sexta-feira, julho 17, 2009

une forme de danse qui recherche la traduction physique de sentiments trop grands et désire ardemment ce qui transcende l’individuel.



"Pitié" de Alain Platel foi o único espectáculo que vi do Festival Dancem!2009 no Porto. O único mas o mais impactante desde há muito tempo. Não só um espectáculo de Dança, um exercício de expressão artística ao mais elevado nível de virtuosismo, perfeição, e coerência.
Uma obra que surge da intersecção entre Alain Platel e Fabrizio Cassol, numa "Paixão segundo São Mateus" que marcou a obra de Bach e marca desta vez uma dissecação poética desta temática que não é nada mais que um dos muitos retratos do ser humano. Cassol não se limita a adaptar, mas sim a reformular a história, a de Mateus e a de Bach...
Em "Pitié" os corpos pintam o som das vozes que ecoam, palavras remotas desenhadas num transe de possessão que define os gestos destes seres humanos, cristos, madalenas, marias, e todo o mundo; um mundo que não se compadece, um mundo cheio de individualidades incapazes de se adaptar, de preterir, de abdicar. O sacrifício não é actualmente um motivo, ou causa, ou razão, sequer consequência.
Numa "piedade" que se vai construindo ao longo de "Pitié!" notamos que os sentidos vão ficando activos para o entendimento de uma mensagem de humildade perante a grandiosidade e beleza de um espectáculo de dança como este.

As eternas dicotomias são representadas, e todas elas são escritas segundo Platel e Cassol.



LES BALLETS C. DE LA B.
ALAIN PLATEL / FABRIZIO CASSOL

"A nova produção do coreógrafo Alain Platel e do compositor Fabrizio Cassol, Vsprs (2006), é baseada na Paixão segundo São Mateus de Bach. Esta obra-prima transforma a história da Paixão de Cristo em música sublime. Música que não se pode e não se deve mexer de forma inexperiente ou amadora.

Cassol não se limitou a ‘adaptar’ a música de Bach, antes escreveu uma nova história. Pitié! não segue à risca o relato de Mateus, o evangelista, nem a versão poética do libretista de Bach. Cassol centra-se na dor de uma mãe (uma parte que não existe na versão original da Paixão segundo São Mateus), no que diz respeito ao inevitável sacrifício dos seus descendentes. Aqui, a parte de Cristo é adaptada para duas almas - gémeas com um destino comum. Esta escolha confere sentido e direcção à composição.

Este princípio levou Cassol a optar por três cantores: uma soprano para a mãe, e duas vozes muito parecidas uma com a outra (contralto/mezzo e contratenor) para as crianças. A orquestra está assente no Trio Aka Moon, juntamente com algumas personalidades nómadas animadas, como Magik Malik (flauta e vozes), Tcha Limberger (violino), Phillippe Thuriot e Krassimir Sterev (acordeão), entre outros.

Erbarme dich é uma das árias mais conhecidas da Paixão segundo São Mateus, e este é um dos alicerces da música e conteúdo de Pitié!. Será que a nossa capacidade em compadecermo-nos se estende para além da piedade? A compaixão é um mundo maculado e está frequentemente associado à condescendência. Mas não é algo a que ansiamos ardentemente quando a vida e morte se tornam demasiado opressivas?

A Paixão segundo São Mateus aborda especialmente o derradeiro sacrifício individual: o próprio. Hoje, parece absurdo perguntar para quê ou para quem se estaria disposto a sacrificar a vida. Contudo é isto que Platel quer perguntar aos bailarinos com quem tenciona trabalhar na forma de dança ‘bastarda’ que lhe é tão própria. Baseada na experiência adquirida de VSPRS, esta dança vai à procura de uma tradução física de emoções muito intensas e aspira a algo que transcenda o individual.”

Hildegard De Vuyst

1 comentário:

constança disse...

que sortudinho que tu és por teres visto! já estou em portugal, combinamos qualquer coisa para a semana? beijinhos redondos!

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