sábado, agosto 16, 2008

volto já.

(...) Quando abriu o bilhete que ela tinha deixado na mesinha da entrada leu: "Volto já.". E subitamente o seu coração abrandou e as gotas de suor frio que se apressaram a aflorar a superfície da pele recuaram em sinal de protesto por se tratar de um falso alarme que ele dera a si próprio microsegundos antes de sequer abrir o bilhete e ter imaginado uma vida inteira sem ela. (...)

corpos em movimento

Algumas das provas dos Jogos Olímpicos são verdadeiras exibições de corpos perfeitos em movimento perfeito, onde a coordenação de cada músculo está a cargo da própria pessoa e os gestos são estudados ao pormenor para conseguir atingir o nível máximo que é pretendido. Se tirarmos o som à televisão, enquanto decorrem as provas de natação ou de ginástica acrobática podemos assistir a verdadeiro espectáculo de dança contemporânea, cheio de força com bailarinos perfeitamente aptos a atingir momentos gloriosos nunca antes pensados. Sem dúvida os Jogos Olímpicos são um dos maiores exemplos de virtuosismo humano alguma vez pensado e executado. Um dos grandes marcos da história da humanidade é ainda hoje o "jogo" que (pelas mais variadas razões, algumas justas e outras perfeitamente dispensáveis) une a sociedade, que estímula o ser humano.
Créditos da Foto: Cameron Spencer/Getty Images

"prt sc" - working on media


"New Media Art é um termo usado para descrever a arte relacionada, ou criada, com tecnologia inventada ou tornada disponível desde o final do século 20. Termos como «New Media Art», «Digital Art», «Multimedia Art» e «Interactive Art» são frequentemente intermutáveis."
in «New Media Art», Mark Tribe / Reena Jana, Taschen 2007.

quinta-feira, agosto 14, 2008

pecados inocentes




"Savage Grace" com estreia marcada para Setembro é um filme com pinceladas de uma narrativa muito semelhante à de George Bataille. A história é verdadeira (a true story) sobre um crime que teve lugar em Londres e que chocou o mundo e é também a história de um filho e da sua mãe e dos laços que os unem, laços que se tornam insuportavelmente fortes para ambos. Num ambiente very posh de uma família americana da classe alta, Julianne Moore está perfeita (aliás como sempre) numa realização muito subtil que ficou a cargo de Tom Kalin de um filme que deixou a sua marca no Sundance Festival.

marcel duchamp

“There is no solution, because there is no problem.”
This comment seems to have been quoted for the first time in Harriet and Sidney Janis, “Marcel Duchamp: Anti-Artist,” View, series V, no. 1 (March 1945), p. 24; it is repeated again in Winthrop Sargeant, “Dada’s Daddy,” Life, vol. 32, no. 17 (April 28, 1952), p. 111.

stills of intimacy

© Cay Lang, Thompson II

bits

A cidade desaparecia debaixo dos seus pés enquanto caminhava errantemente pelas ruas íngremes. As horas passavam sem que conseguisse efectuar definitivamente uma tarefa, sem sequer ter alguma tarefa em específico para fazer, encontrava-se perdido numa cidade que conhecia já como a palma da sua mão, sem nenhum recanto que lhe fosse indifirente ou sequer que estivesse vazio de memórias que o lembrassem agora da solidão em que se encontrava.
Enquanto percorria os caminhos sem sentido, suspirava e sorria alternadamente, tentando que uma réstia de si, uma pequena e ínfima parte do seu ser encontrasse a alegria que outrora conhecia tão bem, e a solidão parecia-lhe sempre uma morada tão apetecível.
Tinham-se passado quatro anos desde que percorrera aquelas ruas em busca de um sonho, a lutar por uma auto-realização e agora estava ali, no mesmo sítio, sem muitas coisas que fizessem dele uma pessoa muito diferente, execptuando o facto de ser mais triste e menos incisivo nas suas atitudes - tinha apreendido a sê-lo mas agora encontrava novamente dificuldade - e as rugas e olheiras que lhe vincavam agora o rosto de um forma que parecia quatro anos mais velhos, e estava de facto, quatro anos mais velho. Sozinho, vagueando pelas ruas sem saber do futuro e com um coração apertado de uma inacção constante que o tinha deixado ficar ali.

