quinta-feira, dezembro 13, 2012

anónimo



'ANÓNIMO' a mais recente criação do colectivo SophieMarie (da Associação NO MAN'S LAND) que, segundo as próprias, "[We]'ve always depended on the kindness of strangers" apresentaram-se no fim-de-semana passado no espaço dos Teatro Praga (Lisboa) em colaboração de um grupo de "estranhos" que encheram os lugares da sala e se acomodaram para serem conduzidos numa trama narrada por Vanda Cerejo e disputada em jogos de palavras e cruzamentos textuais nos corpos e vozes de Sophie Pinto e Filipa Leão. 
O colectivo levou outra vez a palco a sua imagem de marca, 40 minutos de um exercicio performático que encontra no texto a base da sua discussão enquanto prática de construção... O colectivo levou outra vez e marcou novamente o palco com aquilo que os "usual and unsusual strangers" se habituaram a ver no decorrer destes últimos anos.
'ANÓNIMO' fala de um personagem imaginário, de alguém cuja atitude perante a vida é bastante clara e representada na fotografia acima. 'ANÓNIMO' fala de uma apatia geral e de projecções sobre aquilo que gostaríamos de poder fazer, de imaginações que se desenvolvem como película de filme nas nossas cabeças que avançam e retrocedem de acordo com os nossos próprios desejos.
Neste projecto o colectivo, em colaboração com Tiago C. Bôto, encontra-se mais uma vez com uma espécie de texto narrativo que conduz o público através de sentimentos e emoções que são personificadas através da voz das actrizes de uma forma bastante 'não-teatral'. Conhecendo um pouco de perto o processo de criação e os inputs que são força motriz para o grupo de criadores envolvidos todo o caminho é marcado por uma pesquisa que se afasta de um teatro tradicional contemporâneo e que encontra nessa mesma procura a sua raiz e aquilo que tem construído a identidade deste grupo.
No momento certo o público é surpreendido com uma atitude que o afasta do simples acto passivo de observar uma peça de teatro onde as acções decorrem continuamente, a procura por um desfasamento dentro da própria narrativa, onde o próprio texto é trabalhado como se de um meio visual se tratasse.

Desta vez a permanência foi de facto inerente ao género utilizado e três dias passaram e o acontecimento foi efémero, deixando vontade e curiosidade de voltar a ver este projecto sair novamente do anonimato.

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