lo reviver os seus maiores pesadelos e sonhos na companhia de um jovem que coincidentemente trás os traços do seu monstro mais famoso, do monstro que foi elevado ao estatudo de deus e que o içou até aos mais altos patamares desse universo cinematográfico.
Com interpretações brilhantes é um filme que aborda alguns aspectos biográficos sobre a vida do director de cinema, mas que explora acima de tudo a construção de uma relação baseada na amizade e na confiança entre ele e o seu mais recente jardineiro. Ambos encontram um porto seguro um no outro para poder desabafar, mesmo vivendo ambos em mundos distintos. É na mistura desses dois mundos, o real e o fictício, que os Deuses e os Monstros existem ao mesmo nível lado a lado, sem diferenças entre eles.


"a ver si superas todos tus obstaculos"

O meu único autógrafo de Pina Bausch é o que Almodovar nos mostra alegremente em "Hable con Ella"... E para já o mais próximo que consegui estar de ver a bailarina que veio este fim-de-semana dançar em Lisboa... A própria a dançar no "escenario lleno de sillas y mesas de madera... te da un miedo que las pobres se choquen con todo..."
Pina Bausch apesar de "ter que continuar a levar a (sua) companhia para a frente" subiu mais uma vez ao palco em Cafe Muller. A sua assinatura está naquilo que coreografa, a beleza dos movimentos subtilmente simples e arrojados por serem muitas vezes elaborados com a emoção que lhes vem associada. Fica um suspiro doce e amargo por poder revisitar a sua obra em vários formatos, quem sabe um dia ao vivo... mas uma vontade urgente de ter ido vê-la nos quarenta minutos que dura um café com ela.
Do cinema espanhol a pérola do filme "Hable con ella":

sábado, maio 03, 2008

fragilidade estilhaçada

Marion Coltillard merecia sem dúvida o óscar por interpretar na perfeição a "miúda piaf" - "La Môme".
O filme apesar de alguma falhas narrativas apresenta um retrato fiel - ou pelo menos aquele que temos hoje - de quem era Edith Piaf. Uma vida conturbada de alguém que sempre acreditou, apesar das desventuras, que conseguiria alcançar o topo com aquilo que melhor sabia fazer. Cantar... indo sempre beber ao amor a energia necessária que o seu corpo debilitado e pequeno não continha em si, uma voz que brotava de um ser minúsculo, exótico, deformado. Edith Piaf representava as ruas de Paris, uma voz que falava directamente com a voz do povo e apesar da fama e sucesso ela manteve-se fiel aos seus principios, acreditando naquilo que queria - no amor.
Um ser com uma fragilidade imensa, um corpo em estilhaços que mal se aguentava muitas vezes de pé mas que nunca deixou de cantar, até ao último momento. "Non, je ne regrette rien" foi última música acrescentada ao seu repertório aquando do seu retorno ao L'Olympia... já no final da vida, Piaf não conseguia viver sem cantar... Aquilo que lhe deu a fé para continuar a viver era aquilo que não podia parar de fazer até por fim a morte a levar para recomeçar do zero.




sexta-feira, maio 02, 2008

gene and fred vs rita [movies]



acontece:


Festival da Fábrica ao longo do mês de Maio, até dia 24...

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