terça-feira, agosto 12, 2008

mood: rescue me


© Eiichi Anzai

c'est ça l'amour?!

words aren't enough
images are not the right ones
videos don't have enough words or the right images.

segunda-feira, agosto 11, 2008

nanonarrativas

Lentamente decidiu perscrutar o seu corpo, em busca das deformações causadas pelo tempo, encontrando, de olhos fechados apenas com o toque suave dos dedos cansados, as variações causadas pelos poros mais ou menos dilatados ao longo da pele que se estendia sobre o corpo em forma de manto real, cobrindo-lhe uma camada mais interior mais sensível à dor, mais irregular e viscosa.

close your eyes. open your heart

La Science des Rêves. Michel Gondry. Avec: Gael García Bernal, Charlotte Gainsbourg et Miou-Miou


Para conseguir produzir os sonhos basta conseguir os ingredientes certos. Reminesciências do passado, pedaços fugazes do dia-a-dia, sentimentos e emoções, misturar com elementos do inconsciente ... et voilá conseguimos os sonhos.
Basta fecharmos os olhos para conseguir encontrar o caminho que todos gostamos de fazer, a um mundo onde as coisas funcionam da maneira que nós queremos, onde não importa se as coisas fazem sentido ou não, onde mesmo que tudo esteja do avesso nos podemos sentir seguros porque sabemos que basta apenas abrir os olhos para nos encontrarmos no sítio onde nos lembramos adormecer.
"A Ciência dos Sonhos" do mesmo realizador de "O Despertar da Mente" é uma viagem pelo (in)consciente da personagem de Gael García Bernal, algo que escrito poderia ser um poema acerca das infinitas possibilidades do ser humano se reconfortar num mundo onde cada um se pode autogerir controlando a capacidade de sonhar.
Uma ode aos sonhos, onde a tragédia está quando a linha ténue, que divide a realidade desse outro lado que todos gostamos de visitar, desaparece para dar lugar a uma vida onde tudo existe ao mesmo, onde os olhos não precisam de estar fechados para o coração estar aberto.

domingo, agosto 10, 2008

há datas e horas para tudo #2


welcome back.

xxi'st century sentence

“If I could download trainers, I’d buy CDs.” (Bolza, 2008) - disse Fred Bolza, da Sony BMG, na conferência para a NESTA The Innovation Edge, relembrando a frase que um rapazinho lhe havia dito uma vez.
fonte.: Fátima São Simão

sábado, agosto 09, 2008

commercials

improv everywhere

Adoro as intervenções com grandes quantidades de pessoas, o impacto é sempre gigantesco, e sem dúvida que é uma óptima maneira para alertar as pessoas... A maneira de comunicação é intervir junto das pessoas, no seu dia-a-dia... eficaz, simples, harmless...

About Us (them)
Improv Everywhere causes scenes of chaos and joy in public places. Created in August of 2001 by Charlie Todd, Improv Everywhere has executed over 70 missions involving thousands of undercover agents. The group is based in New York City.

post relacionado: [no comment - frozen people]

han empezado.


fotografia retirada do jornal Público, edição impressa (8/8/2008), artwork: Daniel Pinheiro
2008 Beijing Olympic Games Ceremony-Amazing torch

no comment - frozen people

sexta-feira, agosto 08, 2008

a não perder

mio fratello è figlio unico

Um filme sobre os idealismos mal resolvidos, sobre o fanatismo que existe naqueles que decidiram lutar por algum ideal político, ideais que não se resolvem que permancem inalteráveis com o passar dos tempos e que por isso se desadequam às necessidades humanas.

Idealismos políticos que conduzem à corrupção dos seres humanos que acreditam num caminho único para a absolvição dos pecados do Mundo, para os pecados de um povo onde a maioria não tem uma opinião própria, onde só alguns lutam com todas as armas e se deixam embriagar pelo sentimento de poder, de liderança de conduzir as grupos de pessoas atrás de si.

Accio a alcunha da personagem principal que vai experimentar os vários idealismos numa Itália desconhecida, numa Itália que se perde na necessidade de encontrar um equilibrio entre o fascismo e o comunismo mal categorizados, apercebendo-se no final que não há idealismos que vençam, nem lutas que valham a pena em nome de qualquer regime político ou seja ele de que natureza for, sem primeiro colocar a humanidade em primeiro plano.

terça-feira, agosto 05, 2008

universe


a solução está em mudar os códigos genéticos.

all I want...

Dusty Springfield - promoções MediaMarket!

domingo, agosto 03, 2008

destaque

Herbie Hancock acompanhado de Dave Holland (contrabaixo), Vinnie Colaiuta (bateria), Chris Potter (saxofone), Lionel Loueke (guitarra), Sonya Kitchell (voz) e Amy Keys (voz) toca hoje nos Jardins do Palácio de Cristal - Porto - hoje a partir das 22h.
Hancock é considerado um dos grandes mestres do jazz, um dos nomes mais conceituados como pianista cuja carreira se desenvolveu inicialmente ao lado de Miles Davis (seu mentor) e avança por novas descobertas que vai agregando ao á sua discografia que vem desde os anos '60 a gravar a sua assinatura na história do jazz.
A digressão "River of Possibilities" apresenta-se junto ao Rio D'ouro como uma das melhores possibilidades para um final de domingo.
O concerto é de entrada livre, para assistir ao responsável por ter destronado Amy Whinehouse nos Grammys deste ano arrebatando o prémio de melhor álbum do ano com "River: The Joni Letters" tornando-se na grande surpresa dos prémios.

um 'ian curtis' erudito

é só porque para mim tem algumas parecenças com Ian Curtis, mas a verdade é que Nico Muhly, nova-iorquino de 26 anos, surge destacado nas críticas de música contemporânea por um trabalho que se situa no universo da música clássica e com pinceladas de ópera.
O coprodutor do seu novo trabalho Mothertongue é nada mais, nada menos, que Valgeir Sigurdsson o senhor que dá uma mãozinha a Björk na altura em que a menina se encontra a trabalhar no estúdio.
Música clássica e erudita com capas de cd's ao estilo de bandas indie-rock.


5 dias...

e começam os "Jogos Olímpicos" de Pequim'2008.
a abertura é a 8 de Agosto.

para recordar momentos em que o evento se tornou também uma competição entre designers e criativos, para além dos atletas. ver newyorktimes

sexta-feira, agosto 01, 2008

labeled as 'amigos' (LA)

Lost in L.A. "from: ROMEU AVE to Juliet ST"

catching up on movies



Oh! Les beaux jours

A história de Winnie, a patética (mais uma das personagens que vive no mundo bucólico dos vagabundos melancólicos e cómico trágicos de cariz beckettiano), aquela que, enterrada no solo, daí comanda o seu mundo de objectos e ilusões e neles integra o seu amor perdido, o seu amor nunca ganho.
Winnie, a que está ali, ilusoriamente resistindo à passagem do tempo. Neste pedaço de vida, nestes dias felizes, encontra-se o absolutamente insignificante com o absolutamente trágico. O resultado é paradoxal e a tensão desmedida.

“Pois é... assim eu pudesse suportar a solidão, quero dizer, ficar para aqui a pairar sem ser ouvida por ninguém. (Pausa.) Não é que eu tenha ilusões, Deus me livre. Tu não ouves lá grande coisa, Willie. (Pausa.) Há mesmo dias em que não ouves nada. (Pausa.) Mas há também outros em que respondes. (Pausa.) Mas há também outros em que respondes. (Pausa.) (...) E é isso que me permite continuar, continuar a falar, entenda-se. (Pausa.) Enquanto que, se tu viesses a morrer (Sorriso.) para falar à moda antiga (Fim do sorriso.) ou te fosses embora e me deixasses, que havia eu de fazer ao longo do dia, quero dizer, desde o instante em que a campainha toca para acordar até ao instante em que a campainha toca para adormecer? (Pausa.) Olhar fixamente em frente, apertando os lábios?”

in “Dias Felizes” de Samuel Beckett com tradução de Jaime Salazar Sampaio

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